Nans Peters

Nans Peters abre distância para Zakarin (de laranja, ao fundo) e parte para a vitória na etapa 8 do Tour (AFP)

LANCE!
05/09/2020
17:12
Paris (FRA)

A oitava etapa do Tour de France, realizada neste sábado entre Garonne e Loundevielle (140km) terminou com a vitória de um ciclista da fuga, o francês Nans Peters, da equipe Ag2R. Numa etapa complicada, por causa do forte vento e duas subidas duríssimas antes da chegada em plano, Peters construiu uma estratégia muito eficaz. Depois de se manter no grupo que se desgarrou do pelotão principal durante a prova, ele aproveitou a descida entre a primeira e segunda montanhas finais para abrir frente em cima dos três ciclistas que ainda o perseguiam. Depois, conseguiu manter 30s de vantagem após a escalada da montanha final e usou da sua qualidade em descida para não enfrentar concorrência nos 5km finais. Assim, pela primeira vez, venceu uma etapa do tour.

Seu tempo foi de 4h02m12s, 47 segundos de frente para Toms Skujins, ciclista da Letônia que defende a equipe Trek, e para o espanhol Carlos Vernoa (Movistar). O melhor ciclista russo, Ilnur Zakarin (CCC) acompanhou o vencedor da etapa até os quilômetros finais, mas perdeu resistência e chegou em quarto. Nenhum dos ciclistas do Top4 desta etapa de sábado estão na briga pelo título geral (camisa amarela).

Do grupo que briga pelo título, o destaque ficou com o esloveno Tadej Pogacar, da Emirates. Ele se manteve no pelotão principal até o início da última montanha, quando fez um ataque e desgarrou-se do grupo e fechou a etapa com 4h08m12s. Embora tenha terminado a seis minutos do vencedor, Pogacar ficou 40 segundos à frente do pelotão principal e, com isso, tirou grande parte da desvantagem para os líderes da classificação geral (está a 48s do Top1).

Na ponta, quase todos os favoritos chegaram em bloco e não teve mudança no Top3. Adam Yates segue em primeiro, agora com o tempo somado de 34h44m52s. Ele está três segundos à frente de Primoz Roglic (esloveno da Jumbo) e nove do francês Guillaume Martin (Cofidis). A seguir vem o francês Romain Bardet (AG2R, 11s do líder) e um quarteto de colombianos a 13s: Egan Bernal (da Ineos, atual campeão do Tour), Nairo Quintana (Arkea), Miguel Angel López (Astana) e Rigoberto Uran (EF).

Na briga da camisa verde (disputa por pontos), os velocistas ficaram todos muito longe dos líderes, lutando apenas para completar a etapa, se resguardando para os próximos desafios. Todos chegaram de 25 a 35 minutos atrás do líder. O eslovaco Peter Sagan (Bora) segue na frente com 138 pontos, contra 131 do irlandês Sam Bennet (Quick Step).


Franceses: no cravo e na ferradura

Os franceses tiveram momentos de alegria e de decepção na prova. A maior tristeza foi a péssima performance daquele que é (ou era) o bem mais cotado para acabar com o jejum de 35 anos sem vitória de um ciclista do país no tour: Thibaut Pinot. Sentindo uma lesão muscular, ele, mesmo com toda a ajuda dos seus companheiros da AG2s (poupando-o de pegar o vento), completou na posição 64 e agora está 18 minutos atrás do líder Yates.


A outra decepção era esperada. Vice-campeão em 2019 (numa tremenda zebra) Julian Alaphilippe - que foi o lider do Tor de France-2020 entre as etapas 2 e 4 - sempre disse que estava edição 2020 para ganhar etapas e não para ser o campeão. Neste sábado, ele até que se segurou no pelotão da camisa amarela. Porém após tentar um ataque na penúltima subida, cansou e chegou quase 12 minutos atrás do pelotão dos líderes. Com o tempo que perdeu, está praticamente alijado da briga pelo título.


A boa notícia é que Romain Bardet mais uma vez se posicionou bem e ocupa o quarto lugar geral. E Guillaume Martin se manteve no Top3. Os dois ciclistas começam a ser visto com outros olhos pelos rivais e enchem de esperança a torcida francesa, que não vê um compatriota levar o tour desde 1985, quando Bernard Hinault levantou o troféu.

Etapa deste domingo

A nona  etapa do Tour de France será realizada hoje, entre Pau e Laruns, de 153km. com uma montanha duríssima em (inclinação de 8,5%) na metade do percurso e outras três montanhas menores no fim, é típica para um ciclista da fuga levar a melhor e totalmente desfavorável para os velocistas. Como a prova fecha a primeira semana, é provável que nenhum favorito opte em partir com a fuga, preferindo monitorar os seus principais rivais pela camisa amarela.