Vanderlei Luxemburgo Palmeiras

Vanderlei Luxemburgo ficou 12 dias afastado da Academia por estar com Covid-19 (Cesar Greco/Agência Palmeiras)

William Correia
18/07/2020
08:00
São Paulo (SP)

"Passei assintomático. Sou igual vara de marmelo: envergo, mas não quebro." Foi assim, rindo, que Vanderlei Luxemburgo falou sobre os 12 dias em que permaneceu em casa, afastado da Academia de Futebol por estar contaminado com coronavírus. Mas, entre 3 de julho, quando testou positivo para a doença, e 15 de julho, data em que voltou a comandar treinamentos no Palmeiras, o técnico relatou ter vivido uma rotina de presidiário no próprio apartamento.

- Não tive nada, sério mesmo. Não tive problema nenhum, parece que não tive a doença. Passei muito bem. A única coisa que incomoda é que parece que eu estava preso. Minha mulher chegava, batia na porta do quarto e falava "almoço", "janta", "café". Aí ela deixava a bandeja na porta, eu pegava e comia. Isso era deprimente, ruim. Pensei: "estou preso" - contou, ainda gargalhando.

- Quando testei positivo, mandei todos saírem de casa. Cheguei no hall do apartamento, tirei a roupa, deixei para lavar e fui direto para o quarto. Minha esposa deixou tudo separado lá para eu não sair mais e deixar minha família exposta. Fiquei 12 dias naquele quarto, com computador, trabalhando, lendo, vendo futebol e o que estava acontecendo - continuou.

Por ter 68 anos de idade, Vanderlei Luxemburgo sempre recebeu um monitoramento especial do Palmeiras. E foi exatamente por isso que teve uma recuperação tranquila, segundo o próprio treinador. O técnico afirmou que a dieta repassada pelos profissionais do Núcleo de Saúde e Performance do clube foram fundamentais para que não tivesse sintomas do coronavírus.

- Os médicos do Palmeiras me deram muita vitamina. É muito importante ter imunidade e se preparar antes de ter Covid-19. Se estiver com a imunidade boa, com certeza esse negócio bate, encontra resistência e vai embora. Se tiver uma brechinha, ele vai te pegar e te machucar. Apesar de velho, estou com a imunidade boa - argumentou.

O coronavírus foi o últimos dos problemas que atrapalharam a presença de Luxemburgo na retomada dos trabalhos do Palmeiras. O clube reabriu a Academia de Futebol para avaliações físicas em 23 de junho e, dois dias depois, o técnico precisou passar por cirurgia para retirada da vesícula. Esteve liberado para comandar um treino apenas em 3 de julho, justamente o dia em que seu teste para detectar coronavírus deu positivo, sendo imediatamente afastado.

Desde quarta-feira, voltou a participar ativamente dos trabalhos no centro de treinamento. Na quarta que vem, às 21h30, o Campeonato Paulista retorna com o clássico entre Palmeiras e Corinthians, em Itaquera. No dia 26, o Verdão recebe o Água Santa, no Allianz Parque, pela última rodada da primeira fase. O time de Luxemburgo tem a segunda melhor campanha geral e do Grupo B, com 19 pontos em dez jogos, atrás do Santo André somente no saldo de gols.