Santos

Diretoria está alinhada com a comissão técnica sobre questões administrativas (Foto: Divulgação/Santos)

Fábio Lázaro
12/08/2020
12:23
Santos (SP)

Envolto em dívidas e em fim de mandato, o Comitê Gestor do Santos tenta “arrumar a casa” até o fim do ano. De acordo com o membro do CG, Matheus Rodrigues, a diretoria do Peixe lista as pendências a serem quitadas a fim de entregar o clube da melhor maneira para o grupo que assumir a partir de 2021.

– A gente hoje trabalha com prioridades em questão a valores. O que são prioridades? Nós temos algumas coisas a quitar com alguns atletas, que não são coisas que estão escondidas da imprensa, do torcedor, do sócio ou do Conselho, que são alguns meses em direitos de imagem. Não são todos os atletas, nós temos hoje no elenco pouco mais de 30 atletas, menos da metade recebem direitos de imagem – disse o gestor, em entrevista à rádio Nova FM.

– Então criamos prioridades, é claro que preciso de uma boa venda e uma boa receita para suprir essas necessidades simultaneamente, mas se não suprir, temos que entrar em paralelo com a questão de liquidar as pendências com atletas, como direito de imagem e o pré-acordo, que a gente tá finalizando como acordo, da questão da pandemia, que são aqueles três meses, abril, maio e junho, que a gente tem um reembolsável, porque uma parte fica com um clube e outra é reembolsável aos atletas – acrescentou.

Além disso, a direção santista corre para saldar parte dos 4,1 milhões de euros (R$ 26,4 mi na cotação atual) que tem pendente com o Hamburgo (ALE) desde março, pelo não pagamento pelo zagueiro Cléber Reis, em 2017, ainda na gestão anterior. Com uma sanção junto a Fifa, o Peixe está impedido de registrar novos jogadores há cinco meses.

E uma nova notificação que pode surgir ao Alvinegro Praiano nos próximos dias, o Huachipato (CHI) acusa o Peixe de não ter pago 3,4 milhões de dólares (R$ 18,6 mi no câmbio do dia) pela aquisição do atacante Soteldo, em 2019, e diz que solicita à entidade máxima do futebol o congelamento santista nas próximas três janelas de transferências. Até o momento, o Santos diz não ter sido comunicado oficialmente de uma nova punição.

– O mesmo modus operandi que a gente usou com o Burgge, a gente quer fazer como o Hamburgo e também com o Huachipato, para que não tenhamos problemas futuros, desmitificando aquilo que falam que o Santos corre o risco de perder pontos – disse o gestor, citando o pagamento de 262,5 mil euros (R$ 1,6 milhões) que devia ao Brugge, como taxa pelo empréstimo pelo zagueiro Luan Peres, utilizando do valor recebido do Ajax (HOL), pela aquisição de Giovanni Manson, joia da base santista que nem chegou a ser promovido aos profissionais.

Eleição

A atual gestão do Santos se encerra no fim deste ano, com possibilidade de reeleição por mais um triênio (2021-2023). No entanto, o presidente José Carlos Peres já manifestou publicamente que não tentará um novo mandato.

Matheus postula como possível candidato da situação, mas garante que a pauta eleitoral ainda não é discutida pelo Comitê Gestor, e que isso só acontecerá quando o clube for colocado em dia administrativamente.

– Nós não tratamos de eleições até o momento. A gente combinou entre nós, em meio a pandemia, de que não falaríamos de eleição entre nós e que a gente focaria em resolver as questões no Santos, e deixar o clube equilibrado para outra gestão vir, e aí vemos se a gente vê se vai lançar alguém, apoiar alguém – disse Matheus Rodrigues.

Antes do pleito previsto para a primeira quinzena de dezembro, o presidente José Carlos Peres pode ser alvo de um novo processo de impeachement, bem como aconteceu em 2018, e o mandatário do Peixe foi mantido em Assembleia de Sócios.

Após o Conselho Fiscal reprovar as contas do clube em 2019, a Comissão de Inquérito e Sindicância analisará o caso, podendo indicar a abertura do impedimento do Comitê Gestor.

Internamente, um grupo de conselheiros ligados à oposição pressionam a Mesa Diretora do Conselho Deliberativo para entrar com um processo de afastamento de Peres até a votação do impedimento.