Neto

Neto conversou com o LANCE! no Camarote Bar Brahma, no Anhembi (Foto: Divulgação/Camarote Bar Brahma)

Vinícius Perazzini
04/03/2019
08:00
São Paulo (SP)

Na segunda noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo, o apresentador e ex-jogador Neto foi uma das personalidades mais disputadas por fãs e jornalistas no Camarote Bar Brahma, no Anhembi. Mesmo com dezenas de pedidos de fotos, ele atendeu sorridente a todos os torcedores. Entre um clique e outro, o âncora do programa "Os Donos da Bola", da Rede Bandeirantes, conversou com o LANCE! em entrevista exclusiva e abriu o coração, inclusive afirmando que deixou de lado o sonho de ser presidente do Corinthians.

Neto, ex-camisa 10 e ídolo do Corinthians, foi conselheiro do Timão por dois mandatos e sócio por mais de 15 anos, mas atualmente está afastado dos bastidores do clube. Ele cita situações extracampo, como a Arena Corinthians ter sido apontada na Operação Lava Jato, entre as causas de seu distanciamento da política do clube: "Não sou mais sócio. Sou ídolo do Corinthians, e está bom pra caramba", disse o ex-atleta, hoje com 52 anos.

Vinícius Perazzini: Quando você "olha para trás", como vê sua evolução como apresentador de televisão e comentarista esportivo?
Neto: É uma evolução da idade, de ter ao meu lado minha esposa, Sandra, de poder estar em um momento feliz da vida com meus quatro filhos, de ter um suporte maravilhoso da Bandeirantes. Eu falo coisas na Band, que eu tenho o respaldo da direção. Tenho 20 anos de Band. Tudo isso vai nos tornando melhor. Tenho o (José Luiz) Datena como professor, tinha o (Ricardo) Boechat, que infelizmente foi embora, tive o Luciano do Valle por dez anos. Também leio o LANCE! todos os dias, no papel, gosto de comprar o jornal na banca. Leio outros comentaristas, leio a opinião das outras pessoas. E, quando erro, tenho a humildade suficiente para dizer que errei. O torcedor às vezes me xinga, mas tira foto comigo. As mulheres e as crianças tiram foto comigo, as pessoas querem estar do meu lado. As pessoas me criticam, mas ao mesmo tempo me elogiam. Acho que estou evoluindo como ser humano, não só como comentarista e apresentador. Eu estou evoluindo como gente.

Você já recebeu alguma proposta de outra rede de televisão?
​Proposta, proposta mesmo, só da BBC de Londres... Brincadeira! Eu já trabalhei na RedeTV! e na Record. Nunca recebi proposta nem do SBT e nem da Globo. Da Globo, uma vez o Marco Mora (ex-diretor da Central Globo de Esportes), que infelizmente faleceu (em 2018), conversou comigo, há muito tempo atrás, que gostaria de me levar. Mas tinha um diretor, que não está mais na Globo, que nunca gostou de mim e não quis me levar. O Marco Mora sempre teve vontade de me levar para a Globo, mas nunca conseguiu, por causa de outras pessoas. Seria um prazer trabalhar na Globo, no SBT, mas estou feliz na Band. Tenho contrato até 2020. E, pô, ganho bem pra c... (risos). Não posso reclamar.

Depois da televisão, o futuro seria virar presidente do Corinthians?
​A verdade é que minha ideia sempre foi essa, mas não é mais. Irrevogavelmente, deixei de ser conselheiro e sócio do Corinthians depois de problemas e tudo o que aconteceu. Não sou mais sócio, não sou mais conselheiro. Sou ídolo do Corinthians, e está bom pra caramba.

Quais problemas?
​Da (Operação) Lava Jato, do estádio (Arena Corinthians). Você acha que eu poderia ser presidente do Corinthians sem fazer concessões com as pessoas? Olha... Eu sou contra o estádio (Arena Corinthians). Sou a favor de entregar o estádio para a Odebrecht (construtora responsável pela obra da Arena) e fazer outro estádio ou voltar para o Pacaembu, não ficar devendo R$ 1,8 bilhão (valor apontado por auditoria em setembro de 2017). Eu não teria condição de ser presidente do Corinthians, porque eu não teria capacidade para fazer isso.

Como é sua relação com Andrés Sanchez (atual presidente do Corinthians)?
​Eu amo o Andrés, a família dele, mas não tenho mais relação de amizade com ele. Mas, a verdade, é que eu dou o meu sangue por ele. Se o Andrés, hoje, precisar do meu sangue para sobreviver, eu dou o meu sangue, mas não tenho convívio com ele vai fazer três anos, desde o dia do meu casamento (em agosto de 2016). Eu amo ele demais, cara, mas a gente não se fala mais.

Quais foram os motivos deste distanciamento?
​Por questões da vida, por questões de ele voltar a ser presidente, de eu achar que ele não deveria, pelas coisas que aconteceram no Corinthians. Hoje, nós temos pensamentos diferentes, mas o meu sangue eu dou a ele se for preciso.

Para fechar, duas perguntas sobre momentos curiosos que você fez parte na TV. Como foi para manter a calma durante o famoso desentendimento entre Vanderlei Luxemburgo e Marcelinho Carioca, durante programa?
Eu estava na bancada. Como era a primeira edição de um novo programa do Datena (chamado "Por Dentro da Bola"), eu não tinha o que fazer. Eu achei que o Luxemburgo foi muito deselegante com o Marcelinho. Acho que ele foi premeditado para falar aquelas coisas ao Marcelinho. Depois, quando foi para o intervalo, a gente não deixou que as coisas fossem para as vias de fato.

E de onde surgiu a história de Seedorf no Corinthians?
​Às segundas, tem a pizza do Faustão (apresentador da Rede Globo), que reúne várias celebridades. Em uma segunda-feira, um amigo meu estava lá. Estavam também Andrés e Ronaldo (Fenômeno). O cara me ligou: "Neto, Andrés e Ronaldo falaram que o Seedorf está indo para o Corinthians". E estava mesmo, estava acertado. Só que o Eike Batista contratou ele para o Botafogo. Aí, na terça, já dei no programa: "Seedorf é do Corinthians". Aí eu tomei no.... Errei.