Liminha

Momento exato do gol de Liminha, que carimbou a conquista da Copa Rio de 1951 (Foto; Divulgação/Palmeiras)

LANCE!/NOSSO PALESTRA
05/02/2021
07:00
São Paulo (SP)

O Palmeiras tem gosto pelas coisas que não podemos ver. Aquelas que não explicamos com uma caneta e um papel. São aquelas sobre as quais falamos enquanto movemos mãos e braços enlouquecidos na empolgação de detalhar algo que pouco conhecemos. Por tantas vezes, nem temos certezas objetivas, mas o coração é capaz até de tocar nesses sentimentos e compreendê-los como realidade. Vai dizer que foi tudo coincidência. Eu chamo de Palmeiras.

Campeão do mundo. Representando o país contra o resto do globo. Nós versus todos. Verde que foi amarelo, azul, branco, até vermelho. O Palmeiras venceu aquele que foi um campeonato do planeta. As ruas se esverdearam como se a conquista versasse sobre orgulho nacional e foi mais do que isso, sabemos. O gol no Maracanã foi a redenção do Maracanazzo, quando o Brasil perdeu a Copa em sua casa. De Liminha, o ajuste da trajetória, o acerto de contas, a vitória dos nossos. O Palmeiras fez justiça.

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Palmeiras Campeão Mundial (Fotos: Palmeiras/Divulgação)

E dos pés, corpo, disposição, raiva, explosão e desejo, o gol veio. No mesmo lado do mesmo estádio, o mesmo gol que recebeu de Breno Lopes o passaporte pra América, viu Liminha passar com bola e tudo para beijar as redes do Maracanã e dizer: o mundo também é verde. Ele foi o herói da maior epopeia que o Verdão tem pra contar. O seu maior feito. As câmeras mal registraram, os jornais estamparam em imagens ruins aquela que era a capa do século. Um clube do Brasil se colocou na dianteira de todos os outros. Por todos os cantos.

E foi exatamente como todos vocês, os que já leem de óculos e com cabelos esbranquiçados e os que comemoram há uns dias sua primeira glória, sabiam que havia de ser. Baseado no místico, no misterioso e Divino. Liminha nasceu no dia 30 de janeiro. O dia do bi da América. O Palmeiras havia vencido o mundo pela primeira vez em 22 de julho, o mesmo número de ano que separou a primeira glória eterna de seu segundo capítulo, e o dia que ele deixou esse mundo para ver o Verdão de camarote. O acaso, na língua palmeirense, é destino. A sorte é trajeto. A coincidência é hábito. E a conquista é batismo.

(Por: João Gabriel Falcade)

​O L!/NOSSO PALESTRA conversou com Oswaldo Luiz Moreira Jr, filho de Liminha, o homem que foi alçado aos céus depois de fazer o gol do título mundial de 1951. Confira a íntegra desse papo tão especial.

BATE-PAPO COMPLETO COM O FILHO DO HERÓI DO MUNDIAL DO PALMEIRAS

O Palmeiras tem Mundial?

– Na verdade, eu não era nascido em 1951, nasci em 1955, mas pelo que eu vivi junto com meu pai e todos que eram próximos, ou aqueles que eram seus fãs, e pelas reportagens que tenho guardadas até hoje, eu tenho certeza absoluta de que o Palmeiras conquistou o Mundial em 22 de julho de 1951. O Brasil virou palmeirense, foram mais de 100 mil pessoas no maracanã, então não é uma coisa que possa ser descartada. O Brasil torceu, vibrou e fez a festa junto com o Palmeiras. Então, nada mais justo do que reconhecer que foi um campeonato muito importante para o país e para o futebol brasileiro, nada mais justo dizer que realmente é um Mundial.

Por que esta conquista da Libertadores foi ainda mais especial para você?

– Meu pai nasceu em um 30 de janeiro, a final da Libertadores foi em um 30 de janeiro, no mesmo estádio da final do Mundial de 1951 e o gol foi feito na mesma baliza do gol do meu pai. Meu pai morreu em um 22 de julho, a final do Mundial de 1951 foi em um 22 de julho. São muitas coincidências, tudo isso é muito marcante para nós, a família, é uma emoção muito grande. Não tem como negar que não deu para segurar as lagrimas. É uma pena que a pandemia deixou cada um em seus lares, mas a conexão estava enorme, sofremos, vibramos e choramos bastante.

O seu pai passou o amor pelo Palmeiras adiante na família? O time marcou a vida de vocês?

– Com certeza, marcou muito. Para ele, o Palmeiras era uma família, ele comentava isso conosco. Ele sempre foi querido pelos palmeirenses, pela diretoria, tanto é que, depois que ele encerrou a carreira, ele foi trabalhar numa empresa cujo dono era diretor do Palmeiras. Várias pessoas do passado sempre estiveram em contato com ele e até o ajudaram. É uma coisa muito marcante para nós, o Palmeiras. Não tenho muita vivência com o clube Palmeiras, mas tenho muita estima com o time do Palmeiras. Desde pequeno, eu tinha muito orgulho de meu pai jogar no Palmeiras, eu falava isso para todos, então não tinha como eu não ser palmeirense, já estava em nosso sangue verde.

Você coleciona itens da época de seu pai?

– Eu guardo todos os itens que conseguir. Mesmo depois de mais velho, os colecionadores, sabendo que sou filho do Liminha, me mandavam diversas copias de jornais e revistas que o citavam, guardo tudo até hoje e tenho muito carinho. Também tenho duas camisas que acredito serem de treino, pois não possuem numeração, foram dadas por minha tia, e algumas fotos que ela me deu. Minha irmã também guarda materiais do meu pai.

Qual jogador do atual elenco lembra as características de seu pai?

– Hoje, na verdade, eu não vejo muito o estilo que meu pai jogava nos jogadores do Palmeiras. Eu via muito isso no Dudu, que infelizmente saiu. Lá atrás, tinham alguns jogadores muito parecidos, pois meu pai era muito dinâmico ia muito para cima, trombando, batendo, marrento, briguento, exatamente como o Edmundo. O Edmundo era igual a ele.

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Quem você gostaria que marcasse o gol de um eventual título Mundial? Alguém para entrar no mesmo patamar de seu pai

– Alguém que eu gosto de ver é o Luiz Adriano, eu gostaria que ele fizesse o gol do título mundial. E não só gostaria, como acho que ele vai fazer! Ele vai pra cima, lembra um pouco das características de antigamente. Meu pai já me contou que naquela partida de 51 ele entrou com bola e tudo, falou ‘seja o que Deus quiser, vou para cima e ninguém vai me segurar’, e foi mesmo para cima, entrou, tanto que as fotos mostram ele deitado nas redes, dentro do gol.

E você acha que o Palmeiras tem chances no Mundial?

– Acho que o Palmeiras tem que primeiro pensar na semifinal. Ainda não estamos na final. É como o técnico fala: é jogo a jogo. Se passarmos, vai ser duro, o Bayern não é fraco, mas o Palmeiras é Palmeiras, estamos com muita vontade, torcida, garra, e o time merece. Vamos ser campeões mundiais, se Deus quiser.

Veja a íntegra do papo, em vídeo: