Base - Flamengo

Flamengo tem revelado e também negociado alguns talentos da sua base (Foto: ARTE LANCE!)

Luiz Fernando Gomes
04/04/2021
07:00
São Paulo (SP)

Matéria publicada neste LANCE! na sexta-feira é esclarecedora. Apesar da crise econômica provocada pela pandemia em 2020 e da queda de receitas pela paralisação do Brasileirão e a ausência de público, os investimentos do Flamengo nas categorias de base continuaram em alta, pelo oitavo ano consecutivo. O salto de 618% nos recursos destinados à formação da garotada, desde 2013, é mais um elemento a explicar o patamar diferenciado a que chegou Rubro-Negro na realidade do futebol brasileiro.

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Ainda mais relevante torna-se essa informação quando se sabe que o Flamengo também continua a investir pesadamente na contratação de estrelas. No time titular que encantou o país no ano mágico de 2019 - e que se manteve como base no bi de 2020 -, nenhum dos 11 jogadores foi formado no Ninho do Urubu. Foi uma exceção à regra tão propagada de que “craque o Flamengo faz em casa”. E bem diferente da geração megacampeã de Zico, Adílio, Andrade, Mozer, Leandro, Junior e companhia em que quase todos eram pratas da casa.

A aposta do Flamengo na base vai além da questão financeira. O investimento, é claro, tem um peso importante, é o que permitiu construir e manter uma estrutura de primeiro mundo com campos de treinamento, alojamentos, centro médico, de fisiologia e preparação física entre outros recursos. Mas ter critérios bem estabelecidos de seleção e, mais do que isso, de avaliação permanente do desenvolvimento desses novos talentos – com profissionalismo e sem paternalismo - é o que realmente tem dado resultados diferenciados na formação rubro-negra.
 
O acerto dessa prática ficou claro neste início de temporada. Com os titulares em férias prolongadas, os garotos da base deram conta do recado, entregando o bastão, na semana passada, com o time na liderança do Carioca. Muito mais do que os pontos conquistados em quatro vitórias e um empate, o que chamou a atenção foi o jeito do time jogar.
 
Sob o comando de Maurício Souza, técnico do sub-20, jogadores como Matheuzinho, João Gomes, Pepe, Natan, Hugo Souza, e Rodrigo Muniz atuaram com o mesmo esquema tático, o mesmo padrão de jogo do time principal de Rogério Ceni. O que se percebe, assim, é que o clube busca a consolidação de um DNA rubro-negro, um jeito próprio de jogar, do sub13 ao profissional, o que é comum na Europa, mas bem raro no Brasil. 
 
O que muitas vezes se vê por aqui, nas categorias de base dos clubes, são times montados apenas para revelar jogadores e manter o emprego de treinadores, ainda que isso nada tenha a ver com o futebol praticado pelo time de cima. O que, não muito raro, acaba prejudicando o desempenho da garotada que, ao subir, fica perdida ao encontrar uma realidade completamente dissociada do que aprendeu em anos de formação.
 
O investimento na base, portanto, é sempre um dinheiro bem empregado. Rende dividendos – o Flamengo faturou só no ano passado R$ 170,5 milhões com a venda de jogadores formados no clube - e rende títulos, resultados em campo como no caso do Palmeiras campeão da Copa do Brasil e da Libertadores a partir de uma mudança de postura que inclui a valorização dos garotos da Academia.