Mike Tyson e Roy Jones Jr

DE ARREPIAR! Roy Jones Jr. e Mike Tyson voltam aos ringues logo mais (Foto: Reprodução/Twitter)

Rodrigo Portella*
28/11/2020
10:35
Los Angeles (EUA)

Os torcedores poderão acompanhar uma luta histórica neste sábado: considerado um dos maiores boxeadores de todos os tempos, Mike Tyson volta aos ringues, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Aos 54 anos, Mike viveu uma carreira lendária. Mas, a vida do lutador, que chegou a declarar falência em 2003, já passou por capítulos interessantes como o desta noite.

Contra Roy Jones Jr., de 51 anos, Mike terá a oportunidade de reviver a emoção de lutar para sua geração, assim como poderá se mostrar aos novos apaixonados por luta. O pugilista viveu algumas polêmicas em sua carreira, não atoa ele promete arrecadar uma bolada com o retorno em um card especial.

O Lance! convidou o especialista em lutas do canal Combate, do Grupo Globo, Daniel Fucs, pra entender a dimensão da volta de Mike Tyson aos ringues e saber o que o torcedor pode esperar do evento, que começará às 21h30min (horário de Brasília), tendo outras seis lutas previstas.

- Tanto Tyson quanto Jones já deixaram claro que não vão subir ao ringue para fazer uma exibição. Os dois tiveram a mesma importância para o boxe. Tyson teve mais exposição, pelo fato de ter terminado muitas das suas lutas nos primeiros rounds, mas Roy Jones Jr era um boxeador fora de série. Muito técnico, começou a carreira no peso-médio, subiu até os pesados e viveu o auge nos super médios e depois nos meio-pesados - contou Daniel, que completou seu comentário sobre a expectativa quanto a luta de logo mais.

- Quando se fala na importância destes dois se enfrentarem, vale destacar a relevância que Roy Jones Jr. teve para o boxe mundial. Estas duas lendas, frente a frente no ringue, vão gerar um espetáculo muito bom para quem gosta de boxe.

Daniel é uma referência quando o assunto é boxe nacional e internacional. Com anos de carreira no jornalismo e dono de um blog no Ge, ele acompanhou o esporte antes e depois de Tyson. Vale lembrar que a luta será exibida também na TV Globo, na madrugada de sábado para domingo, logo após o Supercine.

Duelo entre Mike Tyson (dir.) e Roy Jones Jr (esq.) acontecerá no dia 28 de novembro (Foto reprodução)
Duelo entre Mike Tyson (dir.) e Roy Jones Jr (esq.) acontecerá neste sábado  (Foto: Reprodução)
‘Duas lendas, frente a frente, vão gerar um espetáculo muito bom para quem gosta de boxe’

Os torcedores puderam seguir, em 2020, o desafio que foi um ex-boxeador recuperar sua forma física. Ao todo, Mike lutou em 58 oportunidades, tendo vencido 50 delas, números impressionantes. Das vitórias, foram 44 vezes em que ele nocauteou seu oponente.

Os dados expressivos colocam Tyson em uma prateleira especial dentro do universo do esporte. Segundo o jornalista, grande parte dos lutadores da época de Mike Tyson eram dignos de elogios, o que fazia as históricas “Noites de boxe” serem muito aguardadas.

- Realmente, Mike acabou com vários combates no primeiro round. Não a maioria, como muita gente fala, e nem todos com menos de um minuto de luta. Mas o estilo dele, sempre partindo para cima, com velocidade e precisão nos golpes, fazia com que o adversário não tivesse muitas chances. Quem assiste, sabe que em lutas entre pesos-pesados, isso pode acontecer de forma mais constante do que em outras categorias.

Contudo, uma cena histórica seria uma gota dolorosa no copo cheio de polêmicas do lutador: em 1997, novamente contra Holyfield, a chamada “Luta do século” terminou em punição para Mike, que foi banido por um ano dos ringues por morder a orelha de seu adversário. Polêmico também fora do esporte, Mike escreverá mais um capítulo de sua vida.

- Mike Tyson foi sempre teve uma personalidade controversa. Os problemas que teve na adolescência não justificam seus atos fora dos ringues, porque ele teve oportunidades. Principalmente com seu primeiro treinador, que ‘adotou’ o Tyson por ter visto ali um grande potencial. As más companhias podem ter ajudado de forma negativa. 

Extremamente veloz em seu auge, o norte-americano Mike Tyson era chamado de Iron Mike (em tradução livre, algo como “Mike de ferro”). Daniel Fucs cobriu grande lutadores em sua carreira: tanto brasileiros quanto astros internacionais, o comentarista do canal Combate define Tyson como um “caçador”.

Para os jovens apaixonados pelo boxe que não tiveram a possibilidade de assistir Tyson e terão agora, Mike não pode prometer uma luta como em seu auge no século passado. No entanto, Daniel explica ao mais novos e relembra aos esquecidos como era o boxeador em ação.

- Tyson sempre teve um estilo que se assemelha ao de um caçador. Principalmente no auge, nos primeiros anos de boxe profissional. Ele já começava querendo definir a luta e esse estilo muito rápido acabou gerando comentários de que não tinha técnica. De fato, ele não era o boxeador mais técnico do mundo, acho até que o Roy Jones Jr. tem mais do que ele, mas até para atacar desta maneira é necessária alguma técnica - apontou o jornalista, que já esteve em cinco Olimpíadas.

- A maneira como ele se aproximava, balançando o tronco, com os golpes por trás da luva do adversário para atingir a orelha, só é possível com muita técnica e treinamento. Esse estilo de procurar o adversário sem muito medo, com agressividade, é uma característica que define bem a forma do Mike Tyson boxear.

Veja outras respostas completas de Daniel ao LANCE!
L!: Na sua carreira, você acompanhou Popó, Esquiva Falcão, Robson Conceição, uma lista grande de feras brasileiras no boxe. Qual lutador nacional mais te impressionou?


Daniel: - Não acompanhei as carreiras de Éder Jofre e Miguel de Oliveira, que foram dois campeões do mundo de boxe profissional, mas de todos os lutadores que tive o prazer de ver lutar, o que mais me impressionou até hoje foi o Popó. Ele ganhou quatro títulos mundiais em categorias de pesos diferentes, e isso não é algo normal no boxe. Mas Esquiva Falcão, Robson Conceição e o Patrick Teixeira, nosso único campeão mundial na atualidade, também são ótimos lutadores.

L!: O Combate transmitirá a disputa e o público brasileiro poderá acompanhar duas lendas do boxe. Qual a importância dessa transmissão para as novas gerações de lutadores no país e, inclusive, para quem é apaixonado pelo esporte?

- A importância desta luta para a nova geração é que se trata de uma ótima oportunidade para ver em ação dois ícones do boxe do final do século XX. Eles tiveram uma importância histórica para a modalidade, como Rocky Marciano, Joe Louis, Mohammad Ali, entre outros.

L!: Viveu algum caso curioso nestes anos acompanhando Tyson dentro e fora dos ringues?

- Tyson e Hollyfield faziam parte da equipe olímpica dos Estados Unidos, um entre os meio-pesados e o outro, entre os pesados. Um desejo dos amigos era ver os dois lutando para valer em cima do ringue, algo que os treinadores americanos nunca deixaram. Até que uma vez, todos estavam começando um treinamento e os treinadores foram chamados às pressas para uma pequena reunião.

- Os colegas incentivaram que Tyson e Hollyfield subissem ao ringue. O que aconteceu foi uma luta de boxe e os gritos eram tão fortes que a reunião foi interrompida e os treinadores encontraram os dois no ringue. Claro que a bronca foi grande e os dois foram avisados que seriam retirados da equipe olímpica, caso isso voltasse a acontecer. Muita gente pensa que a rivalidade entre Tyson e Hollyfield começou quando eles já eram profissionais, mas na verdade essa rivalidade é antiga, desde a época de amadores.

L!: Se você fosse escrever um livro sobre a vida de Mike Tyson, qual seria seu capítulo preferido é qual título daria?

- Se eu pudesse escrever um capítulo, seria algo na linha do Tyson como “culpado ou uma vítima da própria vida”, abordando os dois lados. Normalmente acham ele culpado de tudo ou um inocente que foi levado a fazer o que fez pelas experiências de vida. As duas coisas aconteceram e para fazer uma análise da vida do Tyson, é preciso ter não só conhecimento exato do que aconteceu na infância com episódios polêmicos, mas também da vida que ele teve. Precisamos conhecer os dois lados da moeda.

*sob supervisão de Aigor Ojêda