Lauter no Lance!: As performances olímpicas entram em campo
O mais rápido, o mais alto, o mais forte

CITIUS, ALTIUS, FORTIUS*
Aproveitando o embalo de termos, enfim, futebol de verdade se espalhando por todos os cantos desse país, e trazendo já um recorde mundial: o primeiro treinador a cair, antes mesmo de terminar a rodada. Somos imbatíveis na modalidade demissão, na categoria médio-ligeira. E lá se vai o Mano. Segue o jogo! Vamos conversar sobre futebol e performances esportivas. Topam?
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
"…No fundo desse país/ Ao longo das avenidas/ Nos campos de terra e grama/ Brasil
só é futebol/ Nesses noventa minutos/ De emoção e alegria/ Esqueço a casa e o
trabalho/ A vida fica lá fora/ Dinheiro fica lá fora/ A cama fica lá fora/ Família fica lá fora/
A vida fica lá fora/ E tudo fica lá fora"…
Trecho da música "Aqui é o país do futebol" de Milton Nascimento e F. Brant
Sim, aqui é o país do futebol. Nossas referências esportivas, partem das performances nos gramados, seja pelo meio-campista que se move por todos os cantos do campo, incansável, que nos faz lembrar os grandes maratonistas africanos, ou aquele ponta veloz, que juramos ser mais rápido que Bolt e companhia. Ou, talvez, o atacante meio desengonçado que salta como ninguém e jura que tem o dom de parar no ar, feito beija-flor. Ou saindo do gramado para a quadra, traçamos empolgados, paralelos entre o zagueiro de nossa defesa que salta mais que o ucraniano de nome escasso em vogais, que foi tema de nossa primeira coluna aqui? Vocês oito devem lembrar, confio em meus fiéis leitores.
CITIUS (O mais rápido)
O nome dele era… era… agora não lembro. Era um ponta esquerda arisco, sem nenhum dom para o drible, muito menos para ganhar a linha de fundo, levantar a cabeça, cruzar e correr para o abraço. Era conhecido pela velocidade e de sair com bola e tudo pela linha de fundo. Esta é uma cena comum em nossos estádios, campos e campinhos, são os cometas sem nome, que tal qual seus apelidos, desaparecem no horizonte escuro do esquecimento.
Hoje em dia, usando métricas temerosas e não compatíveis com a física, usando imagem e captação de velocidade instantânea não presencial, surgem bons jogadores, e não tão bons velocistas. Deixa pra lá, o descompromisso com a precisão e a matemática faz parte de nosso dia a dia. Enquanto eles forem fazendo gols e parindo jogadas desconcertantes, o futebol agradece.
Mas conheço o caso de um jogador, chamado Edson, que, além de envergar o 10 nas costas, tirava a teima de preparadores e cronômetros analógicos, cumprindo a distância dos 100 metros, em pista, na casa dos 10 segundos. Seja na pista da Escola de Educação Física do Exército, no Rio, onde cravou 10:6 (10 segundos e 6 décimos), ou em Santos (não confirmado oficialmente o local), onde dizem que voou para 10:3! Assim era Pelé, um Jesse Owens de chuteiras!
Querer comparar o Deus de todos os estádios, com simples velocistas mortais é covardia. A especificidade do gesto desportivo pune, como diria Muricy. Pelé não pegaria nem final estadual dos 100 metros. Mas e os gols de placa, os divinos dribles… Seria medíocre tentar comparar! Mas comparando o Rei, com jogadores de futebol, poucos, pouquíssimos cruzariam a chegada próximos dele!

➡️ João Fonseca alcança melhor ranking na carreira; veja posições
ALTIUS (o mais alto)
E quando o nosso zagueirão, xerife soberano de todas as áreas, se torna nosso último baluarte da pátria de chuteiras e sobe determinado, como um velho Electra da ponte aérea de outrora, entre adversários mais altos, e consegue afastar o perigo e comemora como um recorde mundial no salto em altura. Na hora, dezenas de nós, pensam, esse voa!
E o que pensar do atacante de nossa seleção de voleibol, encara aquele bloqueio triplo que mais parece um condomínio de Balneário Camboriu, e ataca por cima desse muro de concreto armado, fazendo o último ponto do "tie-break"? Que venham os ucranianos e cubanos, nosso ponteiro canhoto salta mais!
Calma lá! Javier Sotomayor, o grande saltador cubano, detentor do recorde mundial do salto em altura, saltou (utilizando apenas um pé de impulsão, a regra é clara) 2 metros e 45 centímetros, numa tarde ensolarada de Salamanca. Diante disso, Javier poderia ter ultrapassado a rede de voleibol daquele ataque espetacular ali de cima, usando apenas um pé de apoio. Cito mais uma vez, sem medo de ser repetitivo, a lei da especificidade do gesto desportivo. Cada um em sua modalidade, brinca com o impossível! Mas, na
verdade, voar é para os pássaros e saltadores em altura.

FORTIUS (o mais forte, resistente)
Dirceuzinho era um azougue, ponta esquerda por profissão e maratonista por missão, não parava (em campo**)! Carregava piano, bateria, baixo acústico… e não desafinava. Seu estilo era pré-contemporâneo, futurista. Nos famosos e temidos testes de Cooper (correr a maior distância possível no tempo de 12 minutos) era imbatível. Seu melhor teste, em 1982, ele chegou a espantosos 3.600 metros (colhido da 1ª página de esportes do saudoso JB) o credenciou a ser comparado a maratonistas africanos! Diziam que Dirceu ganharia fácil a maratona olímpica.
Calma lá, não vamos querer que a equipe de atletismo do Quênia chegue a final da próxima Copa do Mundo de futebol! Um fundista africano, correu a distância de 5km em espantosos 12 minutos e 35 segundos. Se projetarmos o tempo para 12 minutos cravados, ele teria completado o teste de Cooper percorrendo a distância de 4.800 metros (ok, precisamente 4.778 metros).
Agora, peço que me respondam, o que torna o futebol tão apaixonante, se seus atletas não são ETs? Te respondo com uma palavra apenas: MÁGICA!
Tentaram vetorizar e cronometrar os dribles de Garrincha; as arrancadas de Pelé; escanearam os Ronaldos, sem sucesso. Pelé foi o que foi, por conta de seus níveis altíssimos nas valências físicas e motoras, sim, mas o que o levou ao status de gênio foi a mágica que carregava e aplicava com maestria em campo.
Viva o mundanismo mágico do futebol! Usemos a ciência para que ele cresça e frutifique. Usemos o
atletismo como base e desenvolvimento das valências pertinentes a cada esporte. Há alguns anos o atletismo é base e lastro de desenvolvimento de vários esportes. Afinal, o show tem que continuar!

*Lema olímpico
** Dirceu foi parado, estupidamente, aos 43 anos, quando voltava para casa, e seu carro foi destruído por outro que praticava "pegas" nas avenidas largas da Barra de Tijuca.
Tudo sobre

Mais Esportes
Do sonho de ginasta à Olimpíada no skate: Gabi Mazetto mira LA
Há 1 hora
Lutas
Valter Walker aceita luta contra ex-campeão do UFC
Há 1 hora
Lutas
Makhachev volta a ameaçar recorde histórico de Anderson Silva no UFC
Há 2 horas
Tênis
João Fonseca mira salto no ranking após queda em Montreal
Há 3 horas
Fórmula 1
Piastri rebate Hamilton na F1: 'Eles não são para todos'
Há 3 horas
Tênis
João Fonseca terá caminho facilitado no Masters de Cincinnati
Há 3 horasMais LANCE!

Sem LeBron, Lakers terão desafio pela frente, alerta Shaq

Diretor da F1 detalha qualidades de Bortoleto: 'Algo que precisamos'

Rio 2016: Olimpíada sediada pelo Brasil completa dez anos

De Gisele Bundchen a Vanderlei: os 10 anos da abertura dos Jogos Rio 2016

Semana de luta! Recorde de Anderson Silva e dois cinturões em jogo no UFC 330

Classificado para a AmeriCup, Brasil vence Colômbia e é bronze no Sul-Americano

Saiba quanto João Fonseca faturou pela campanha no Masters 1000 de Montreal

Derrota de João Fonseca em Montreal repercute: 'Temos que aceitar'

João Fonseca cai para Ben Shelton e se despede de Montreal nas oitavas

Eliminada no Canadá, Sabalenka tem liderança garantida por mais uma semana

Veja os lances da derrota de João Fonseca no Masters 1000 de Montreal

Brasileiro fatura prêmio de 'Luta da Noite' no UFC Vegas 120; veja valor

Campeão do SLS, Cordano Russell aprende português e revela desejo de morar no Brasil

