Das ruas à maratona: os garis que transformaram corrida em profissão
O "Dia do Gari" é celebrado anualmente no dia 16 de maio no Brasil

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A rotina de um coletor de lixo começa ainda antes do sol nascer. São quilômetros percorridos no asfalto, correndo atrás do caminhão e desviando de obstáculos nas ruas. Foi nessa rotina puxada que os brasileiros Johnatas Cruz e Fábio Jesus Correia descobriram a paixão pela corrida e se encontraram como atletas profissionais. No dia 16 de maio, em que é celebrado o Dia do Gari, o Lance! relembra histórias que começaram no trabalho e cruzaram com o esporte.
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Nascido em São Pedro dos Ferros, no interior de Minas Gerais, Johnatas Cruz se mudou para São Paulo aos 12 anos. Aos 18, era frentista de um posto de gasolina. Apaixonado por futebol, passou a trabalhar como coletor de lixo na capital. Aos poucos, pegou gosto pela corrida de rua e, a partir de 2015, fez suas primeiras provas. A maratona de Johnatan era conciliar os treinamentos durante o dia com a jornada de trabalho durante a noite.
— Ser coletor não é fácil, principalmente na cidade de São Paulo. Muito cansativo, desgastante, mas revela grandes talentos. As pessoas ali suportam um volume de corrida diário de 23km, 25km. Pensei: acho que vou me dar bem na corrida — contou, em vídeo publicado nas redes sociais.
A partir de 2022, a corrida se tornou o único caminho, e a decisão trouxe bons resultados. Johnatas chegou aos Jogos Pan-Americanos e, com a quarta colocação, foi o melhor brasileiro na maratona. Ele também se destacou na tradicional São Silvestre, sendo o melhor representante do país por dois anos consecutivos: em 2023, foi o sexto colocado, e em 2024, cravou o quarto lugar.
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Cobrança por incentivo ao esporte
Uma história muito parecida começou no município de Monte Santo, interior da Bahia, terra natal de Fábio Jesus Correia. Foi lá que ele deu seus primeiros passos na corrida, literalmente de pés descalços. Em 2019, ele se mudou para São Paulo e passou a trabalhar como coletor de lixo, mas sem abandonar o sonho do esporte.
Fábio encarava duas horas de transporte público para ir ao clube treinar após a jornada de trabalho. No final do dia, exausto, mal dormia antes de recomeçar a sequência. Mesmo em meio às dificuldades, tornou-se um dos principais fundistas do Brasil e, em 2025, foi medalhista de bronze da São Silvestre, o melhor representante do país na prova.
Justamente por ter construído sua trajetória no esporte em meio a muitas dificuldades, Fábio cobra que as próximas gerações do atletismo brasileiro tenham melhores condições de treinar e se desenvolver. Após subir ao pódio da São Silvestre, aproveitou o momento de visibilidade para fazer um forte desabafo.
— Muitas pessoas pensam que é só a patrte financeira que precisa para erguer o atleta, mas eu acho que falta valorizar o espaço do treinamento. em muitas pistas que a gente chega e é barrado. Às vezes a gente treina na rua, é carro atrapalhando, é cachorro, correndo o risco de torcer o pé. A gente tem muitos jovens que podem representar bem, muitos se espelham em nós, então eu peço que as autoridades possam abrir espaço com segurança pra gente treinar - declarou, na época.
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