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Onde o Brasil se concentrou em todas as Copas do Mundo

Da era sem "base camp" à logística moderna dos Mundiais.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 20/02/2026
07:32
Seleção Brasileira Sub-20 treinará na Granja Comary (Foto: Divulgação/CBF)
imagem cameraDelegação do Brasil em concentração: a “casa” da Seleção virou parte da estratégia em Copas. (Foto: Divulgação/CBF)

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A história das sedes de concentração do Brasil nas Copas do Mundo evoluiu, começando com cidades sem base fixa nas primeiras edições.
A partir de 1994, a Seleção adotou bases definidas para privacidade e treinamento estratégico.
Cada Copa trouxe uma nova abordagem em relação ao 'quartel-general', como o Hotel Paineiras em 1950 e a Granja Comary em 2014.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A história das sedes de concentração do Brasil nas Copas do Mundo não é linear. Nas primeiras edições, quase não existia a ideia de "quartel-general" fixo com hotel e campo de treinos definidos, como ocorre hoje. O que as fontes registram com mais consistência, até meados do século, são cidades de chegada, deslocamentos e os estádios dos jogos — e não o endereço do hotel. O Lance! lista onde o Brasil se concentrou em todas as Copas do Mundo.

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A partir da profissionalização total do futebol e do crescimento da cobertura jornalística, a Seleção passa a tratar a base como parte do planejamento: privacidade, controle de acesso, gramados para treinar, deslocamentos mais curtos e, em alguns casos, altitude e clima como fatores decisivos.

Por isso, em algumas Copas antigas dá para afirmar com segurança apenas a cidade/região. Em outras, especialmente de 1994 em diante, já aparecem com clareza a cidade-base e, frequentemente, o hotel/centro escolhido.

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Abaixo, organizo a linha do tempo de forma prática — e, quando houver lacuna real, eu indico a lacuna (em vez de "chutar" um hotel).

Onde o Brasil se concentrou em todas as Copas do Mundo

1930 a 1954: quando a "concentração" era só estar na cidade do jogo

Em 1930 (Uruguai), o Brasil ficou em Montevidéu, e como os jogos foram na capital, a delegação treinava em campos locais. O problema é que as fontes gerais do torneio raramente registram o nome do hotel do Brasil — fica a cidade como referência.

Em 1934 (Itália), a campanha foi marcada pela logística precária e a narrativa histórica concentra-se na travessia de navio e na preparação improvisada. O que se consegue reconstruir com alguma segurança é a passagem por Roma/região, mas sem um hotel/CT oficial claramente documentado.

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Em 1938 (França), as referências seguem o mesmo padrão: as cidades dos jogos aparecem com nitidez, mas não existe, nas fontes mais populares, um "base camp" único com nome e endereço. O Brasil se desloca conforme a rota do torneio, e a documentação não padroniza o quartel-general.

Em 1950 (Brasil), a discussão muda de figura porque a Copa é em casa. Aqui, a preparação prévia em Araxá (MG) aparece como marco de concentração e treino. No Rio, o Hotel Paineiras (Corcovado) é lembrado como local tradicional de concentração da Seleção naquele ciclo, embora o Mundial tenha se espalhado por várias cidades do país.

Em 1954 (Suíça), volta a dificuldade: há relatos de deslocamentos entre cidades-sede, mas não aparece com força, em fontes abertas consolidadas, um hotel/CT fixo do Brasil. De novo, o que sobra com mais segurança é o roteiro esportivo, não o endereço da base.

1958 a 1978: a base começa a aparecer — mas nem sempre com "nome e sobrenome"

Em 1958 (Suécia), já existe um dado bastante consistente: a Seleção se concentra em Hindås, um vilarejo próximo a Gotemburgo. A campanha que rende o primeiro título do Brasil também entra para a história pelo caráter "retiro", mais reservado e controlado.

Em 1962 (Chile), as fontes costumam separar pré-Copa e Copa. No Brasil, aparecem estágios em Campos do Jordão (SP), depois Nova Friburgo (RJ) e Serra Negra (SP) (com menção ao Grande Hotel Pavani na reta final). Já no Chile, a concentração é associada a Viña del Mar, onde o Brasil faz parte dos jogos iniciais — mas nem sempre o nome do hotel é padronizado.

Em 1966 (Inglaterra), a campanha é lembrada por críticas de preparação e confusão logística, mas o nome do hotel/CT não surge de forma robusta nas fontes gerais. O resultado prático é semelhante a 1930–54: fica mais fácil reconstituir "onde jogou" do que "onde morou".

Em 1970 (México), o material é mais rico. A base da Seleção se conecta fortemente a Guadalajara — não só pelos jogos iniciais, mas pela estrutura de treinos e rotina. Além disso, o planejamento incluiu fase de aclimatação/treino em altitude em Guanajuato, o que virou parte do mito científico daquele time.

Em 1974 (Alemanha Ocidental) e 1978 (Argentina), volta o padrão de lacuna: as fontes priorizam jogos, contexto e bastidores esportivos, mas não trazem um "camp base" com nome inequívoco para o Brasil durante toda a Copa. Em termos práticos, o máximo seguro costuma ser a lógica de deslocamentos e cidades de partida.

1982 a 1998: a "casa do Brasil" vira elemento de identidade

Em 1982 (Espanha), há um quartel-general muito citado: o Parador de Carmona, próximo a Sevilha. A base ganha valor simbólico: conforto, privacidade e uma rotina quase "militar" de concentração, frequentemente apontada em crônicas e memórias do elenco.

Em 1986 (México), reaparece a referência ampla a Guadalajara/região, com relatos de que o Brasil ficou fora do centro urbano, mas nem sempre com o nome do local fechado em fontes abertas fortes. Ainda assim, a ideia de "base" já existe, mesmo quando o endereço exato se perde.

Em 1990 (Itália), o que se encontra com mais consistência é o deslocamento de planejamento para Turim, cidade em que a Seleção atua. Sobre o hotel, muitos textos falam do excesso de circulação e da "passarela" de visitantes, mas sem fixar o nome do estabelecimento.

Em 1994 (Estados Unidos), a base ganha clareza total: Los Gatos (Califórnia) aparece em reportagens como o "home base" brasileiro, escolhida pela promessa de isolamento e controle de acesso. A Copa de 1994 é um divisor de águas: a base vira item de estratégia tanto quanto a escalação.

Em 1998 (França), a concentração é associada ao Château de Grande Romaine, em Lésigny (região de Paris), citado repetidamente em materiais sobre a campanha — inclusive por causa do episódio envolvendo Ronaldo antes da final.

2002 a 2022: a era do "base camp" oficial (hotel + centro de treino)

A partir dos anos 2000, a documentação pública melhora e a FIFA passa a tratar "team base camps" como parte oficial da operação do torneio. Ainda assim, em 2002 (Coreia do Sul/Japão), a informação sobre a base do Brasil não aparece tão padronizada em fontes abertas gerais quanto nas Copas mais recentes — o que explica por que listas "fechadas" às vezes divergem.

A concentração da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2006 foi realizada em Weggis (Suíça) e posteriormente na Alemanha, tendo sido marcada por um ambiente de "festa", com alta exposição midiática, treinos abertos e presença de celebridades, o que gerou críticas sobre a falta de foco e organização da equipe antes do torneio.

Em 2010 (África do Sul), já existe uma lógica moderna de base: hotel, treino e deslocamento planejados para reduzir desgaste. O local escolhido para uma parte dos treinos foi Hoërskool Randburg, uma escola de ensino médio localizada em Joanesburgo. Inicialmente, o plano era usar a Universidade Wits, mas a comissão técnica de Dunga optou pela escola para garantir mais privacidade, utilizando campos adaptados para o futebol.

Em 2014 (Brasil), a Seleção volta a ter uma base com forte presença simbólica: a Granja Comary, em Teresópolis (RJ), vira o centro de treinos e concentração durante o Mundial em casa — um "quartel-general" também midiático.

Em 2018 (Rússia), a lógica é completamente formalizada: a FIFA lista os team base camps das seleções, com hotel e centro de treinamento. A equipe de Tite ficou na cidade litorânea de Sochi, hospedada no luxuoso Swissôtel Sochi Kamelia, localizado a apenas 5 minutos do local de treinamentos, o estádio Slava Metreveli.

Em 2022 (Catar), o modelo se repete: o torneio trabalha com base camps definidos e divulgados, com hotel e local de treino. A delegação do Brasil ficou instalada no Westin Doha Hotel & Spa. O hotel de luxo contava com quatro piscinas, amplas áreas de lazer e foi reservado estrategicamente para garantir a privacidade e o bem-estar dos jogadores. Os treinamentos foram realizados no Estádio Grand Hamad. O local é a casa do clube Al-Arabi e passou por adaptações personalizadas com as cores e símbolos da CBF para receber a equipe.

Por que existem lacunas nas Copas antigas

Há três razões principais para esses "buracos" de informação:

  1. Padronização inexistente: até a era moderna, não havia obrigação (nem interesse operacional) de divulgar "hotel X, campo Y" como item oficial.
  2. Fontes com foco diferente: registros históricos privilegiam jogos, resultados, elenco, política e bastidores — não logística.
  3. Mudança de rotina: muitas delegações se deslocavam mais e "concentravam" conforme o calendário, o que dificulta apontar uma única base.
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