Fernanda Teixeira e Luiza Sá
11/05/2020
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Apesar da pressão por parte de alguns clubes, ainda não se sabe quando as atividades do futebol vão retornar no Brasil. No Fluminense, a postura adotada é firme e o clube aguarda o aval das autoridades de saúde e do governo antes de qualquer ação. O meia Miguel, de 17 anos, está alinhado com o clube. Em entrevista ao LANCE!, o jogador mais jovem a vestir a camisa tricolor como profissional pregou cautela com relação à retomada.

- Acho que as coisas precisam acontecer da forma correta. A saúde das pessoas precisa estar sempre em primeiro lugar. A gente espera que tudo volte ao normal o quanto antes, mas entendemos o momento que o mundo atravessa - disse, antes de comentar como foi a negociação para a redução salarial do elenco durante a pandemia.

- Foi tudo tranquilo. Entendemos o momento e as dificuldades e não houve qualquer problema nisso - completou.

Miguel era um dos jogadores que entraram no período de paralisação lesionados. O jovem se machucou no dia 8 de março, no final da partida contra o Resende, no Maracanã. Após exames, ele teve uma lesão no músculo posterior da coxa direita constatada. Monitorado pelo departamento médico do clube, o meia seguiu o programa traçado pelo Flu e já está de volta aos treinos junto aos outros companheiros.

- Graças a Deus a recuperação foi ótima. Segui as recomendações do Fluminense e me dediquei bastante durante o período sem jogos para estar bem quando isso tudo passar. Estou em boas condições e pronto para voltar a jogar futebol. Foi uma rotina de muitos treinos e atividades, mas que será importante para a minha sequência - explicou.

Nascido em Vila Velha, no Espírito Santo, Miguel chegou ao Fluminense com 10 anos. De lá para cá, esteve em todas asa seleções de base e chegou a trocar o Flu pelo Vasco em 2015, mas retornou. Foi lançado aos profissionais em 2019, por Fernando Diniz, e recebeu a primeira chance nas quartas de final da Copa do Brasil, em jogo contra o Cruzeiro. O Flu acabou derrotado nos pênaltis, mas foi dele a jogada para um golaço de João Pedro de bicicleta.

Veja outras respostas de Miguel:

Como fazer para que o momento positivo no Estadual se reflita também em outras competições quando o futebol voltar?


Acho que fizemos bons jogos no início da temporada. É normal oscilar em alguns momentos, pois ainda estávamos em busca de um entrosamento ideal e também evoluindo na parte física jogo a jogo. Agora vamos ter que retornar ainda mais preparados, pois é possível que aconteça uma sequência forte de jogos quando o futebol for liberado para retornar.

Você foi o jogador mais jovem da história a jogar como profissional no Flu. O que pensa em relação a isso? Quais são as suas ambições no futebol?

Realmente tudo aconteceu de forma rápida. Não esperava fazer minha estreia logo num jogo tão importante como aquele Cruzeiro x Fluminense valendo classificação na Copa do Brasil. Mas sempre que recebo uma oportunidade, tento dar o meu máximo para corresponder. Espero poder conquistar coisas grandes no futebol, mas sempre com muita humildade e respeito.

Continua em contato com o pessoal do Fluminense? Como tem sido a resenha entre vocês?

Temos nos falado sim. Não é como no dia a dia dos treinos, mas temos tido contato até para saber se todos estão bem.

Está ansioso para marcar o primeiro gol como profissional? Como imagina este momento?

Acho que todo jogador sonha com esse momento. Contra o Bangu, infelizmente a bola parou na trave. Foi por pouco! Mas tento manter a tranquilidade para que isso não me atrapalhe dentro de campo. Quando for para acontecer, será naturalmente. Vai ser inesquecível, com certeza. Um momento que marca para sempre na carreira de um atleta.

Na base você era um especialista em bolas paradas. Ainda tem treinado? Pega dicas com o Nenê?

Sim. Sempre gostei de bater faltas e escanteios. Pude cobrar alguns nas partidas em que atuei em 2020. Nenê é uma grande inspiração e tento sempre estar perto para pegar algumas dicas para evoluir nisso. Hoje o futebol é muitas vezes decidido numa bola parada.

Quem são as suas referências no futebol? E no Fluminense?

No futebol sou muito fã do Neymar. É um craque no qual tenho bastante admiração. E também tem o Cristiano Ronaldo, que também gosto muito de acompanhar. No Fluminense tento sempre buscar ouvir os mais experientes, que podem nos ajudar com passagens e conselhos. O grupo é unido e todos se ajudam.