Bebeto Deputado EStadual

Bebeto é deputado estadual no Rio de Janeiro (Divulgação Alerj)

Ricardo Guimarães
10/03/2021
15:27
Rio de Janeiro (RJ)

A aprovação da Alerj na mudança de nome do Maracanã de estádio Mário Filho para Edson Arantes do Nascimento - Rei Pelé, mudou a rotina de Mário Neto, neto do jornalista que foi dono do 'Jornal dos Sports' e responsável direto pela construção do estádio no formato que foi inaugurado, em 1950: na região do Maracanã e com capacidade acima das 100 mil pessoas.

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Mário analisou a lista de votantes a favor do projeto que segue agora para sanção ou não do governador em exercício do Rio, Cláudio Castro e destacou, entre os nomes, o do deputado Bebeto (Pode), ex-jogador de futebol. Ele foi relator do projeto ao lado dos deputados Marcio Pacheco (PSC), Eurico Junior (PV), Carlos Minc (PSB), Coronel Salema (PSD) e Alexandre Knoploch (PSL). O presidente da casa, André Ceciliano (PT) foi o autor.

- Não sei se eu rio ou se eu choro. Eu estava vendo as pessoas que aprovaram esse projeto. Ninguém ali, muito menos o Bebeto, sabe nem 5% de quem foi Mário Filho. Não sabem nada a respeito do meu avô. Agora, o que eu posso fazer se eles aprovaram uma matéria urgente para mudar o nome de Mário Filho para Pelé? Não se preocupam com hospital, corrupção, 'rachadinha', segurança. O que eu posso fazer? - indagou.

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Mário ainda fez especulações sobre o motivo pelo qual os deputados estariam votando a questão em 'caráter de urgência'.

- Na verdade eles querem fazer isso para angariar dinheiro, aumentar o número de turistas. Esses caras (deputados) tem que procurar o que fazer, se preocuparem com as 'rachadinhas' que estão sendo averiguadas, pra tomarem vergonha! Quero entender como esse projeto entrou como 'urgência'. Qual é a urgência desse projeto? Esse projeto é tão absurdo que só pode ter alguma coisa por trás - especulou.

Mário Neto ainda falou sobre a repercussão do caso na internet e agradeceu o carinho recebido desde a noite de terça-feira. No Twitter, a #VetaGovernador chegou a figurar entre os assuntos mais falados da rede social.

- Isso é o que mais me satisfaz, sabia? Não dormi essa noite porque deixo o meu telefone ligado e me ligaram mais de 20 vezes para se solidarizarem comigo. Foi um negócio impressionante. Isso não vai apagar a história do meu avô de jeito nenhum. Se não fosse Mário Filho, Pelé não jogava no Rio de Janeiro. O Santos quando jogou aqui contra América, Bangu, contra o Flamengo, Fluminense, nunca botou menos de 100 mil pessoas no estádio - disse.

Mário ainda comentou sobre a decisão que será tomada pelo governador do Rio Cláudio Castro, que pode sancionar ou não a mudança do nome do estádio. Para o neto do jornalista, no final, o que vale é a homenagem feita para o avô no antigo Maracanã, já que este, reformado para os jogos Pan-Americanos do Rio de 2007, não é reconhecido por ele como algo que 'tiraria' o sono do avô, pois ele entende que aquele estádio idealizado por Mário Filho não existe mais.

- Isso é um absurdo que não tenho nem o que contestar, o que falar. É que esse governador não tem vergonha na cara e vai sancionar essa lei. Mas para mim, o que vale é a homenagem feita, de 1973 a 2003, quando o Maracanã era o Maracanã com mais de 100 mil pessoas que meu avô sempre lutou. Para esse estádio de 60 mil pessoas o meu avô jamais perderia uma noite de sono (por perder a homenagem) - concluiu.