Conselho de Ética do COB absolve Marcos Goto e CBG em escândalo
Grupo do Comitê diz não haver provas de que o treinador sabia dos casos de abuso sexual praticados por Fernando Lopes contra ginastas. Diego Hypolito se recusou a comparecer

- Matéria
- Mais Notícias
Coordenador técnico da Seleção Brasileira de ginástica artística, Marcos Goto foi absolvido nesta sexta-feira pelo Conselho de Ética do Comitê Olímpico do Brasil (COB) da acusação de ter conhecimento de abusos sexuais praticados pelo técnico Fernando de Carvalho Lopes, que integrou o time nacional entre 2014 e 2016. A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) também foi considerada inocente.
O caso foi o primeiro a ser julgado pelo órgão, criado em 23 de março deste ano. Nenhuma testemunha ouvida pelo Conselho acusou Goto de saber dos abusos. O processo foi aberto em maio, a pedido da Comissão de Atletas do COB, presidida pelo ex-judoca Tiago Camilo.
Em reportagem exibida pelo "Fantástico", da "Rede Globo", em abril, Fernando foi acusado por ginastas e ex-ginastas de abuso sexual durante o período em que o profissional era técnico do time de São Bernardo do Campo (SP).
– A CBG nunca, jamais, em tempo algum foi omissa nesse tema. A decisão pela absolvição era esperada e foi justa. Vamos aguardar as recomendações para dar cumprimento à decisão por completo, ampliando nossas atividades no setor e contribuindo para as que serão implementadas pela FIG (Federação Internacional de Ginástica) – disse Paulo Schmidt, assessor jurídico da CBG.
Um dos nomes ouvidos, que deu depoimento de forma anônima, declarou que Goto, que treina a equipe de São Caetano, para onde atletas foram após os desgastes na cidade vizinha, não apenas sabia dos crimes como fazia piada da situação. Diante do Conselho, muitos de recusaram a depor. Diego Hypolito, prata na Rio-2016 no solo, foi um deles. E foi criticado pelo órgão.
"Não obstante tenha dado entrevista em veículos de imprensa amplos e conhecidos, deliberadamente recusou-se a ser ouvido pelo Conselho de Ética, injustificadamente deixando de colaborar com procedimento ético. O que é, no todo, deplorável e condenável, até porque a inclusão de Fernando Carvalho na equipe olímpica deu-se por exclusiva escolha do atleta, conforme depoimentos gravados", afirma relatório de 22 páginas do Conselho de Ética.
Os ginastas contaram que Lopes, com frequência, pedia para ver seus órgãos genitais, com justificativa de avaliar como estava o crescimento de cada um, tocava nas partes íntimas dos jovens durante e após os treinamentos e os seguia na hora de tomar banho.
Fernando foi afastado da Seleção em julho de 2016, um mês depois as famílias de dois menores de idade procurarem o Ministério Público para denunciá-lo. Ele sempre negou as acusações.
- Matéria
- Mais Notícias


















