Crespo durante a derrota contra o Fortaleza

Crespo durante a derrota contra o Fortaleza (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

LANCE!
17/07/2021
21:07
São Paulo (SP)

Após a derrota por 1 a 0 para o Fortaleza, no Morumbi, neste sábado (17), o treinador do São Paulo, Hernán Crespo, fez um desabafo sobre o momento difícil vivido pelo clube. O técnico falou sobre seu trabalho ao lado da diretoria e sobre o discernimento dos funcionários do clube sobre a fase atual do time, afirmando que sabe o que precisa melhorar, mas que, em meio ao momento financeiro do clube, essa melhora leva tempo.


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Atualmente na 14ª posição do Campeonato Brasileiro após um início ruim na competição e em meio a uma crise financeira, o treinador falou que o momento é difícil, mas afirmou que o trabalho é complicado quando não há dinheiro e que a melhora exige muito tempo e trabalho.

- Se quisesse tranquilidade não tinha vindo para cá. Sabíamos que aceitar o trabalho no São Paulo era difícil, especialmente pela situação difícil financeira. Então, como eu falei, sempre, os problemas estão aqui e ficam aqui, como resolver? Com potencial econômico. Com potencial econômico, os tempos para resolver os problemas são mais curtos. Mas isso não acontece, isso não pode continuar, então devemos trabalhar dia a dia, sabendo que vamos sofrer, que vamos passar por situações difíceis, mas que vamos continuar trabalhando como estávamos fazendo até aqui, todos juntos, a diretoria pagando dividas, nós provando sermos competitivos, no limite do possível - disse Crespo.

O treinador falou sobre a conquista do Paulistão, que, segundo ele, é muito grande para o momento do time, mas muito pequena para a história do clube.

- Aconteceu algo extraordinário, o Paulistão, que,  para mim, é muito pequeno para a história do São Paulo, mas é muito importante para o presente do São Paulo. Não devemos esquecer isso, saber que momentos muitos difíceis estamos atravessando, mas quem decidiu atravessar esses momentos difíceis foi a gente, comissão técnica, elenco, diretoria, todos juntos - prosseguiu o argentino.

Em seu desabafo, Crespo respondeu aqueles que criticam o trabalho do São Paulo como se tivessem as respostas, afirmando que os profissionais do clube sabem exatamente o que acontece e os caminhos para resolver.

- Por que, quando a situação é fácil, é fácil falar, hoje toda a gente aqui fora fala, sabe, são todos dirigentes, jogadores, todos falam, todos tem a solução.  A única solução é trabalho e, aqui, quem faz todo o trabalho sou eu e os dirigentes, sabendo perfeitamente da situação crítica do São Paulo. Então, pensar em não passar por momentos difíceis, muito difíceis, é não saber de futebol. Aqui sabemos perfeitamente qual é a situação, o problema é que o São Paulo, a história do São Paulo, é muito maior do que a realidade de hoje. O problema é pensar que o São Paulo deve ser como sua história. Não. Estamos construindo, nesse momento, uma situação muito difícil, para construir um São Paulo melhor, que, talvez, e eu espero, pois estamos trabalhando todos juntos, eu não sei se vou estar aqui para ver esse São Paulo, mas, seguramente, eu estou aqui para construir um São Paulo melhor - comentou.

Crespo voltou a falar sobre a necessidade de mais tempo para trabalhar para resolver os problemas da equipe.

- E precisamos de tempo, pois não temos dinheiro, e se temos dinheiro, os tempos são mais curtos. A situação é essa, e ninguém disse outra coisa. Agora, vamos lutar? Sim. Queremos ganhar? Sim. Queremos sem competitivos? Sim. Vai ser difícil, é difícil. Nós todos aqui (apontou para as costas), carregamos uma mochila de outros anos, de muitos anos atrás. Estamos aqui trabalhamos e colocamos a cara aqui. A cara está sempre aqui, para trabalhar para um futuro melhor, para um presente melhor, mas o presente vai ser muito difícil, difícil para todos - afirmou o treinador.

- A diferença é, quem quer ver e quem não quer ver. Você sabe perfeitamente que eu trabalho como profissional há 25, 30 anos, você pensa que eu não sei que devemos melhorar? Você pensa que eu não vejo que toda a gente lá fora sabe que temos coisas a melhorar? Isso sabemos, todos sabemos. E todos estamos aqui para trabalhar para termos um presente e um futuro melhor. Mas os tempos são esses, sem dinheiro os tempos são longos. Conquistamos algo fantástico? Sim, algo fantástico, mas que, como eu falei antes, é muito pequeno para a história do São Paulo, mas muito grande para o presente do São Paulo. O problema é quando começam a equivocar e acreditar coisas que não são, não são assim. E a gente aqui trabalha todos os dias, e as coisas que o torcedor vê, as coisas que vocês veem, vocês pensam que eu não sei? Que o dirigente não sabe? Mas sabemos as coisas perfeitamente, todos os problemas e as coisas que se podem melhoras, sabemos tudo. Agora, ou trabalhamos todos juntos, todos unidos para um futuro melhor, ou começamos a estar aí e começamos a criticar e falar, 'eu se fosse dirigente faria', não, você não é dirigente. E se quer ajudar vem aqui trabalhar, como fazemos nós. Porque é assim, nesse momento todos tem as soluções, todos são treinadores, todos são dirigentes, e todos são atletas, mas a realidade é que estamos aqui e sabemos perfeitamente, nós estamos aqui para um futuro melhor do São Paulo - completou o técnico.

Concluindo sua fala, Crespo ressaltou a diferença entre a história e o momento do São Paulo, reafirmando saber de todos os problemas da equipe e saber que deve trabalhar para resolvê-los.



Então, quando você me diz uma coisa, e eu respeito, não tenho problemas com vocês (jornalistas), estou tentando explicar uma situação, que é uma situação que todos dizem, que todos falam, mas que nós sabemos perfeitamente. Estou aqui com 30 anos de futebol como profissional, e eu sei perfeitamente o que falta e o que não falta, o que está bem e o que precisa melhorar. Eu sei. Dinheiro não tem, e se não tem dinheiro, precisa trabalhar muito e precisa de tempo para melhorar. E eu espero e trabalho para um futuro São Paulo que deve ser o São Paulo que todos lembram, mas o presente diz outra coisa - concluiu Hernán Crespo.

Em meio a um momento complicado, o Tricolor enfrenta um calendário apertado, que não dá ao treinador o tempo que ele deseja para arrumar os problemas da equipe, mas que, ao mesmo tempo, exige que essas soluções sejam encontradas.

Na próxima terça-feira (20), o São Paulo enfrenta o Racing, pela partida de volta das oitavas de final da Libertadores, em Avellaneda, na Argentina. Após o empate por 1 a 1 no primeiro jogo, o time precisará superar os argentinos fora de casa para avançar de fase na competição.