Santos 2 x 0 São Caetano - 6/5/2007

O gol do título paulista de 2007 foi o segundo da carreira de Moraes (Reginaldo Castro/Lancepress!)

Fábio Lázaro
06/05/2020
17:30
Santos (SP)

O 17ª título paulista do Santos tem um herói, então, improvável: Júnior Moraes. Atualmente ídolo no futebol ucraniano, país onde se naturalizou, o atacante, recém-promovido aos profissionais à época, entrou em campo aos 12 minutos do segundo tempo naquela final, contra o São Caetano, no Morumbi, no dia 6 de maio de 2007, há exatos 13 anos, e 24 minutos depois foi o autor do gol que selou a conquista.

Aos 33 anos de idade, o jogador que defende o Shakhtar Donetsk, ampliou o seu contrato com a equipe no fim de 2019, estendendo o vínculo até dezembro de 2021. No entanto, com exclusividade ao LANCE!, o atleta revelou que planeja novos desafios antes de encerrar a carreira e entre eles está o retorno ao Peixe.

– Eu vivo um momento muito especial no Shakhtar, espero cumprir meu contrato aqui até o final e depois tenho planos de ter novos desafios. Vestir a camisa do Santos está entre eles – disse.

O bastidor do título

Até então desconhecido da torcida santista, Moraes havia atuado apenas três vezes antes daquela decisão, e nenhuma delas como titular. Na 17ª rodada do Paulistão, fez a sua estreia entre os profissionais, entrando durante partida contra a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, em Campinas, e marcando o quarto gol na vitória por 4 a 2. Duas rodadas à frente, no último jogo antes do mata-mata da competição, saiu do banco e foi o responsável pela assistência do segundo gol, marcado por Renatinho. Também entrou no decorrer do confronto de ida da decisão, onde o Peixe perdeu por 2 a 0 para o Azulão, no Morumbi, que uma semana mais tarde sediaria a conquista alvinegra.

Moraes afirma que ficou sabendo através do técnico Vanderlei Luxemburgo que estaria entre os relacionados apenas no vestiário e não escondeu a euforia. Também conta que o treinador não deu grandes orientações antes de promover a sua entrada, no lugar de Jonas, mas uma frase dita pelo “professor” foi seguida a risca por Moraes.

– Naquela época o Vanderlei (Luxemburgo) fazia mistério antes das partidas e só dava a escalação no vestiário, então ninguém sabia quem iria jogar ou ficar na arquibancada. Quando vi meu nome nos relacionados fiquei eufórico e comecei a mentalizar e sonhar com a oportunidade de entrar, fazer o gol e ser campeão. Antes de entrar em campo foram poucas instruções do professor, ele apenas pediu para que eu entrasse e decidisse – comentou.

A fase final

A melhor campanha da primeira fase, com 16 vitórias, dois empates e apenas uma derrota, credenciou o Peixe a decidir as fases finais como mandante e ter a vantagem dos resultados iguais ao seu favor. E o time fez valer esses critérios, tanto nas semifinais, quando empatou em 0 a 0 as duas partidas contra o Bragantino, quanto nas finais, já que venceu o retorno por 2 a 0, gol do título anotado por Moraes, após ser derrotado pelo mesmo placar na primeira partida, contra o Azulão.

Naquele 6 de abril de 2007, o zagueiro Adaílton abriu o placar para o Peixe, após aproveitar ótimo escanteio cobrado por Pedrinho e ganhar de cabeça do goleiro Luiz, do São Caetnao. Aos 36 minutos do segundo tempo, o lateral-esquerdo Kleber colocou a bola na área, Moraes fugiu da marcação e subiu para realizar um dos três momentos mais marcantes da sua carreira, segundo o próprio atacante.

– Com certeza no top 3! Entre gol na Champions e estreia pela Seleção – afirmou.

O título que hoje completa 13 anos foi especial principalmente por ser a primeira sequência conquistada pelo Peixe desde a “Era Pelé”. Antes do bicampeonato paulista de 2006 e 2007, o Alvinegro Praiano havia sido tricampeão estadual, entre 1967 e 1969. O feito repetiu-se no tri do Paulistão conquistado pelo Santos entre 2010 e 2012 e o bi de 2015 e 2016.