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De zagueiro a atacante: a trajetória única de Carlos Vinícius, artilheiro do Grêmio

Fase iluminada contrasta com começo de carreira desafiador

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Pedro Werneck
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 07/02/2026
06:55
Carlos Vinícius cruza os braços em comemoração de um de seus três gols contra o Botafogo (Foto: Maxi Franzoi / Agif / Gazeta Press)
imagem cameraCarlos Vinícius cruza os braços em comemoração de um de seus três gols contra o Botafogo (Foto: Maxi Franzoi / Agif / Gazeta Press)

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Os três gols diante do Botafogo só reforçaram o momento espetacular de Carlos Vinícius, atacante do Grêmio. Balançar as redes é rotina desde que vestiu a camisa tricolor. Bem diferente, porém, do seu início de carreira. Até o último ano das categorias de base, o hoje artilheiro jogava na zaga. O responsável por essa mudança inusitada de posição foi o técnico Marcos Valadares, que contou detalhes de sua "descoberta" ao Lance!.

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Veja os três gols de Carlos Vinícius na vitória por 5 a 3 do Grêmio sobre o Botafogo:

A mudança de posição que reescreveu uma história

Aos 19 anos, em 2014, o então defensor foi dispensado da base do Santos. Acertou, então, com o rival Palmeiras. Quando o novo técnico assumiu a equipe sub-20 alviverde, no início do ano seguinte, era uma das últimas opções entre os zagueiros. Por outro lado, a vaga de centroavante estava aberta, pois ninguém tinha conseguido se firmar desde a promoção de Gabriel Jesus ao time principal.

Foi neste cenário que Marcos Valadares observou a possibilidade de mudança de função de Carlos Vinícius. Mas não por acaso, é claro, pois já existia naquela canhota um inerente faro de gol.

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— Como nesse período (de pré-temporada) a gente realiza muitos trabalhos de jogos reduzidos, jogadores de outras posições ficam próximos do gol, têm possibilidade de finalizar. Ele me chamou atenção nesse aspecto, teve facilidade muito grande de fazer gols. Perna esquerda, perfil físico interessante, boa batida na bola. Aí eu percebi ali uma possibilidade de mudança. Conversei com ele, expliquei a situação e, de prontidão, ele aceitou o desafio de fazer essa transição no último ano de sub-20, acreditou nisso e acabou se dando bem — contou.

Carlos Vinícius comemora com companheiros na época de base do Palmeiras (Foto: Fabio Menotti / Agência Palmeiras)
Carlos Vinícius comemora com companheiros na época de base do Palmeiras (Foto: Fabio Menotti / Agência Palmeiras)

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A missão do agora atacante era desafiadora. Em seu último ano nas categorias de base, precisava reaprender tudo. Por mais que tivesse boa finalização, nunca havia desempenhado essa função, exceto talvez na escolinha ou jogando com os amigos. Não estava acostumado, portanto, a receber a bola de costas para a defesa adversária ou fazer trabalho de pivô.

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— A reação dele foi muito positiva, ele viu ali uma última chance, pelo menos em um clube grande como o Palmeiras. Aceitou de prontidão e combinamos que ele se dedicasse bastante, porque o tempo era muito curto. O combinado foi que ele treinasse situações específicas, assistisse a vídeos de atletas da função para assimilar questões de movimentações, de posicionamento. Ele esteve muito focado nesse objetivo e conseguiu rapidamente, no próprio Palmeiras, jogar de centroavante, fazer gols, ter bom desempenho — relembrou o técnico.

Apesar da adaptação tão rápida, outras circunstâncias impediram um êxito maior no Palmeiras. Depois de desistir de uma transferência por empréstimo para um time espanhol por questões familiares, Carlos Vinícius acabou perdendo espaço no Verdão. Sem tantas oportunidades de continuidade no sub-20, logo terminou seu período na base, sem promoção aos profissionais. Passou, então, por Caldense (MG) e Grêmio Anápolis (GO) antes de chegar ao Real SC, de Portugal. Uma vez na Europa, foram oito anos vestindo camisas de clubes importantes, como Benfica e Tottenham.

O desempenho de Carlos Vinícius sem seus últimos clubes:

TimeGolsJogos

Grêmio

20

22

Fulham

8

52

Galatasaray

2

14

PSV

7

38

Benfica

24

50

Tottenham

10

22

Monaco

2

16

Era possível prever o potencial de Carlos Vinícius?

Marcos Valadares, que já foi responsável por outras mudanças de posição em passagens por categorias de base de grandes clubes, não celebra a transformação de Carlos Vinícius como conquista sua. O treinador diz que cumpriu seu papel de técnico, valorizando o esforço do tardiamente descoberto centroavante para reconstruir a carreira em nova função.

— Nossa missão de treinador, na época de base principalmente, é descobrir e potencializar talentos. A função do treinador é também essa: perceber as características que possam fazer ele desempenhar outros papéis, até porque jogar em várias posições é fundamental para o crescimento. Era difícil você cravar e ter certeza de que ele chegaria num nível tão alto assim. Isso é mérito dele, de ter batalhado, acreditado e seguido nessa busca pelo crescimento — elogiou.

É claro, porém, que o treinador se orgulha por ter contribuído com um capítulo importante na carreira de sucesso do camisa 95 do Grêmio.

— É uma sensação muito boa você poder contribuir com um atleta que está sonhando em buscar um caminho grande no futebol. A gente sabe que é muito difícil, muitos atletas que vão muito bem na categoria de base veem uma barreira grande nessa transição, são poucas vagas. Ele foi persistente e, com muito mérito, conseguiu alcançar esse alto nível — refletiu.

Carlos Vinícius aponta para o céu ao comemorar gol pelo Campeonato Gaúcho (Foto: Donaldo Hadlich / Código19 / Gazeta Press)
Carlos Vinícius aponta para o céu ao comemorar gol pelo Campeonato Gaúcho (Foto: Donaldo Hadlich / Código19 / Gazeta Press)

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E agora: Carlos Vinícius é Seleção?

Os números impressionantes do gremista no futebol brasileiro esquentaram o debate sobre uma possível chance na Seleção Brasileira. Mesmo em bons momentos na Europa, o atacante nunca chegou a ser convocado. Agora, sonha com uma vaga no elenco de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo. Ainda muito confiante em seu ex-pupilo, Valadares chegou a tratar o assunto diretamente com o artilheiro.

— Eu converso com ele de vez em quando, falei com ele esse ano na pré-temporada, elogiei, falei de Seleção. É ano de Copa do Mundo, a gente sabe como funciona, o momento é fundamental. Por que não sonhar? Tem que acreditar, responder no Grêmio com gols, como tem feito, para despertar o interesse do Ancelotti e ter oportunidade em algum amistoso, ser pelo menos testado para, quem sabe, vestir a camisa da Seleção na Copa do Mundo. Espero que ele dê continuidade a essa trajetória brilhante — concluiu o profissional, que teve como último trabalho o cargo de treinador principal do Coimbra, no qual foi campeão da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro.

Os números dos últimos centroavantes do Grêmio:

JogadorGolsAssistênciasJogos

Carlos Vinícius

20

2

22

Braithwaite

23

5

55

Luis Suárez

26

17

53

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