Incêndio Ninho do Urubu

Ninho do Urubu foi atingido por incêndio no dia 8 de fevereiro (Foto: Adriano Fontes/ AMPress)

Matheus Dantas
09/04/2019
06:30
Rio de Janeiro (RJ)

Sessenta dias se passaram do incêndio que atingiu o Ninho do Urubu - e vitimou 10 atletas das divisões de base - e as repercussões ainda exigem a atenção e os esforços da diretoria do Flamengo, que trabalha em duas frentes: a regularização do CT George Helal e a negociação com as famílias das vítimas.

Com vistorias técnicas realizadas nos últimos dias, o clube mantém a confiança em obter os documentos pendentes em breve para a regularização e liberação total do uso do local - atualmente, está proibida a entrada e permanência de crianças e adolescentes no CT, assim como o pernoite de qualquer profissional.

Na sexta-feira, a Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização Urbanística da Barra da Tijuca estiveram no CT e encaminharam os documentos da vistoria técnica para a Secretaria de Urbanismo, responsável pela emissão do Habite-se. O clube precisa obter, junto à Prefeitura do Rio, o Alvará de Funcionamento.

Com estes documentos em posse do Flamengo, a liberação total do Ninho do Urubu deve "tomar um ritmo mais acelerado", acreditam representantes do clube. Para o local voltar a receber as atividades das divisões de base, porém, será preciso o aval do Juizado da Infância e Juventude e Ministério Público.

Com a proibição das atividades dos jovens no Ninho, as divisões de base estão treinando no CT do Audax Rio, em São João de Meriti. Os atletas que não são do Rio de Janeiro estão alocados em hotéis com as despesas sendo pagas pelo Fla. Entre os jogadores nesta situação, estão sobreviventes do incêndio no CT. 

A situação fez com que alguns pais retornassem as suas cidades com os filhos - uma vez que o Ministério Público condicionou a permanência dos jovens na rotina de treino do clube à presença de um responsável no Rio. As famílias procuraram o MP e posicionaram-se contra a medida - a qual não foi revertida.

CLUBE CHEGA A ACORDO COM TERCEIRA FAMÍLIA

Outra frente que mobiliza a diretoria do Flamengo é a busca por acordo com as famílias das vítimas. Nos últimos dias, o clube avançou e chegou a um acerto com a família de Gedson dos Santos, o Gedinho, de 14 anos. A informação foi inicialmente publicada pelo "Globoesporte" e confirmada pelo LANCE!. Antes, as famílias de Áthila e Rykelmo haviam acertado as indenizações com o clube. Os valores são mantidos em sigilo por privacidade e segurança dos familiares.

Na Gávea, a expectativa é de que as negociações, em estágio avançado, com outras três famílias caminhem no mesmo sentido e tenham desfecho sem a necessidade da via judicial, o que tornará o processo ainda mais demorado.

Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados - Ninho do Urubu
Comissão do Esporte visitou o Ninho (Foto: Paulo Eiras/Acervo Cespo)

COMISSÃO DO ESPORTE FISCALIZA O NINHO

Os Deputados Fábio Mitidieri (PSD-SE), Luiz Lima (PSL-RJ) e a Deputada Flordelis (PSD-RJ), membros da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, a Cespo, foram recebidos e conheceram oo Ninho guiados por Reinaldo Belotti, CEO, e por Aleksander Santos, conselheiro e diretor de marketing do Flamengo.

Segundo a Câmara, "os presentes foram unânimes em elogiar a estrutura do CT e consideraram o incêndio como uma fatalidade", após terem verificado as condições de acomodações e treinamento das categorias de base do Ninho. 

A Comissão do Esporte (CESPO) da Câmara já tem programadas mais de 20 visitas técnicas a clubes das séries A, B, C e D e CTS em todas as regiões do país.