Castor de Andrade, Zagallo, Botafogo e Vasco: a história de Galdino, ícone do Salgueiro
Ex-jogador conciliou carreira em campo com o amor pelo samba

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Futebol e carnaval. Duas paixões que movem o carioca, e que conduziram a vida de José Galdino de Oliveira, campeão do Brasileirão de 1974, com o Vasco, e baluarte da Bateria Furiosa do Salgueiro. Conheça, com o Lance!, a história do jogador que conseguiu conciliar as responsabilidades dentro dos gramados com o amor pelo samba.
A história do ex-jogador começa na Vila da Penha, quando aos 9 anos começou a se destacar nos jogos de futebol, que aconteciam na rua. O primeiro teste aconteceu na escolinha do Flamengo, mas um imprevisto o afastou do Rubro-Negro e o levou para o Botafogo.
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— Na minha época de garoto, todo mundo jogava. E eu era canhoto, que naquela época se destacava. Nosso futebol era seis contra seis, na rua, com paralelepípedo como gol, me sobressaía dentre eles. Eu estava com 9 anos, quando me levaram primeiro para a escolinha do Flamengo. Só que no dia do treino, um parente do treinador havia falecido e a atividade foi cancelada. Voltei todo triste. Mas no dia seguinte, teve no Botafogo, fui entusiasmado e passei — contou Galdino.
O primeiro contato com as responsabilidades e dificuldades do campo aconteceu nas mãos do trinador Manoel dos Santos Vitorino, o seu "Neca". O mestre de descobrir talentos durante 1960 e 1970 nas categorias de base do Botafogo, viu em Galdino, a peça chave que faltava para a equipe de base do Glorioso na ponta esquerda.
Chegada ao profissional
O futebol virou profissão na vida de Galdino em 1971, quando conseguiu impressionar Zagallo, que na época ainda defendia o Botafogo como jogador. O próprio Velho Lobo pediu o acesso do jovem ponta-esquerda ao profissional do clube.
— Zagallo me viu e pediu para eu ficar no profissional. Fiquei duas semanas e nunca mais voltei. Naquela época, quando entrei no vestiário, estavam todos eles lá. Eu via eles treinarem, mas jogar era outra coisa. Do nada, chegou o Jairzinho e falou: "E aí, garoto". Me tremi todo. O Botafogo era aquela máquina. Só os tricampeões. Tinham cinco. Mas fui me acostumando com eles. Era o Galdino que fazia todo. "Garoto, pega lá um suco para mim" (risos). Às vezes, ficava meio assim, inibido, mas eles sempre me apoiaram. "É para fazer o que faz no treino". Sempre tive esse incentivo — contou.
Chegada ao Vasco
Sem espaço no elenco estrelado do Glorioso da época, Galdino foi emprestado ao Bangu, para a disputa do Campeonato Carioca de 1974. No torneio, ele foi destaque da equipe montada pelo contraventor Castor de Andrade. Ao fim do Cariocão, o Vasco buscou a contratação do ex-jogador para a disputa do Brasileirão daquele ano.
Com o Cruzmaltino, o ponta-esquerda ficou quatro anos. Logo no primeiro, ao lado de Roberto Dinamite, ele conquistou o título do Brasileirão de 1974, o primeiro da história do clube.
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— A minha passagem do Botafogo para o Vasco teve o Bangu antes. Estava em General Severiano e o Jairzinho chegou em mim e falou, Castor de Andrade está aí para te levar ao Bangu. Não poderia disputar o Carioca de 1974 pelo Botafogo, porque não me inscreveram, e o Bangu tinha três vagas disponíveis. Então, fui falar com o Castor. Ele todo arrumado, de terno, disse: "E aí, meu filho. Vamos jogar em Bangu ou vai ficar parado aí?". Aí, ele me perguntou eu quanto ganhava. Olhei para ele e disse: "Dez mil". O Castor: "30 mil para jogar o Carioca pelo Bangu". Conclusão, me destaquei no campeonato. Em um jogo contra o Vasco, eu brinquei com o Fidélis, e foi então, que o clube ficou de olho em mim. Foi em um jogo em São Januário. Eu acabei com o jogo. Aí o pessoal gostou. Sem espaço no Botafogo, o Vasco foi lá me buscar — relembrou Galdino, antes de completar.
— No domingo de carnaval foi um diretor do Vasco lá em casa. Falou que estava certo, e me perguntou se queria ir para o clube. Isso em 1974. Salgueiro campeão. E fui emprestado ao Vasco. Uniu o útil ao agradável. Sou vascaíno, minha família é. O coração pesou. Foi uma realização. E em um ano que fui campeão pelo Salgueiro e com o Vasco, do Brasileiro. Não tem essa história de quem faz três gols pede música? Eu tive três títulos. Fiquei 4 anos no Vasco. No final de 74, o Cruzmaltino me comprou assim que acabou meu contrato de empréstimo. Eu tinha só 18 anos — contou.
Salgueiro e o carnaval
Durante todo o período da carreira como jogador profissional, Galdino carregou com ele o amor pela escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Com a bateria Furiosa, ele desfilou por cerca de 50 anos, sempre dividindo as atenções entre a Marques de Sapucaí e os gramados.
— A maior sorte da minha vida foi ter conseguido desfilar todos esses anos, mesmo jogando. O período de carnaval, naquela época, os clubes faziam excussões, e eu nunca peguei essa coisa. Quando joguei na Ferroviária, de Araraquara, em São Paulo, pedi para desfilar. Me dá quatro dias aí — iniciou, antes de completar.
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— Desfilava e voltava para o clube. Se tivesse desfile das campeãs, eu voltava de novo. Graças a Deus nunca tive problema. Levava no papo. Falava que ia correr o dobro. Teve um ano, que jogava Ferroviária e Guarani, no sábado de carnaval. Lá, eu tinha moral, fui artilheiro, e pedi para ir. O presidente falou que só ia se fizesse um gol. Falei para ele, não interessa como né? Porque eu era batedor de pênalti e de falta, mas o importante era o gol. Ganhamos de três a zero e eu fiz dois gols. Minha esposa ficava mais maluco que eles (risos) — concluiu.
Carreira como treinador
Após a aposentadoria, como um bom amante do esporte, Galdino não conseguiu ficar longe dos gramados. Sem condições físicas para continuar dentro das quatro linhas, ele foi seguir carreira como técnico, e recebeu a oportunidade de assumir as categorias de base do Vasco.
Durante o período, o ex-ponta-esquerda contribuiu para a formação de diversos atletas, que defenderam a camisa cruzmaltina. A lista detém nomes como: Philippe Coutinho, Pedrinho e Felipe.
— Eu e Gaúcho fizemos muitos jogadores. Pimentel, Gian, Jardel, o ídolo maior Edmundo, Valdir, Bruno Carvalho, Márcio. Tinha uns que meu Deus. Um, que chegou lá, e falei que não tinha jeito (ia ser jogador), foi o Philippe Coutinho. Tá ai até hoje. Mas o que aconteceu com ele, foi igual comigo. O Dorival puxou ele para o profissional. Tomaram o nosso doce (risos). O próprio Felipe, quando vi falei "esse é o Garrincha com a perna canhota. O Pedrinho também. Essa safra toda — finalizou.
Baluarte do Salgueiro
Aos 71 anos, Galdino segue sendo desfilante do carnaval carioca. Com mais de 50 anos como participante do espetáculo, ele hoje é baluarte do Acadêmicos do Salgueiro e fundador da ala "Guardiões da Furiosa". Em 2026, o ex-jogador irá desfilar mais uma vez ao lado de um dos seus maiores amores em vida: A bateria Furiosa do Salgueiro.

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