Luciano Cabral, presidente da CBDU

Luciano Cabral durante a cerimônia de abertura da Fase Final do JUBs, em Maringá (Foto: Kaizen Filmes)

Jonas Moura*
07/11/2018
07:00
Enviado Especial a Maringá (PR)

Presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e forte defensor da maior aproximação entre esporte e ensino superior, Luciano Cabral celebra a recuperação de verbas para sua área, mas não se mostra totalmente satisfeito com as perdas que sofreu nos últimos meses. O ex-judoca diz que o montante não é suficiente para o trabalho realizado hoje pela entidade e promete recolocar o tema no centro dos debates em Brasília.

Ele tinha a ambição de aumentar a fatia de dinheiro público das loterias no esporte universitário nos últimos anos. Em 2018, chegou a ver o plano frustrado, uma vez que a torneira se fecharia por completo com a polêmica Medida Provisória 841, editada pelo presidente Michel Temer. No momento, o setor vive indefinições, mas se o Congresso aprovar até 28 de novembro a MP 846, que resgatou as perdas causadas pelo texto anterior, o cenário melhora.

O dirigente quer se aproximar do novo Congresso e da base do presidente eleito Jair Bolsonaro em 2019. A grande perda é o percentual que a CBDU recebia do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), por meio da Lei Agnelo-Piva.

– Nós fomos para um cenário muito ruim, que era a perda de todos os recursos. Naquela confusão, recuperamos o acesso à verba, de forma direta. Mas existe uma conta nesse meio. Há um teto de gastos com recursos administrativos de 20%. Nós tínhamos, pela lei anterior, direito a 5% do que ia para o COB (Comitê Olímpico do Brasil), 5% do que ia para o CPB e 5% para o CBC (Comitê Brasileiro de Cubes). Na nova lei, só temos a parte do CBC e do COB. Perdemos a fatia do CPB. Isso gera impacto no total e no administrativo, que passa a ser 20% de menos, com a obrigação de gerir os recursos diretamente – disse Luciano, que participa nesta semana da Fase Final dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em Maringá (PR), ao LANCE!.

Para a CBDU, era mais cômodo utilizar os recursos que vinham do COB, fazer a prestação de contas e encaminhá-la para a entidade máxima do esporte olímpico no país, que também dava seu parecer. Havia, nas palavras de Cabral, uma gestão a quatro mãos. Agora, o repasse do governo passou a ser direto, o que exige maior responsabilidade de sua confederação, e maiores despesas.

– Vamos ter de estruturar melhor a equipe, com menos dinheiro. Mas foi um ganho diante da derrota que teríamos. Vamos esperar o cenário do país, como tudo vai se reposicionar com o novo governo, para voltarmos a discutir isso na Câmara – declarou Luciano.

O JUBs, que reúne cerca de 4 mil atletas universitários, é um dos principais focos da CBDU. Neste ano, o custo da competição para a entidade é estimado em R$ 6 milhões. Outros R$ 3 milhões serão desembolsados pela prefeitura de Maringá.

A perspectiva é de que a confederação consiga arrecadar R$ 13 milhões em 2019 pela Lei Agnelo-Piva, R$ 2 milhões a mais do que em 2017. O ano que vem terá ainda a Universíade, que deve consumir cerca de R$ 5 milhões. Um bom diálogo no Congresso é fundamental para viabilizar a ida do Brasil.

– Não é só uma questão de recursos. Precisamos de uma legislação, para que as universidades invistam efetivamente em equipamentos – diz Luciano.

Otimismo com nome forte na fusão de ministérios 

A fusão dos Ministérios do Esporte, da Cultura e da Educação já é tratada como certa nos bastidores. Os dois primeiros serão "rebaixados" a secretarias dentro da pasta que terá o terceiro item como maior destaque. Segundo Luciano, há otimismo em relação ao nome do futuro secretário do esporte. A equipe de Bolsonaro já discute candidatos que tenham ligação com a área.

- É muito ruim (a fusão). Temos um Ministério que atende só às demandas do esporte, com as atenções voltadas ao setor para ouvir e dialogar. Ao passar para dentro da educação, haverá outras demandas. O Ministro da Educação tem diversos problemas para resolver. Mas já esperávamos por este cenário. O que temos solicitado é que, pelo menos, o Ministério tenha um gestor de esporte que seja uma pessoa ligada à área, e que os programas atuais sejam mantidos, como Lei de Incentivo, Lei Agnelo-Piva e Bolsa Atleta, senão perderíamos tudo o que foi construído nos últimos anos. Estamos confiantes nesse sentido – afirmou o presidente da CBDU.