Pilotos fazem manifestação contra o racismo no início da temporada 2020

AFP

Fabio Chiorino e Rodrigo Borges
06/07/2020
07:20
São Paulo (SP)

O automobilismo é um dos mais elitistas entre todos os esportes. E a Fórmula 1 é o símbolo da modalidade, o topo. Não é uma crítica, mas um fato. São raros os pilotos que fazem carreira nas pistas e chegam à categoria sem ter família rica. Exceções são aqueles que dão a sorte de conseguir apoio financeiro ou ser desde cedo apadrinhados por alguma equipe.

Por isso mesmo, a manifestação liderada por Lewis Hamilton neste domingo, na Áustria, na abertura da temporada da F-1, é um recado tão nobre quanto necessário. O piloto da Mercedes, seis vezes campeão do mundo, já havia se notabilizado por levantar a voz e criticar o silêncio da categoria, que muitas vezes parece viver em um mundo paralelo, alheia aos fenômenos sociais.
Todos os pilotos vestiram camisetas pedindo o fim do racismo ou apoiando a campanha Black Lives Matter, mas nem todos seguiram o inglês no momento em que ele se ajoelhou, gesto que vem sendo repetido em outras modalidades. Seis dos 20 ficaram de pé.

Hamilton é seguramente um dos maiores atletas de sua geração. Já seria pelas conquistas nas pistas, mas se tornou um personagem ainda maior ao liderar a discussão de temas cruciais que historicamente são desviados da cultura esportiva. O piloto inglês, ainda favorito para conquistar mais uma temporada, terminou a prova em quarto lugar. Mas, neste domingo, algo muito maior estava em jogo. Lewis Hamilton se importa e sua voz é mais alta que o barulho dos motores.

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