Mário Bittencourt

Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, no CT Carlos Castilho (Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.)

LANCE!
30/12/2020
00:13
Rio de Janeiro (RJ)

O Conselho Deliberativo do Fluminense votou, nesta terça-feira, o orçamento para 2021 e aprovou a proposta da diretoria tricolor. A votação foi feita através de videoconferência em razão da pandemia da Covid-19 e teve a presença de 75 dos 250 membros. O Conselho Fiscal do clube já havia dado um parecer positivo aos números, mas apresentou ressalvas.

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Um acontecimento que marcou a reunião foi a dificuldade de alguns conselheiros para participar, com problemas para validação da inscrição. Um grupo chegou a pedir o adiamento da votação por este motivo. Além disso, a falta de alguns dados na proposta, como fluxo de caixa e do comparativo com 2020 também geraram insatisfação. A informação foi dada inicialmente pelo “Netflu”.

As principais receitas que o clube espera receber são referentes aos direitos de transmissão (R$ 85,6 milhões), incluindo o fim deste Brasileirão em fevereiro, e venda ou empréstimo de atletas (R$ 85,6 milhões). Neste último item, o valor aumentou com relação ao de 2020, que era de R$ 70 milhões. O Fluminense acabou arrecadando mais ou menos a metade disso, especialmente em razão da pandemia da Covid-19.

Este é o motivo pelo qual o Conselho Fiscal faz uma ressalva sobre o alto valor  por conta das incertezas do mercado causadas pela pandemia. O documento adverte para a falta de "apetite para investir e formas de pagamento, provavelmente parceladas".

VEJA A TABELA DO CAMPEONATO BRASILEIRO

O Flu projeta um resultado operacional positivo de R$ 2,9 milhões, inferior ao de R$ 9 milhões projetado para 2020. Nos setores do clube, há um lucro previsto de cerca de R$ 1,8 milhões no futebol, R$ 2,5 milhões no social e R$ 883 mil para Xerém. Os esportes olímpicos têm projeção de déficit de R$ 2,3 milhões.

Bilheteria e sócio

Mesmo sem previsão para a volta do público aos estádios no Brasil, a diretoria do Fluminense projeta R$ 19 milhões de receita de bilheterias. Além disso, o clube prevê R$ 34,7 milhões em patrocínios/royalties, R$ 11 milhões com programa de sócio-torcedor e R$ 38 milhões em premiações.

Sem grandes promessas

Chama a atenção as projeções para os resultados do time profissional na temporada. Para que não haja um grande rombo nas finanças, a diretoria optou por apostas mais conservadoras. Por isso, clube projeta chegar às finais do Campeonato Carioca do ano que vem, além do 10º lugar no Brasileirão, ida até as oitavas de final da Sul-Americana e quartas da Copa do Brasil. Portanto, nem cita uma possível vaga na Libertadores.

Na proposta orçamentária, o Fluminense ainda cita um investimento na casa de R$ 20 milhões para 2021, sendo R$ 13,6 milhões para o futebol profissional. Destes, R$ 5 milhões são destinados exclusivamente para contratação de atletas. Em 2020, esse valor era de R$ 11,2 milhões.

O que diz o Conselho Fiscal

Além de levantar a preocupação com os valores projetados em vendas ou empréstimos de atletas, o parecer do Conselho Fiscal ainda lembra que a previsão de R$ 6,7 milhões para Patrocínios Incentivados para Esportes Olímpicos depende da obtenção de Certidões Negativas de Débito. E ressalta que "a não obtenção das referidas Certidões, agravará ainda mais o resultado negativo dos Esportes Olímpicos. O clube necessita concentrar esforços para obtenção e manutenção das CND’s, fazendo que as duas Unidades de Negócio aumentem as suas respectivas receitas e gerem lucro no exercício".