Montagem Landim e Abel

Rodolfo Landim e Abel Braga terão a missão de conduzir o Rubro-Negro aos títulos em 2019 (Divulgação)

Felipe David
29/12/2018
08:30
Rio de Janeiro (RJ)

Eleito o novo presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, pelos menos por ora, mostra que talvez não esteja tão certo quanto aos passos a serem dados no futebol do clube. Devaneios dessa diretoria ao optar por alguns nomes que não fazem o perfil do novo treinador revelam certa fragilidade (ou então inexperiência) sobre o planejamento para o ano que vem.

Pergunta que não quer calar: a nova direção estava pronta para a negativa de Renato Gaúcho, visto que tal nome também agradava a UniFla? Não enfatizo sequer a questão de os co-irmãos cariocas terem saído a frente na oficialização e encaminhamento de reforços. A concorrência não virá deles.

Fato mesmo é que 2019 está aí e o número de negativas dadas ao clube da Gávea é considerável: Renato (já citado), Felipe Melo, Pablo, Matías Vargas (do Vélez-ARG), além dos entraves por Gabigol, Bruno Henrique e Dedé, e as consultas por Rodrigo Caio e Miranda. Ainda é só o início. E sabe-se que Landim & Cia. precisam dar uma resposta ao torcedor. OK! Mas assusta a dificuldade em fechar as contratações ditas como pontuais pelo VP de Relações Externas, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, no sorteio dos grupos da Copa Libertadores, em Luque, no Paraguai.

Como editor das páginas de Flamengo, entre outros afins, no Diário LANCE! – indo para a minha terceira temporada –, já pude fazer inúmeras análises sobre elenco, treinadores e estilo de jogo dos times formados por Zé Ricardo passando por Reinaldo Rueda, Paulo César Carpegiani, Maurício Barbieri, Dorival Júnior até chegar a Abel Braga. E afirmo sem pestanejar: a escolha por reforços sempre deve ser pautada desde o acerto do nome do treinador.

Se em 2019 o Rubro-Negro não viverá o drama do início deste ano quando a saída de Rueda em janeiro prejudicou o planejamento, o acerto rápido de agora não pode ser desperdiçado. Abel (a primeira opção depois de Renato), é consagrado, vitorioso. Mas são estilos diferentes. Logo, a sua chegada é uma contramão a tudo o que o Flamengo apostou nos últimos anos e daria continuidade agora caso o atual técnico do Grêmio aceitasse o convite. Estou certo de que a tendência é só melhorar e, aos poucos, o novo técnico vai fazer a diferença com os reforços que chegarão juntamente com o atual elenco. O começo é que assusta.

Para um grupo que ficou marcado por parte da torcida em 2018 como “um time sem alma”, um nome como o de Felipe Melo bem que ganhou força – alguém para chacoalhar o elenco, afinal. Todavia, penso que por se tratar de um investimento alto e retorno técnico duvidoso, não seria um bom negócio. Pablo também não virá. Mas e Gabigol e a novela em torno da sua contratação?

Sinceramente não o vejo com o perfil de Flamengo tampouco com o de Abel, que, apesar de ser um gerenciador de grupos, gosta muito de um 4-4-2 com um centroavante fixo na área. Foi assim no Internacional com Fernandão e no Fluminense com Henrique Dourado – eles se reencontrarão agora no Mengo. Bom sinal? Além disso, Gabriel Barbosa não se caracteriza como um jogador de raça e entrega em campo tão costumeiras ao plantel do novo comandante.

Como já escrevi em colunas anteriores, creio em um Flamengo fortíssimo nos próximos anos. Mas este não parece ser o início de trabalho que tanto a Nação esperava. Desejo sorte ao novo mandatário. E a torcida deseja uma seleção. Afinal, dinheiro não é o problema, não é mesmo? Um Feliz Ano Novo a todos e até a próxima coluna, amigos.