Candidatos na eleição da CBDA já mantiveram ligação com Coaracy
Cyro Delgado, Miguel Cagnoni e Jefferson Borges tentam se desvincular da imagem do ex-presidente, preso em Bangu 8, mas estiveram próximos do cartola nas últimas décadas

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Os três candidatos à presidência da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que faz nesta sexta-feira uma eleição direta pela primeira vez em quase 30 anos, tentam se desvincular da imagem de Coaracy Nunes, preso em Bangu 8, no Rio de Janeiro, suspeito de participar de um esquema que desviou R$ 40 milhões. Mas a postura atual contrasta com a relação próxima que mantiveram com o dirigente nas últimas décadas.
Cyro Delgado, de 56 anos, foi bronze no revezamento 4x200m livre em Moscou-1980. Até ano passado, era subsecretário de Esporte no Governo do Rio. E seu nome constava como membro do Conselho Fiscal na chapa de Sérgio Silva, que seria candidato de Coaracy à sucessão, mas desistiu da disputa. Ele agora lidera a "Chapa Cara Nova".
– O continuísmo dos gestores me incomoda muito. Minha experiencia de atleta e de gestor no setor público e no privado é meu diferencial – disse Delgado, ao LANCE!.
Miguel Cagnoni, de 72 anos, é empresário formado em Direito, foi atleta de polo aquático e presidiu a Federação Aquática Paulista por 22 anos. No período, esteve próximo de Ricardo de Moura, um dos diretores de Coaracy, também preso, e que seria seu sucessor. Nos bastidores, já cogitou-se até uma união entre Miguel e Ricardo, antes dos escândalos da entidade estourarem.
Aos poucos, Cagnoni se consolidou como principal voz da oposição e é o favorito no pleito, pois detém maior número de apoio de federações (nove) e de nadadores como Cesar Cielo e Poliana Okimoto. O dirigente encabeça a "Chapa Inovação e Transparência". Sua relação com Coaracy hoje é de acusações e disputas judiciais.
– Farei gestão voltada para a base sem descuidar de alto rendimento. Quero encher as piscinas do Brasil inteiro – afirmou Cagnoni, que classificou a administração de Nunes como "não muito competente".
Jefferson Borges, de 43 anos, é árbitro do quadro da Fina, empresário e presidente há oito anos da Federação Aquática de Mato Grosso do Sul, período em que manteve forte apoio a Coaracy. A "Chapa Novos Rumos", liderada por ele, entrou na disputa na última hora, após divergências com a de Sérgio Silva, da qual fazia parte. Mas o dirigente nega ser um candidato da situação.
– Eu me vejo como um candidato que quer fazer a diferença. Após a eleição, é preciso tirar de cada um as melhores ideias – diz Borges.

Coaracy assumiu a presidência da CBDA em 1988 e foi reeleito seis vezes (1992, 1996, 2000, 2004, 2009 e 2013) por aclamação.
Candidatos divergem sobre eventual pena, e CBDA mantém eleição
A possibilidade de assumir a CBDA e lidar com uma suspensão ou exclusão do país de competições da Federação Internacional (Fina), conforme o LANCE! revelou na quinta-feira, foi vista de formas diferentes pelos três candidatos às vésperas da eleição.
– Acho que a possibilidade é remota. Não se trata do mesmo que ocorreu com o México ou com a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) – afirmou ao LANCE! Miguel Cagnoni, para quem a questão da Fina é mais política.
– Acredito que esse é o tipo de notícia que surge perto de uma eleição, para tumultuar – completou.
Jefferson Borges mostrou-se preocupado com a possibilidade de os brasileiros não competirem com a bandeira nacional, sobretudo pela proximidade do Mundial da Hungria.
– A Fina está analisando, pois há interferência judicial na CBDA. Não está descartada punição. Eu, como árbitro internacional, vejo com preocupação. Temos um Mundial logo ali, e um Mundial Junior em seguida. Espero que os brasileiros representem o país – afirmou.
– Sou a favor de ter a eleição, mas existe uma hierarquia, e me preocupa como vai acontecer para dentro. Tudo isso faz um imbróglio e só prejudica o atleta – falou Cyro Delgado.
Em coletiva, o ex-nadador Ricardo Prado, coordenador geral de esportes da CBDA, garantiu ontem que a eleição está garantida, mesmo diante do comunicado da Fina para o interventor Gustavo Licks.
– A eleição continua normalmente. Nós entendemos que isso não será um grande problema. Fica a cargo do novo presidente resolver essa situação – afirmou Ricardo.
SAIBA O QUE PENSAM OS CANDIDATOS
BATE-BOLA
Cyro Delgado Chapa Cara Nova
'Farei um Raio X de onde está indo o dinheiro assim que eu for eleito'
Qual será sua primeira medida se for eleito e como lidará com a crise financeira na entidade?
Primeiro, ao colocar os pés na CBDA, é contratar uma auditoria externa. Conversei com Ernst Young e FGV, para trabalharem em um projeto para fazer um Raio X, de onde está indo o dinheiro e quais são os contratos.
Você se considera situação ou oposição da gestão Coaracy?
Se eu tivesse sido nomeado alguma vez, trabalhado para a CBDA ou ganhado um centavo, poderia ser chamado de situação. Para mim, as outras chapas é que são da situação. O Miguel ficou 22 anos na Federação Paulista e o Cyro era da que desistiu.
BATE-BOLA
Miguel Cagnoni Chapa Inovação e Transparência
'A primeira ação é estabelecer que houve uma mudança de gestão,'
Qual será sua primeira medida se for eleito e como lidará com a crise financeira na entidade?
A primeira ação é estabelecer claramente que houve uma mudança de gestão, que as contas do Miguel começaram, e por elas me orientarei. A partir de 9 de junho, a gestão é minha, não do interventor, e antes era a de outro grupo. Quero estabelecer essa clareza de contas. Houve um problema de gestão não muito competente no que diz respeito aos recursos. Com a organização da estrutura funcional, talvez o panorama não seja tão nebuloso.
Você se considera situação ou oposição da gestão Coaracy?
A participação das outras chapas é como situação. Teve o Sérgio, depois entrou o Jefferson, árbitro da Fina e que faz trabalho remunerado para a CBDA. E o Cyro faz parte, pois era do Conselho Fiscal da chapa do Sérgio. Representam o mesmo modelo da gestão anterior, do Coaracy.
BATE-BOLA
Jefferson Borges Chapa Novos Rumos
'Primeiro, é fazer uma integração entre esportes e a comunidade'
Qual será sua primeira medida se for eleito e como lidará com a crise financeira na entidade?
Primeiro é fazer uma integração entre esportes e comunidade aquática. Todos têm de ser ouvidos. Vou montar um conselho administrativo, para um gerenciamento amplo, não só direcionado ao presidente.
Você se considera situação ou oposição da gestão Coaracy?
Todos os candidatos tiveram ligação com o Coaracy. Miguel, na de São Paulo, Cyro, na chapa que desistiu. Todos têm de se colocar e fazer uma união. Espero e acredito que podemos fazer uma mudança de postura em relação ao passado.
A ELEIÇÃO
Como ficou
Serão 97 votos para a escolha do próximo presidente: 69 clubes, 27 federações estaduais e o representante da comissão de atletas, o nadador Leonardo de Deus. Os votos terão mesmo peso, por decisão judicial.
Mais participação
Também por decisão judicial, o pleito a partir de agora seguirá a Lei Pelé, que dá direito a voto aos clubes filiados que participaram dos últimos campeonatos nacionais nas cinco modalidades aquáticas.
Adiamento
A definição do novo presidente da CBDA deveria ter acontecido no dia 18 de março. A justiça anulou a então Comissão de Atletas, já que Thiago Pereira não havia sido eleito pelos próprios esportistas.
Pendência
Cyro Delgado entrou com ação pedindo que os todos os atletas que disputaram competições nos últimos anos tivessem direito a voto, não apenas o presidente da Comissão. Não houve resposta até agora.
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