Atleta desaparecido no Japão é preso por autoridades de Uganda
Julius Ssekitoleko foi para o Japão com um treinador mesmo não se classificando para disputar os Jogos Olímpicos. Família do atleta passa por dificuldades financeiras

O halterofilista ugandense Julius Ssekitoleko foi preso pelas autoridades de Uganda, após ter desaparecido no Japão. A polícia investiga como ele foi para o Japão, com seu treinador, sem ter se classificado para os Jogos Olímpicos. Julius, de 20 anos, sumiu do hotel em que estava hospedado, há duas semanas, e deixou um bilhete em que dizia que gostaria de trabalhar no Japão e não voltar para Uganda.
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Julius está detido mesmo sem ter uma acusação formal. As autoridades de Uganda investigam a possível fraude no transporte de uma pessoa para o Japão sem ela ter se classificado para os Jogos Olímpicos e também se Julius fez parte do esquema como conspirador.
- O que está visivelmente claro aqui é que há um provável caso de fraude no transporte de uma pessoa com pleno conhecimento de que não se qualificou [para os Jogos Olímpicos]. A questão fundamental é: ele (Julius) fez parte da fraude como conspirador? - disse Charles Twiine, porta-voz da Diretoria de Investigações Criminais de Uganda, em entrevista veiculada pelo jornal "O Globo".
DIFICULDADES NA FAMÍLIA
A família de Julius e outros ugandenses pedem que Julius seja solto. Twiine não deu certeza de que o atleta será solto, mas que a tendência é que seja liberado após pagamento de fiança. Ainda não se sabe, porém, quais crimes o atleta cometeu.
Desire Nampeewo, esposa de Julius, está grávida de cinco meses e a família enfrenta dificuldades financeiras. Desire afirmou que eles foram despejados por não pagarem o aluguel.
- Se há qualquer pessoa ou país que possa ajudá-lo, eles deveriam fazer. Ele adora esportes. Eu tentei e não consegui convencê-lo a sair disso porque ele não ganha nada com isso - disse Juliet Nalwadda, mãe de Julius.
PRISÕES ARBITRÁRIAS
A prisão de Julius volta o olhar a uma questão séria no país africano. Yoweri Museveni, o presidente ugandense, já foi acusado por grupos de direitos humanos por efetuar prisões arbitrárias e detenções ilegais, não concedendo o julgamento adequado para os presos. Musevini está há 35 anos no poder. A Constituição de Uganda aponta que presos ou detidos sejam levados ao tribunal ou sejam libertados após 48 horas de sua prisão.
A embaixada de Uganda em Tóquio que informou que Julius iria retornar ao seu país, após ter sido encontrado, no dia 21, na cidade de Yokkaichi, na província de Mie.

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