Assembléia Geral COB

Paulo Wanderley, presidente do COB, não votou no pleito sobre o novo estatuto, mas teria poder de decisão em caso de empate, o que ficou perto de acontecer (Crédito: Rafael Bello/COB)

Jonas Moura
22/11/2017
14:41
Rio de Janeiro (RJ)

Os atletas terão maior peso nas deliberações do Comitê Olímpico do Brasil (COB) a partir desta quarta-feira, mas longe do que gostariam. A Assembleia Geral Extraordinária aprovou, no Rio de Janeiro, o novo estatuto, que amplia o número de esportistas nas votações do conselho, como o pleito para eleger o presidente, mas em quantidade aquém da desejada e proposta por uma Comissão Estatuinte designada para reformar o regulamento.

Por 15 votos a 14, os cartolas barraram uma das principais medidas, que era a ampliação da participação dos atletas de apenas um voto (do presidente da Comissão de Atletas) para 12 (o que equivale a um terço do universo de votantes). No texto aprovado, serão apenas cinco (os mais votados dos 15 integrantes eleitos para a Comissão de Atletas). Mas o evento foi marcado por uma polêmica.

Na verdade, 15 membros foram favoráveis ao aumento para 12, mas Eduardo Silveira Mufarej, presidente da Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu), se retirou da Assembleia porque tinha uma viagem marcada para São Paulo. Ele anunciou sua posição aos presentes, mas a escolha acabou invalidada pela maioria. O presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), Alaor Azevedo, foi quem propôs a impugnação do voto do dirigente do rúgbi.

– Coloquei minha opinião e fui mal interpretado. Eles foram contra nossa maior participação. Acharam que seria muito. Foi uma perda grande para a nossa classe – afirmou o judoca Tiago Camilo, presidente da Comissão de Atletas e da Comissão Estatuinte, claramente contrariado com o resultado.

Se houvesse empate, o presidente do COB, Paulo Wanderley, daria a palavra final. Ele não quis revelar de que lado estaria se isso acontecesse.

A questão sobre participação de atletas foi o único ponto que sofreu mudanças em relação à proposta da Comissão Estatuinte. O COB terá um Conselho de Administração, que dará lugar ao Conselho Executivo, e um Conselho Fiscal, ambos independentes. Se antes os membros eram indicados pelo presidente, agora deverão ser eleitos. O mesmo vale para o Conselho de Ética, que não existia.

Além disso, qualquer brasileiro maior de 18 anos poderá se candidatar à presidência da entidade, contanto que tenha indicação de ao menos três membros da Assembleia.

A Comissão Estatuinte teve, além de Tiago, os presidentes José Antônio Martins Fernandes (da Confederação Brasileira de Atletismo), Marco Aurélio Sá Ribeiro (da Confederação Brasileira de Vela) e Ricardo Pacheco Machado (da Confederação Brasileira de Esgrima). Todos saíram do COB frustrados.

– Achei ruim. Fico frustrado. Não era o que a sociedade esperava. O argumento deles foi de que subiu 500%, pois saiu de um para cinco, e que isso era o suficiente. Por outro lado, houve vários avanços no estatuto. Há mudanças, com maior transparência e evolução. Poderia ter havido mais. Trazer um maior número de atletas seria simbólico para a sociedade – lamentou Marco Aurélio.

Questionado sobre a impugnação do voto do dirigente do rúgbi, Paulo Wanderley afirmou que a medida atendeu às bases legais.

– É uma questão legal. Não vale a minha opinião ou de quem quer que seja. No Senado, funciona da mesma maneira – declarou o presidente do COB, que assumiu o cargo na condição de vice, após a renúncia de Carlos Arthur Nuzman, suspeito de ter participação decisiva em um esquema de compra de votos para eleger o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Ao todo, 30 entidades tiveram direito a voto na Assembleia. Apenas a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) não enviaram representantes.

A sugestão de restringir a participação dos atletas a apenas cinco nomes foi feita por Durval Balen, presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE).

Saiba quem são os presidentes das confederações que votaram ou tiveram representantes a favor de apenas cinco atletas na Assembleia Geral, e não 12

Mauro Silva (Confederação Brasileira de Boxe), João Tomasini (Confederação Brasileira de Canoagem), Manoel Oliveira (Confederação Brasileira de Handebol), Luciene Resende (Confederação Brasileira de Ginástica), Enrique Montero (Confederação Brasileira de Levantamento de Peso), Helio Meirelles Cardoso (Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno), Edson Altino Pereira Junior (Confederação Brasileira de Remo), José Luiz Vasconcellos (Confederação Brasileira de Ciclismo), Alberto Maciel Junior (Confederação Brasileira de Taekwondo), Alaor Azevedo (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa), Durval Balen (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo), Vicente Fernando Blumenschein (Confederação Brasileira de Tiro com Arco), Walter Pitombo Larangeiras (Confederação Brasileira de Vôlei), Rafael Westrupp (Confederação Brasileira de Tênis) e Pedro Gama Filho (Confederação Brasileira de Wrestling).

Saiba quem foi favorável ao número de 12 atletas com poder na Assembleia

Ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman, que vota por ser membro do COI, o judoca Tiago Camilo (presidente da Comissão de Atletas do COB), José Antônio Martins Fernandes (Confederação Brasileira de Atletismo), Marco Aurélio Sá Ribeiro (Confederação Brasileira de Vela), Ricardo Pacheco Machado (Confederação Brasileira de Esgrima), Eduardo Silveira Mufarej (Confederação Brasileira de Rúgbi), Miguel Cagnoni (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), Estefano Arnhold (Confederação Brasileira de Desportos na Neve), Ronaldo Filho, (Confederação Brasileira de Hipismo), Sílvio Acácio Borges (Confederação Brasileira de Judô), Marco Antônio de Matos (Confederação Brasileira de Triatlo), Guy Peixoto (Confederação Brasileira de Basquete), Francisco Ferraz de Carvalho (Confederação Brasileira de Badminton), Bruno Patrício (Confederação Brasileira de Hóquei sobre a Grama)  e Euclides Gusi (Confederação Brasileira de Golfe).