Coluna do Bichara: a alegria de um freio em chamas, no GP da Austrália
A F1 chegou a down under pronta para assistir a mais um passeio do holandês voador. Mas não foi bem assim.

Não bastasse a confusão na Red Bull, Max Verstappen chegou à Austrália vendo ressurgir contra ele denúncias de evasão fiscal. O piloto, que vive em Mônaco por razões tributárias (assim como outros 8 dos 20 pilotos que compõem o grid), foi acusado por políticos holandeses do não pagamento de tributos em valor aproximado de 200 milhões de Euros. A acusação, todavia, parece frívola, eis que Verstappen optou pela residência fiscal em Mônaco, jogando de acordo com as regras.
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O final de semana começou com uma batida forte de Alex Albon, que destruiu seu Williams. Enfrentando uma severa crise financeira há algum tempo, a equipe inglesa não tinha carro reserva. James Vowles, chefe da escuderia tomou uma decisão corajosa: cedeu o carro do 2º piloto, Logan Sargeant, para Albon. Claro que os lacradores de plantão ficaram de mimimi, com peninha do piloto americano. Acontece que enquanto Albon terminou o ano passado com 27 pontos, seu companheiro conquistou um único e solitário ponto. Logo, dura mas acertada a decisão da Williams de dar o segundo carro para Albon, e deixar Sargeant a pé.
No treino de sábado, Verstappen garantiu a pole, seguido por Carlos Sainz e Sergio Perez. Mas o mexicano foi punido e forçado a largar em 5º, deixando Lando Norris e Charles Leclerc dividirem a 2ª fila.
Verstappen largou na frente, mas já na 2a volta foi ultrapassado por Sainz, no que parecia um milagre. Ato contínuo, o holandês começou a reclamar que o carro saía de traseira e foi então que, para a alegria mundial, viu-se uma fumaça saindo de sua Red Bull (festa igual por fumaça só na praça São Pedro, quando a branca informa que se escolheu um novo Papa). Logo depois, vimos seu freio traseiro direito em chamas.
Com o holandês fora, pela primeira vez desde Abril de 2022, e com Perez apenas em 6º lugar, pairava uma esperança de que a hegemonia da Red Bull - que ganhou 19 das últimas 20 provas - fosse quebrada.
Sainz então abriu alguma frente na liderança, seguido por Norris, Leclerc e pelo herói local Oscar Piastri. Já as Mercedes não vinham bem, e Lewis Hamilton quebrou na volta 17, provocando a entrada do virtual safety car. Enquanto isso Leclerc passou Norris "no box", preparando a dobradinha da Ferrari.
Já Perez, pagando aquele mico tradicional, mesmo com seu canhão Red Bull não saía da 7º posição – a despeito das 4 zonas de DRS da pista australiana. No final, com muito custo, conseguiu chegar em 5º. Parafraseando Millôr Fernandes, Perez é um piloto que tem um grande passado pela frente.
Resta-nos torcer para que no ano que vem o mexicano seja "promovido para o mercado', e que tenhamos sangue novo na Red Bull. Aliás, não quero ser acusado de etarismo, mas tem uma turma hoje no grid que já podia se mudar para o retiro dos artistas. Por que manter figuras como Perez, Valteri Bottas, Nico Hulkemberg, Daniel Ricciardo etc? É uma turma que já deu. Tanto sangue novo por aí…
A corrida se estabilizou com as Ferrari sendo seguidas pelas McLaren, e ficou sem muita emoção até a última volta, quando George Russel bateu e quase capotou no meio da pista. Quem se alegrou com o acidente foi a Haas, que pontuou com os seus 2 carros, fato raro.

Ao final da prova, Sainz - que está de aviso prévio e sem apêndice - cantou a música tema de suas vitórias, Smooth Operator, um pouco antes de ser entrevistado por Gunter Steiner, a zebra do carisma, que, demitido da Haas, agora exibe sua verve como comentarista de TV. Nas provas anteriores, em países muçulmanos, tivemos água com gás no pódio, e o tedioso hino austríaco. Dessa vez, champanhe e os belos acordes do Frateli D'italia. Prefiro essa combinação.
P.S. - Após um ano afastado das pistas, Felipe Drugovich anunciou sua participação na European Le Mans Series. Não sei se a notícia é boa ou ruim. Será que com esse movimento o brasileiro não se distancia ainda mais da Fórmula 1? No ano que vem, a se confirmar a tese de que Alonso é cobiçado pela Mercedes, pode haver uma vaga no cockpit da Aston Martin, e ele, como atual piloto reserva, deveria ter alguma chance.

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