Van Aert - Ciclismo

Aert segue em alta no Tour (Foto: AFP)

Fernando Moyna
05/09/2020
09:18
BLOG SOLTANDO O FREIO

Isso sim foi uma etapa digna de um Tour de France. Pancadaria desde o começo nesta sexta-feira.

Equipe Bora do Sagan torceu o cabo desde a bandeirada de largada apostando que os sprinters “puros”, principalmente Bennett com a camisa verde, não passariam nas montanhas com o ritmo a toda. Não deu outra. Nem com os especialistas de vento e ritmo alto o dia inteiro como os da Deuceunick conseguiram trazer o Bennett de volta para o pelotão. Ewan nem tentou e é essa a especialidade e diferença do Sagan.

É por isso que ele é o maior salário do pelotão. Ninguém faz o que ele faz. Ou não tem a velocidade dele, que são os que conseguiram acompanhar (Trentin, Avermat, Stuyven, Mezgec) ou tem mais velocidade, mas não acompanham em terreno ondulado (cat.3-cat.4) quando o ritmo está a toda (Bennett, Ewan, Nizzolo).

A não ser que seu nome tenha “Van” no meio. M. VAN der Poel ou W. VAN Aert. M. Poel não tem equipe suficiente para ser convidada para o Tour, então temos o Aert mostrando do que é capaz. Ok, Avermat tem Van no meio e é uma versão dele que escala mais, mas não vai vencer a verde com o Sagan e os outros “VANs” na prova.

Depois que houve o corte a equipe Bora continuou apertando o ritmo e a diferença ficou impossível de ser recomposta. Assim que a acabou a descida, passando pela cidade no pé da montanha, todo mundo sabia que haveria vento cruzado na parte descoberta da estrada e não deu outra. Dessa vez foi a Ineos que foi para frente com Rowe e Baarle, que também tem VAN no nome. A dupla causou o caos no vento cruzado e deu no que deu; cortes no pelotão.

A falta de sorte caiu que nem um raio para Pogacar (furo), Carapaz (furo) e para o Landa (queda). A essa altura qualquer um que cortasse do pelotão não teria a menor chance de reconectar. Com esses líderes cortados Grupama, Jumbo e Astana foram para frente com TUDO na mesma hora que a Ineos parou de puxar devido ao furo de Carapaz. A partir dai a sentença de perda de tempo para os que estavam atrás era inevitável e só uma questão de quanto seria a perda. Acabou sendo de 1m21s.

Agora a etapa deste sábado tem enorme potencial de termos ações entre os GCs que estão na disputa da amarela. As pernas VÃO doer devido a etapa de hoje e qualquer um que não responda ao “hi-tempo” das últimas 2 montanhas do dia corre o risco de perder minutos.

Caso Pogacar e Landa tentem alguma coisa para recuperar tempo e outros escaladores, principalmente os colombianos, se juntem para desafiar o “trem” da Jumbo-Ineos a etapa pode ser realmente explosiva.

A dupla de montanhas Balès-Peyresourde é bem manjada, cheia de histórias e a escalada do último está em praticamente todos os Tour de France. Peyresourde é famoso por ser geralmente escalado em ritmo da etapa 6, ou seja, o indesejável “hi-tempo”. Uma espécie de acordo em que os favoritos subam em ritmo forte, mas sem ataques entre os principais candidatos entre os GCs.

Não chego a imaginar que iremos ter uma escalada do Peyresourde com 10 sobreviventes e depois o inesquecível mano-a-mano Contador-Rasmunssen de 2007 nas mesmas montanhas(link abaixo), mas Ineos e Jumbo tem que começar a expor seus rivais e eliminar candidatos à amarela neste fim de semana.

Se não tivermos ataques de favoritos(!), não aqueles voos de galinhas do Rolland, Barguil, Aru e companhia, na parte mais dura do Balès, então dificilmente teremos ações entre os favoritos no Pyersourde.

Seria mais um desperdício de montanhas para os escaladores, mas espero sim ataque do Pogacar. Não tem nada a perder já que é seu 1º Tour de France e está lá justamente para testar seus limites. A dica será se Formolo ou De la Cruz estiverem na fuga para serem usados como gregários após a fuga dele. É esperar e torcer.