Gabriel Menino - Treino Palmeiras

Gabriel Menino está vivendo sua retomada no Palmeiras depois de cair de produção (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Alexandre Guariglia e Julia Mazarin
09/06/2022
06:00
São Paulo (SP)

As temporadas de 2020 e 2021 do Palmeiras foram praticamente uma só, com fatos em sequência, títulos ganhos, títulos perdidos, jogadores crescendo, jogadores caindo de produção... E entre esses acontecimentos é possível citar Gabriel Menino, um dos grandes expoentes de uma geração de Crias, que viveu o ápice das glórias e acabou tendo uma queda, que hoje está sendo deixada para trás.

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Em entrevista ao LANCE!, o meio-campista do Verdão contou o que houve para que seu desempenho tivesse caído tanto em relação ao que já havia sido, além de explicar como foi lidar com esse processo, em que precisou colocar a cabeça no lugar, ouvir pessoas próximas e ter cada vez mais nítido que dependia apenas dele para que "tudo voltasse ao normal", como o próprio disse para a reportagem.

O normal, que ele e o torcedor palmeirense esperam retomar, é aquele Menino de 2020, que foi uma das peças principais do sucesso de Abel Ferreira, que assombrou o River Plate, que foi titular em final de Libertadores e que chegou à Seleção Brasileira. O anormal foi o rendimento abaixo da média, que o fez perder espaço com Abel e até mesmo um lugar na relação de inscritos para o Mundial de Clubes. 

Confira a entrevista completa de Gabriel Menino para o LANCE!:

Você talvez tenha sido o principal nome dessa geração de Crias da Academia por um bom tempo, e depois viveu um período grande sem espaço. Como foi lidar com aquele momento de sucesso e depois com fase não tão boa? 

Como eu sempre digo, foi um momento da minha vida em que as coisas aconteceram de forma muito rápida, não consegui discernir tão rápido o que estava acontecendo na minha vida, na minha carreira. Depois acho que é normal na vida a gente ter altos e baixos, acho que isso me deixou e vai me deixar mais forte pelo que vem pela frente, também muito mais cabeça para tudo o que eu vivi e o que eu vou viver, e o que eu estou vivendo. Eu acho que isso é normal, todos os grandes jogadores, os craques do futebol, passaram por um momento como esse. Eu coloquei uma coisa na minha cabeça que os meus pais me falam sempre, que o atleta precisa de descanso, alimento e treino, então acho que eu coloquei isso na cabeça e está voltando tudo ao normal de novo.

Em algum momento você chegou a pensar que não conseguiria retomar o espaço? Em que tipo de motivação, ajuda, você se agarrou nesses momentos e qual foi a virada de chave que, para você, foi essencial nessa sua retomada?

Eu sempre confiei em mim, sempre confiei principalmente em Deus, sou um cara que crê muito em Deus, e ele sempre me deu uma autoconfiança, uma atitude muito boa, e nada me abala. Por mais que eu esteja vivendo altos e baixos, por mais que esteja fazendo algo de errado, eu tenho que colocar minha cabeça no lugar, eu tenho uma família muito boa, um empresário muito bom, uma equipe que está do meu lado muito boa, que me ajudaram com tudo isso que eu passei e, graças a Deus, nunca me deixaram, nunca me colocaram para baixo, só me falaram as verdades que eu tinha que ouvir, tudo dependia de mim e de mais ninguém, isso foi me deixando mais forte ainda para enfrentar os desafios e as barreiras de todos os dias.

Obs.: Quando Menino cita as pessoas que o ajudaram nesse momento, ele fala dos pais Silvana e Paulo, de Nick Arcuri (agente) e Luiz Cardoso (gestor), da Un1que Football e Gabriel Saraceni (assessor de Imprensa), da Inovem Comunicação.

Além da sequência de jogos, você tem tido uma sequência de boas atuações, como contra o Atlético-MG e talvez em uma posição que não é a sua "primeira", mas que te foi apresentada na necessidade do elenco. Como tem sido esse posicionamento e o quanto você tem "ganhado" no aspecto tático, técnico e mental nesses últimos jogos?

Eu sempre me preparei como um curinga da equipe. Por um tempo eu estava achando isso ruim, por não ter uma condição fixa e por estar reclamando de onde o treinador me colocava, mas isso é um dom que Deus me deu, de poder atuar em várias posições e ir bem, executá-las bem e fazer o que o professor manda, prestar bem atenção nas coisas que ele fala, que ele me ensina, porque ele é muito bom, sempre me ajudou e continua me ajudando muito. Acho que é isso, prestar muita atenção no treino, fazer o que o jogo pede e ser você, nos momentos que precisa, porque o que eu construí lá atrás sempre dependeu de mim e quando ele chegou me ajudou ainda mais, colocou ideias no meu jogo que eu puxei para mim e estou tentando melhorar a cada dia para, se Deus quiser, daqui um tempo, daqui dias, não sei, me tornar titular do Palmeiras e dar sequência na minha carreira e no meu futebol.

Muitos torcedores nas redes sociais chegam a reclamar que o Abel Ferreira não gosta de utilizar atletas da base. Porém, a gente consegue notar, partida após partida, que a base palmeirense vem ganhando ainda mais espaço. Você, que está dentro dessa realidade, como enxerga essa junção do profissional com as Crias? O que vocês mais aprendem?

No Palmeiras sempre foi difícil para nós da base atuarmos, mas eu acho que ele tem dado oportunidade sim. Nesse último jogo contra o Atlético-MG até falei para o Rony, que estava do meu lado, "olha que bonito, três atletas da base atuando (Bicalho, Fabinho e Veron)". Falei "nossa, que bonito né? Nosso trabalho sendo valorizado". Acho que tudo tem seu tempo, acho que tudo tem seu momento e o Palmeiras prioriza muito isso, muita inteligência, muito trabalho também para chegar lá e jogar com personalidade num grande clube como é o Palmeiras, que pra mim é o maior do Brasil e todo mundo sabe que não é fácil. A pressão quando você sobe, tem que mostrar o porquê você está ali, o porquê você merece e por isso que ele segura tanto, para ver se o jogador é bom o suficiente, se ele tem cabeça, se ele tem personalidade, se ele tem atitude... Acho que o Palmeiras é muito bom nesse quesito. Por isso que às vezes o treinador ou o Palmeiras, não sei, seguram tanto, mas quando coloca, não coloca um só não, coloca uns dois, três, quatro que sabem que vão dar conta do recado.

O jogo com o Botafogo vai marcar também o seu reencontro com o ex-companheiro de equipe Patrick de Paula. Além dos momentos bons e de glória, vocês viveram juntos períodos não tão bons nesses últimos meses. Vocês ainda mantêm contato frequente? E como você acha que essas situações pelas quais vocês passaram podem ter agregado na trajetória de cada um, independentemente do clube?

Eu acho que vai ser muito bom, né? Um companheiro que eu conheço desde moleque, desde criança e vai marcar, vai marcar muitas coisas boas, vai marcar nossos momentos bons no profissional, momentos ruins, que acho que nos ajudaram muito a crescer e hoje se tornar um homem, um jogador, um atleta de alto nível. Acho que cada um tem tem sua mentalidade, tem sua empresa, tem sua família, tem um elenco, uma equipe por trás dele ajudando cada um de nós. Isso que eu priorizo muito, minha equipe, minha família, meu empresário, sempre teve um muro, me trancaram e confiaram em mim, porque querendo ou não o mundo do futebol nós sabemos como é, altos e baixos e você não pode se achar quando você está lá em cima e não pode se achar também um jogador ruim, um sem qualidade, quando você está lá embaixo. Cara, eu acho que você sempre tem que manter um um alto nível, ter certeza daquilo que você quer, dos sonhos, dos seus objetivos. E continuar firme e focado que eu acho que tudo acontece naturalmente. E eu acho que por tudo que a gente passou, acho que a gente está mais maduro, está mais homem em relação a isso.

Você ganhou quase tudo com o Palmeiras nos últimos anos (além do ouro olímpico). Dos títulos grandes (tirando o Mundial), talvez só esteja faltando o Brasileirão. Essa é a prioridade de vocês no elenco? Há uma motivação maior para poder fechar o ciclo com todos os títulos possíveis? E como manter essa motivação depois de tantas conquistas e recordes?

Eu sou muito ambicioso e a gente está disputando três, quatro títulos ainda e eu não estou satisfeito com o que eu conquistei, eu quero conquistar muito, mas muito mais, eu quero ter uma carreira brilhante, eu quero ficar na história do futebol, na história do Palmeiras e todos os títulos para gente vão ser prioridade, não só Brasileiro, mas também o Mundial, a Libertadores, a Copa do Brasil, o Paulista a gente já ganhou, que foi maravilhoso ganhar mais uma vez o Paulista. Então acho que todos os campeonatos para gente são importantes e a ambição acho que é maior que eu, pode ser jogo de botão, videogame, finalização, que a gente brinca lá no treino, eu não gosto de perder, nunca gostei de perder. Eu acho que eu sou chato em questão a isso, sou muito chato, porque quando eu perco assim, quando eu estou em casa jogando alguma coisa com meus amigos e às vezes eles ganham de mim, que acontece um milagre (risos) e eu subo para o meu quarto, começo brigar comigo mesmo, com raiva, mas depois eu desço para falar com eles, fico um pouco, mas em relação a isso, eu acho que minha ambição é muito maior que eu.

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