Luiza Sá e Marcello Neves
27/11/2018
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Em 2009, o Fluminense sofreu até o último minuto para virar o confronto contra o Cerro Porteño e conquistar a vaga na final da Copa Sul-Americana. Na época, Gum, aos 47 do segundo tempo, e Alan, aos 49, salvaram o Tricolor, que perdia por 1 a 0 no Maracanã. Ao LANCE!, o atacante relembrou a partida e as dificuldades sofridas pela equipe, além da pancadaria generalizada entre os jogadores dos dois times.

- Era um jogo importante para a nossa equipe, pois estava naquela reta final de 2009, ao mesmo tempo em que jogávamos o Campeonato Brasileiro. Sabíamos que seria um jogo difícil, contra um adversário tradicional, acostumado a jogar esses jogos mais cascudos. Saímos atrás do placar e, no intervalo, botamos a cabeça no lugar e falamos que precisávamos apenas por em prática tudo o que vínhamos treinando, pois nossa equipe tinha qualidade - disse.

- O gol do Gum deu um alívio enorme para nós e, também, para a torcida, que sentiu, naquele momento, que a vaga estava encaminhada. No lance do meu gol eu tive a calma para driblar o goleiro e empurrar a bola pra dentro do gol. Foi um jogo especial e emocionante, com toda aquela confusão no final, que ficou marcado na minha memória - completou. 

Fluminense x Cerro Porteño 2009
Alan foi um dos heróis do Flu (Foto: Paulo Sergio/Lancepress)

A vitória heroica, apesar do resultado ruim na final daquele ano, serve como incentivo para o Flu nesta quarta-feira, no jogo de volta com o Atlético-PR, em casa. Na ida, o time de Marcelo Oliveira acabou derrotado por 2 a 0. Em 2009, Fred foi um líder para o elenco. Atualmente, Gum e Digão fazem esse papel e são os únicos remanescentes daquele time.

- O Gum sempre foi um cara muito ativo no vestiário, que empurrava o nosso grupo para cima, e o Digão estava começando a sua carreira mas já demonstrava que, futuramente, seria um grande líder dentro de campo também. Tenho a certeza que hoje, assim como tivemos os nossos líderes em 2009, como o Fred, o Fluminense terá a voz dos mais experientes para superar as adversidades e conquistar as vitórias necessárias nesse final de temporada. Essa é a hora de os mais experientes puxarem a fila e darem aquele gás nos mais novos - disse Alan.

Assim como há nove anos, o Fluminense também chegará à última rodada do Campeonato Brasileiro nesta temporada lutando contra o rebaixamento. Se aquela situação foi de uma arrancada, agora o time das Laranjeiras sofre com uma queda de rendimento. Alan comentou a conversa com o elenco naquela época e avaliou a motivação dos jogadores atualmente. 

- É claro que não é uma situação confortável você estar brigando contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. É algo que fica martelando na sua cabeça e, mesmo você disputando uma outra competição, é difícil não pensar naquela situação. Mas, como em 2009, a união do grupo tem que fazer a diferença nesse momento para que se consiga os dois objetivos, que é a fuga do rebaixamento e a conquista da vaga para a decisão da Sul-Americana. Tem que estar concentrado no jogo da vez e dar o melhor de si para conquistar os objetivos - falou.

Veja outras declarações da entrevista de Alan ao LANCE!:

Você continua acompanhando o Fluminense na China? Pretende acompanhar a partida (contra o Atlético-PR, na semifinal da Sul-Americana). E como é a sua relação com o Fluminense atualmente?


- Todos sabem do carinho e da gratidão que tenho pelo Fluminense, onde eu fui criado e aprendi muito como profissional e como pessoa também. Mesmo na China, quando o fuso-horário permite, estou acompanhando os jogos e torcendo para o Fluminense. Com certeza acompanharei a partida contra o Atlético e tenho a certeza que, junto com o apoio da torcida, o time conquistará a vaga pra final.

Você foi o herói na última vez que o Fluminense esteve na semifinal da Sul-Americana. Entretanto, você entrou no lugar do Maicon, que saiu lesionado. Hoje, o Fluminense tem Pedro lesionado. Acredita que pode surgir um "novo Alan" na semifinal? Quem você apostaria?

- É difícil você prever o surgimento de algum jogador em um momento como esse, ainda mais com a lesão de um companheiro. O Maicon é um dos grandes amigos que tenho até hoje e nenhum jogador gosta de entrar devido à lesão de um companheiro, mas são coisas que acontecem na nossa profissão. Acho que o Pedro vinha tendo um ano abençoado, sendo a referência do ataque do Fluminense, mas os que estarão em campo darão conta do recado para dar a classificação ao time.

Nove anos depois, qual a imagem que você tem daquela semifinal? Qual o peso que ela tem na sua trajetória no Fluminense e na sua carreira?

- Foi um jogo importante para a minha carreira porque marcou muito aquele espírito do time de guerreiros, e eu pude marcar o gol que deu a vitória para a nossa equipe diante de um Maracanã com a torcida do Fluminense pulsando a todo o momento. Conquistamos aquela vaga para a final na base da raça e da força de vontade, pois enfrentamos um adversário tradicional e que gostava de fazer aquela catimba tradicional dos clubes sul-americanos.