José Neto

Treinador da seleção feminina aposta em projeto grandioso: 'É uma nova metodologia' / Alexandre Loureiro/COB

Rafael Arantes
28/08/2019
07:35
Rio de Janeiro

Foram pouco mais de dois meses desde o dia em que José Neto aceitou o desafio de comandar a seleção brasileira feminina de basquete até o dia em que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima. O sucesso no primeiro grande desafio no cargo foi fruto de uma nova forma de gestão da equipe, que é a grande aposta do treinador para o futuro da Seleção.

Após o início com o pé direito, Neto não escondeu a alegria em acompanhar a rápida porém vitoriosa trajetória das meninas de ouro do Brasil no Pan e almeja passos ainda maiores para o futuro da equipe. Segundo ele, o reencontro com a medalha de ouro após 28 anos da histórica conquista do time comandado pela super geração de Hortência e Magic Paula, é o pontapé inicial para uma nova era da modalidade.

- Foi uma conquista especial com certeza. Temos um propósito de tornar o basquete feminino brasileiro uma referencia no cenário mundial e, para isso, temos que trabalhar muito ainda. Hoje, o sentimento é que todos estão na mesma página, focados em um propósito maior que é o “bem do basquete feminino brasileiro". Este é um processo que planejamos atingir em um médio/longo prazo, mas com ações instantâneas. Vamos em frente" - analisou o treinador.

O próximo grande desafio da Seleção de José Neto é a FIBA Women's AmeriCup 2019 (Copa América Feminina), que será realizada de 22 a 29 de setembro, em San Juan, Porto Rico. Na última segunda-feira, o treinador divulgou as 18 jogadoras convocadas para iniciar a preparação para o torneio. O grupo se apresenta nesta quarta (28) e os treinos terão início a partir de sábado (31) no Parque Olímpico de Deodoro e na Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA).

Basquete Feminino
Ouro no Pan, Seleção começa preparação para a FIBA Women's AmeriCup 2019 nesta semana | Alexandre Loureiro/COB


Confira, na íntegra, a entrevista de José Neto ao LANCE!:

Qual a sensação de conquistar um feito tão marcante no seu primeiro grande desafio no comando da seleção?

Foi uma conquista especial com certeza! Primeiro trabalho com o basquete feminino, que é uma modalidade que tem história, e poder contribuir com esta conquista me deixou muito motivado pra poder continuar este processo.

A falta de investimentos é uma das sombras que perseguem o basquete feminino. Acredita que o ouro no Pan Americano pode gerar novos horizontes para a Seleção neste aspecto?

O país, de uma maneira geral, está passando por um momento econômico complicado e o esporte passa a sofrer com isso também. Porém, a CBB tem buscado viabilizar o melhor para o nosso trabalho com as seleções. É verdade que não temos as mesmas condições de países como Canadá e Estados Unidos, mas estamos podendo realizar o nosso trabalho e competir. O apoio do COB tem sido fundamental para que possamos executar os nossos planejamentos. Espero que a medalha de ouro do Pan-Americano seja um fator de motivação para agregarmos novos parceiros para o basquete feminino.

Nomes desconhecidos, o sonho de defender o país, a conquista do ouro. Qual resumo você faz do grupo brasileiro na trajetória vitoriosa no Pan?

O que mais me motivou foi acompanhar a dedicação e o comprometimento da equipe a cada dia: jogadoras, comissão técnica e todos que, de uma forma ou outra, fazem parte deste processo. Sentimento de que todos estão na mesma página, focados em um propósito maior que é o “bem do basquete feminino brasileiro”.

A vaga nas Olimpíadas de 2020 é o próximo grande alvo? A pressão aumenta após a conquista?

Temos um propósito que é de criar uma nova metodologia para a seleção brasileira feminina e então, através desta metodologia, conseguirmos reconquistar o espaço no cenário mundial (olimpíadas e campeonato mundial). Este é um processo que planejamos atingir em um médio/longo prazo, mas com ações instantâneas. Além do trabalho com as seleções brasileiras, visamos também estar auxiliando no trabalho com os clubes, capacitação de treinadores das categorias de base, mapeamento e acompanhamento de atletas jovens que estão atuando fora do Brasil, entre outras ações.

Flamengo
Coleção de títulos! Técnico teve trajetória super vitoriosa no comando do Flamengo | Divulgação/Flamengo


A trajetória super vitoriosa no Flamengo é um fator de cobrança ainda maior no comando da Seleção?

Durante a minha carreira tive oportunidades de poder contribuir para a construção de uma história em cada equipe que passei. Uma oportunidade de implementar uma mentalidade vencedora e de êxitos. Esse é o maior propósito. Criar um grupo de trabalho e implantar essa metodologia é um desafio diário. Isso me motiva! Não existe uma pressão maior do que aquela que eu mesmo me coloco para que as metas sejam atingidas. Enfim, o desafio, que não é pequeno, é um combustível para que eu possa continuar a ser melhor a cada dia.

Comandar a seleção do seu próprio país, alem de um grande desafio, é visto por muitos como o ápice para a carreira de um treinador. O que você ainda espera alcançar daqui pra frente?

Estive durante 12 anos na seleção brasileira masculina, participando de todas as competições possíveis da modalidade a nível mundial. Conheço bem o sabor de representar o meu país e sei que é bom demais. Ajudar a ver a bandeira brasileira subindo mais alto que as outras é um sentimento inexplicável. Portanto, os desafios não param. Novos desafios, talvez ainda maiores, são criados mesmo quando superamos aqueles anteriores. No basquete feminino temos muitas coisas ainda por fazer. Este é só o começo. Temos um propósito maior que vencer uma competição. Temos um propósito de tornar o basquete feminino brasileiro uma referencia no cenário mundial e, para isso, temos que trabalhar muito ainda. Vamos em frente.

Basquete Brasil
José Neto (direita) fez parte da comissão técnica da seleção masculina por doze anos | Divulgação CBB