Dos aplausos aos gritos de 'burro': a queda de Zubeldía no Fluminense
Treinador está na corda bamba no comando do Tricolor

Há pouco mais de um mês, Luis Zubeldía era tratado como um dos treinadores mais valorizados do futebol brasileiro. O Fluminense brigava pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro, jogava um futebol elogiado e parecia ter encontrado estabilidade técnica e emocional.
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Neste sábado (9), porém, o cenário foi completamente diferente. Após o empate em 2 a 2 com o Vitória, no Maracanã, o treinador ouviu gritos de "burro" vindos das arquibancadas do Maracanã pela primeira vez e deixou o campo sob forte pressão. A transformação foi rápida, mas construída jogo após jogo.
O começo da queda
O recorte inicia ainda antes da Libertadores. O Fluminense viajou para enfrentar o Coritiba em meio à disputa da liderança do Brasileirão. Mesmo com time misto, fazia uma boa partida até ter um gol anulado. Depois disso, o time desmoronou emocionalmente.
Na sequência veio o empate sem gols contra o Deportivo La Guaira, na Venezuela, justamente o jogo mais acessível fora de casa na fase de grupos da Libertadores. Poucos dias depois, derrota para o Flamengo com atuação ruim em meio ao imbróglio do adiamento da partida. O ambiente começou a mudar.
Mas o ponto de ruptura aconteceu no Maracanã. A virada sofrida para o Independiente Rivadavia transformou completamente a trajetória do Fluminense na Libertadores e na temporada.
O jogo seguinte era justamente contra o Bolívar, na altitude de La Paz — um confronto que inicialmente era tratado como "perdível". Só que, depois do tropeço em casa, virou obrigação pontuar na Bolívia. O Fluminense perdeu de novo, e jogando muito mal. Tudo que Zubeldía prometeu em coletiva para minimizar o efeito da altura foi feito ao contrário.
A equipe até venceu o Santos na Vila Belmiro depois, mas nem isso acalmou o ambiente. Em seguida veio empate contra o Operário na Copa do Brasil, sufoco contra a Chapecoense em casa e a derrota para o Internacional, em uma das piores atuações do ano.
A sensação passou a ser de um time que perdeu confiança. A entrevista de Zubeldía após o empate contra o Vitória talvez tenha sido o retrato mais claro desse momento.
O argentino falou diversas vezes sobre um time que controla os jogos, mas não consegue transformá-los em vitória. Repetiu que o Fluminense cria chances, cresce nas partidas, mas desmorona emocionalmente após sofrer gols.
— Até o empate o time tinha o controle do jogo, estava criando suas situações de gol. Estamos em um momento do calendário em que já faz vários jogos que não conseguimos matar a partida. Então, em qualquer situação que o rival tem, ele consegue converter — disse Zubeldía.
O treinador tentou separar desempenho de resultado. Disse que o Fluminense dominava o Vitória até sofrer a virada e afirmou que os gols sofridos não tinham relação com o desenvolvimento da partida. Ao mesmo tempo, admitiu publicamente o desgaste.
— Hoje, sem ter criado muitas situações, na verdade muito poucas, o adversário ficou à frente no placar. E jogar com esse nervosismo não é fácil. Não é fácil. Entendendo que estamos em um momento em que muitas coisas acontecem contra nós. Parece que conseguimos recuperar nosso jogo, parece que conseguimos recuperar nossa organização, e de repente em dez minutos tudo vira, como aconteceu hoje. E aí fica muito mais difícil. O que eu tenho para dizer é que hoje tivemos o jogo para matar e, novamente, cometemos erros pontuais que acabam nos custando sofrimento e reprovação. Justa ou não, isso fica no critério do torcedor — analisou.
Torcida do Fluminense na bronca
Além da queda de rendimento, as decisões de Zubeldía passaram a incomodar a torcida. A principal delas envolve John Kennedy.
O atacante é o artilheiro do Fluminense na temporada, vem decidindo jogos importantes e salvando o time em momentos críticos. Mesmo assim, perdeu espaço para Rodrigo Castillo justamente nas partidas mais importantes da Libertadores.
Contra o Independiente Rivadavia, na Argentina, John Kennedy saiu do banco para marcar o gol que manteve o Fluminense vivo. Contra a Chapecoense, entrou e decidiu. Contra o Vitória, foi titular, marcou um gol e deu assistência para o empate.
Outras escolhas também aumentaram a irritação: a manutenção de jogadores em má fase por muito tempo em campo e a demora nas substituições durante os jogos. O treinador que há poucas semanas era tratado como um dos grandes trabalhos do país agora depende de resultados imediatos para sobreviver.
O Fluminense ainda segue vivo na Libertadores, na Copa do Brasil e brigando na parte de cima do Brasileirão. Mas o ambiente mudou completamente. Os aplausos deram lugar para as vaias.

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