Bruno Henrique

Bruno Henrique recebe o troféu dado ao campeão do segundo turno do Campeonato Brasileiro (Foto: Thiago Ferri)

Thiago Ferri e William Correia
30/11/2018
07:00
São Paulo (SP)

Domingo, depois do jogo contra o Vitória, o Palmeiras vai receber a taça do Campeonato Brasileiro, e o capitão Bruno Henrique terá a responsabilidade de levantá-la no Allianz Parque. Destaque na campanha do título alviverde, o camisa 19 recebe esta tarefa pela primeira vez na carreira.

Como "preparação", o LANCE! entregou a ele o troféu João Saldanha, após o treino dessa quinta. Este é o prêmio dado ao time que consegue o melhor desempenho no segundo turno do Brasileiro, desde 2003. É a segunda vez que o Palmeiras o vence - a outra foi em 2016, quando também levou o troféu Osmar Santos, por ter feito o melhor do primeiro turno.

Ainda há uma rodada a ser disputada, mas os 44 pontos somados até agora pelo Palmeiras no returno do Brasileiro não serão alcançados pelo Flamengo, dono da segunda melhor campanha no período, com 35 pontos. São 13 vitórias e cinco empates para o time de Felipão no intervalo, com um aproveitamento altíssimo: 81,5%.

Um dos destaques da campanha, Bruno Henrique manteve com Luiz Felipe Scolari a tarja de capitão, que havia recebido de Roger Machado. Ele fez parte da campanha do título do Corinthians, em 2015, mas não na condição de capitão - no meio de 2016, foi vendido para o Palermo (ITA), e, na metade do ano passado, chegou ao Verdão 

- Será especial, né? Sendo um título tão importante quanto o Brasileiro, e um campeonato tão difícil, com 38 rodadas, com sete, oito times entrando para brigar pelo título. Estar vivendo um momento desse no Palmeiras é fantástico. Não vejo a hora de chegar domingo logo para ter este momento especial - comemorou o meio-campista, ao L!.

Com 65 jogos na temporada e 15 gols, Bruno é o volante que fez mais gols em 2018 no futebol brasileiro. Pelos números e pelo título brasileiro, ele considera ter vivido o melhor ano de sua carreira. Veja abaixo a entrevista com um dos destaques do Palmeiras campeão.

LANCE!: Ainda durante o campeonato, você falou que este era o melhor ano da sua carreira. Agora, como campeão brasileiro, capitão e, provavelmente, na seleção da competição, o que você pode falar de 2018?
Bruno Henrique: É um momento especial, sem dúvida. Foi o melhor ano da minha carreira, até pela sequência muito grande de jogos e pela consistência de jogo durante o ano todo, e fazendo gols, agora com o título brasileiro. É uma sensação maravilhosa. É um trabalho que planejei muito, desde o começo do ano, quando tive a oportunidade de fazer uma pré-temporada e o objetivo de jogar no Palmeiras, mostrar para o torcedor que eu tinha potencial para jogar aqui, capacidade de mostrar meu futebol. Eu queria muito ganhar um título para dar essa alegria para o torcedor do Palmeiras. Tudo que tracei, os meus objetivos pessoais, querendo conquistar com o Palmeiras neste ano, consegui.

Você faz um acompanhamento psicológico que te ajudou e, antes do jogo contra o Vasco, chamou atenção você fechando os olhos, concentrando-se. Como você trabalhou essa parte mental para atingir esse resultados?
Tenho a minha terapeuta, a Fátima Cristóvão, que cuida dessa parte comigo já faz uns três anos, dois anos e pouco. Para mim, é fundamental essa parte. Aquele momento é no qual mentalizo coisas boas, para fazer uma boa performance. É um momento no qual trago só coisas boas para poder fazer um jogo tranquilo. Esse acompanhamento, para mim, é fundamental desde o momento em que comecei a fazer e ter o autoconhecimento. Vem me ajudando muito, tanto na minha vida pessoal quanto na profissional. Se a sua vida pessoal está bem, as coisas dentro do trabalho fluem de uma maneira muito melhor. Esse trabalho terapêutico aumenta muito a performance dentro de campo exatamente porque temos muitos problemas, né? Qualquer um tem, jogador de futebol tem também. Às vezes, você tem algum problema, vem trabalhar, aquele problema fica na sua cabeça e você não consegue performar tão bem. Isso acaba te deixando para baixo e te prejudicando no seu trabalho. A terapia me ajudou muito nisso, a blindar certas coisas, afastar coisas ruins que me fazem mal e trabalhar de uma maneira mais tranquila, com a cabeça boa, focada nos objetivos que tenho e para fazer o meu trabalho bem feito. Isso está me ajudando muito. Fiz um processo terapêutico, e agora faço um trabalho com ela ainda, em frequência menor, mas continuo fazendo. Isso me ajudou muito, está me ajudando e vai me ajudar bastante.

Durante os treinos, a comissão técnica pede o tempo inteiro para vocês mentalizarem suas ações. Isso te ajudou ainda mais?
Sim. O Paulo (Turra, auxiliar) é um cara que trabalha muito essa questão da mentalização, de manter o foco nas coisas que temos de fazer e no que treinamos na semana e nessa mentalização, principalmente agora, nesta reta final do Brasileiro, quando jogávamos e dependia do resultado de outro para ser campeão ou ganhar uma vantagem. Tem muitas coisas que ficam tirando o foco, às vezes. Ele batia muito nessa tecla, e o Felipão também, de mentalização e foco para fazermos o que estamos treinados a fazer e o que temos de fazer no jogo. Entrar no jogo sem pensar em nada, em resultado ou no que vai acontecer amanhã ou no que aconteceu ontem. fazemos bastante isso e gosto dessa metodologia, porque é uma coisa que procuro fazer.

Você é o volante com mais gols no futebol brasileiro na temporada. Tinha um objetivo de gols para esta temporada?
Tenho. Tenho objetivos pessoais e profissionais e, dentro do que quero conquistar e do que fazer, estão os gols também. Tive neste ano a oportunidade de fazer muitos gols e aprimorar essa chegada de trás para finalizar. Sendo volante, chegando por trás, geralmente tem facilidade e espaço maiores porque quem teria de me marcar, teoricamente, são os meias. Tenho um pouco essa facilidade de chegar de trás sem marcação. Aprimorei bastante essa batida de fora para fazer gols e ajudar o Palmeiras. Neste ano, as coisas fluíram de uma maneira muito legal. Com tudo aquilo que planejei, as coisas deram muito certo.

Qual era a sua meta de gols para este ano?
Não sei quantos gols eu tinha colocado no ano. Não sei se eram dez gols. Mas já bati. Então, fico muito feliz. Para a minha posição, era uma média boa, e pela quantidade de jogos também. Fico feliz por ter feito 15 gols e ajudado o Palmeiras a brigar pelos títulos que brigamos e a ter conquistado o Brasileiro.

Você começou o ano com o Roger Machado prometendo te recuperar, e deu certo. Depois da Copa do Mundo, o Tite já disse que poderia ter te chamado. Como você trabalha esse sonho de Seleção?
Primeiramente, fico muito contente e feliz pelo Tite estar falando o meu nome, dentro do conhecimento dele também. Mas Seleção é uma consequência: você precisa estar muito bem no clube para ter uma chance na Seleção Brasileira. Se eu tiver a oportunidade de ir para a Seleção Brasileira, ficarei muito contente. Se não for, continuarei fazendo meu trabalho no Palmeiras, como sempre venho fazendo, sempre pensando em fazer o melhor para o Palmeiras. Mas, se tiver uma chance de ir para a Seleção, ficarei muito contente.

O Felipão trabalha muito com lideranças e te deixou como capitão. Como é o relacionamento de vocês?
Eu tinha me tornado capitão um pouco antes de ele chegar, com o Roger ainda. No momento em que ele chegou, deu continuidade para eu ficar com a faixa e sempre foi uma relação muito boa. Ele é um cara que conversa muito com os jogadores, não só comigo. Eu já estava sendo capitão e ele me deu essa responsabilidade, e foi me conhecendo, vendo a forma como trabalho, o meu dia a dia. Foi uma relação muito legal. Tivemos conversas e, com certeza, ele me ajudou muito. Apesar do curto prazo, quatro, cinco meses, ter a oportunidade de trabalhar com o Felipão, um treinador multicampeão como ele, referência para todos nós, e aprendendo com ele a cada jogo, a cada momento decisivo, a cada coisa que ele falava no vestiário. É um momento muito especial. Mas, assim como ele faz comigo, de conversar e falar as coisas particulares, ele chama outros jogadores também, sempre deixando muito claro para todo o grupo que nossa equipe tem vários capitães, não somente um. Mas fico muito contente por ele ter me dado a oportunidade de ficar com a faixa e me dado essa confiança.

Fala um pouco sobre a sua função em campo, já que o Palmeiras defende e ataca em bloco, com você como protagonista nos dois...
Na minha posição, de segundo volante, tem jogos em que tenho um pouco mais de liberdade, e, em outros, não. Quando eu jogava com o Lucas Lima, ele, teoricamente, é um cara que sai mais, um meia mais ofensivo. Já o Moisés também é meia, mas, com ele, eu tinha um pouco mais de liberdade para atacar. Essa era uma coisa muito legal, porque dependia muito do jogo, do adversário, para ter a função de ficar um pouco mais recuado ou com um pouco mais de liberdade. Dentro do que era colocado no jogo, eu tinha um pouco mais essa coisa de atacar mais ou proteger mais. É uma coisa que o Felipão sempre falava bastante. Todos os atletas, praticamente, tiveram oportunidade de jogar com ele, e ele sempre deu muita confiança, passou sempre muita tranquilidade para todos os jogadores. Fico muito feliz por ter essa oportunidade de trabalhar com ele e ter esse entendimento do que ele quer de mim dentro de campo e dos outros atletas. É muito legal por ver que, a cada jogo, era uma formação diferente, e eu atacava mais ou menos dependendo do jogo.

O que já traça como metas para 2019?
É cedo ainda, né? A minha meta agora é comemorar bastante (risos). Vai chegar o final do ano agora e temos férias. Passamos um ano com muita pressão, então não fiz nada ainda. No final do ano, o pensamento é só comemorar e curtir este momento que estamos vivendo. Não adianta também pensar no futuro e não viver o presente. Agora, o meu pensamento é somente estar vivendo este momento, de ter ganhado o título e estar comemorando este momento tão especial.

Você foi quem teve um dos maiores desgastes físicos do elenco. Como lidou com isso para atuar com tanta frequência?
No finalzinho, foi pesando. Foram 65 jogos na temporada. Teoricamente, o seu nível vai caindo fisicamente, o que é natural, porque é muito jogo, e o desgaste físico e mental é muito grande. Mas o Felipão é um cara para quem a gente não precisa pedir, ele até tira do treino sempre porque temos o pessoal de fisiologia, os médicos e uma estrutura fantástica para ver se o jogador está mais desgastado ou não. Nessa sequência de jogos, ele mesclou bastante. O jogador jogava duas, três e ele deixava uma de fora. Ele soube administrar muito bem isso. Isso é muito bom, porque nos deu a condição de chegar a uma posição dessas de brigar pelo título brasileiro. Com certeza, se não tivesse essa troca, de não jogar um jogo e descansar, seria difícil. Muitos times do Campeonato Brasileiro que não têm um elenco tão grande oscilam muito, exatamente por isso: faz dois, três jogos muito bons, chega uma hora que o corpo não aguenta mais e cai o rendimento. Isso foi muito importante para termos ganhado o Campeonato Brasileiro. Ele sempre cuida muito dos atletas, vê quem está mais desgastado, jogando muitos jogos, e, comigo, não é diferente. Em alguns jogos, ele me via mais desgastado e me deixava fora para, no outro jogo, estar bem recuperado e sem risco de lesão nem nada. Se você está jogando muitos jogos, o risco de lesão é muito grande, de ter uma ruptura muscular e essas coisas. Então, ele, com os médicos, têm essa relação muito boa e, com o grupo qualificado que temos, soube administrar muito bem.