Punição a Carol Solberg revive debate sobre estratégias de posicionamento político no esporte
Especialistas traçam caminhos diferentes a percorrer dependendo do tema

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A etapa de abertura do Circuito Mundial de Vôlei de Praia 2026, realizada em João Pessoa (PB) no último fim de semana, foi marcada pela não participação das líderes do ranking mundial, Carol Solberg e Rebecca. A ausência foi fruto de uma suspensão por posicionamento político de Carol. Após conquistar a medalha de bronze no Campeonato Mundial, a jogadora celebrou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em entrevista ainda em quadra.
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Atletas devem se posicionar politicamente?
O caso de Carol é o reflexo mais recente de um dilema que extrapola as areias. Com o alcance das redes sociais e a pressão por responsabilidade social, o mundo esportivo tenta responder a uma pergunta cada vez mais complexa: os atletas devem se posicionar? Segundo assessores de imprensa e pesquisadores procurados para a realização da matéria, existem dois tipos de posicionamento que os atletas são orientados a adotar.
Quando o foco são temas que afetam a sociedade como um todo — como a luta antirracista e o combate à homofobia —, o entendimento é que os atletas podem e devem se posicionar. No entanto, todo movimento deve ser estrategicamente alinhado com a equipe de comunicação, evitando interpretações equivocadas ou consequências negativas para a imagem do competidor.
— Os atletas são importantes formadores de opinião. Como protagonistas e figuras de grande relevância, eles precisam ter um posicionamento ativo em tópicos que representam valores fundamentais para a coletividade. Aqueles que se posicionam conseguem furar a bolha do esporte e passam a ser ouvidos e lembrados em outras áreas — explica Fernando Mello, sócio-diretor da Press FC, agência que realiza consultoria de comunicação e assessoria de imprensa no esporte desde 2004.
Alguns dos principais exemplos de atletas que se posicionam desta maneira é o camisa 7 do Real Madrid Vinicius Júnior, que monta sua imagem junto com sua luta diária contra o racismo. Além dele, Douglas Souza, ponteiro do Cruzeiro, já comentou em diversas entrevistas sua luta a favor da comunidade LGBT.
Político partidário
Por outro lado, atletas também podem se posicionar em questões partidárias, declarando apoio ou oposição a candidatos específicas. É nesses casos que o engajamento pode impactar de forma mais severa a carreira profissional.
Devido ao alcance das redes sociais, ao adotar esse caminho, o esportista deve estar preparado para lidar tanto com o apoio entusiasta quanto com ataques do público, o que pode afetar diretamente sua relação com marcas e contratos de patrocínio.
— É preciso ter uma estratégia de comunicação para responder a isso, porque qualquer posicionamento vai gerar um contra-argumento. A escolha deve vir acompanhada de um diálogo muito franco com a equipe de comunicação e agências, pois tudo precisa estar alinhado. O atleta pode perder seguidores ou ganhar outros, mas isso deve ser pensado do ponto de vista estratégico — explica Franscine.
Por isso, a escolha de "quando" e "como" se posicionar é importante.
— O atleta precisa avaliar se aquela "briga" é importante para ele. Outras polêmicas podem não fazer sentido. É fundamental saber escolher em quais debates entrar — completa a pesquisadora.

Portanto, seja através da luta por causas coletivas ou de manifestações partidárias diretas, o fato é que o silêncio já não é mais a única opção para os atletas. O posicionamento é um direito, mas a estratégia é a ferramenta que determina se a voz do atleta será um motor de mudança ou um obstáculo em sua trajetória profissional.
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