Thaynara Lima
25/05/2017
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Sexo frágil que nada! A surfista Maya Gabeira mostra que mulher não precisa ser o sexo frágil e conta que sua meta é o recorde mundial feminino ― que ainda não é catalogado pelo Guinness Book. A pentacampeã mundial das ondas gigantes, já se arriscou nas ondas do Tahiti e, também, nas de Nazaré, onde sofreu sérios acidentes. Mostrou coragem e superação, mas ainda assim, sente a presença do machismo no esporte.

― O machismo existe. No esporte, em geral, e, principalmente, no esporte de alto risco que tem uma testosterona altíssima, muito homem envolvido. Tem uma questão de ego e coragem, isso acaba influenciando um pouco. ― comentou a big rider ― Ver uma mulher, o “sexo frágil”, sendo forte, às vezes incomoda um pouco alguns homens.

Uma das melhores em sua categoria, com muitos títulos e podendo servir de exemplo para garotas que curtem o surfe, Maya não se considera um ícone, mas espera ser uma inspiração para as iniciantes:

― O que eu puder fazer para facilitar a vida de quem quiser vir atrás e conquistar o que eu conquistei ou muito mais eu acho bom. ― contou a surfista ― Adoraria que as mulheres fossem desbravando mais e mais os ambientes masculinos, inóspitos e difíceis. Esse é o nosso futuro. A gente tem que estar em todas as profissões. Tem que estar em todos os lugares, pois a gente não desvaloriza o que o homem está fazendo, simplesmente acrescenta. ― completou.

A representatividade é importante para a ocupação de espaços e Maya conta que uma das suas maiores inspirações para seguir no surf veio da sétima arte. O filme Blue Crush (versão brasileira - A Onda dos Sonhos) foi um dos principais incentivos de Maya. O filme conta a história de quatro meninas surfistas de ondas gigantes:

― Eram meninas no Havaí, tinha toda aquela questão das ondas grandes que, também, mexeu com meu imaginário.

Sua experiência nas ondas gigantes, além de títulos lhe rendeu dois acidentes gravíssimos. No primeiro, em 2011, na bancada de Teahupoo, no Tahiti, Maya teve uma queda e foi resgatada semiconsciente. No segundo, em 2013, em Nazaré, Portugal, Maya teve de ser resgatada por um jet ski, já inconsciente e foi reanimada na praia. Perguntada sobre a reação da família quando decidiu voltar a surfar após os acidentes, ela disse ter sido algo natural:

― Não teve essa conversa. Não teve decisão. Nunca foi uma questão. Era, simplesmente, um curso natural, voltar a surfar. É o que eu faço.

Maya acredita que a popularização recente do surf masculino pode refletir no esporte para as mulheres também:

― Acho que o primeiro passo é popularizar o esporte como um todo, independente de gênero. ― comentou Maya ― A gente tem a Silvana Lima, que estava no circuito e tem uma geração mais nova, que vem com mais força. Mas, tem uma lacuna aí, que é a geração do Medina, do Filipe, do Ítalo. No feminino a gente não teve essa geração, por isso não está tão grande no Brasil.

Morando entre Brasil e Portugal, Maya contou também um pouquinho dos seus gostos.

L!: O que mais gosta de fazer nas horas vagas?
Maya: Eu gosto de estar com a minha família, de ver um bom filme. Eu sou bem caseira.

L!: Qual o melhor lugar do mundo que você já visitou? À trabalho ou não.
Maya: Tahiti

L!: Melhor onda?
Maya: Nazaré

L!: Se não fosse surfista, o que seria?
Maya: Não faço ideia.

L!: Qual sua meta no surf?
Maya: Bater o recorde mundial feminino, que não é catalogado no Guinness. Só tem o masculino e eu gostaria de registrar o feminino.