Leonardo Jardim avalia atitude de Pedro em Flamengo x Cruzeiro: 'Não surpreende'
Rubro-Negro vence por 2 a 0 com gols de Pedro e Carrascal

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Técnico do Flamengo, Leonaro Jardim analisou o desempenho da equipe na vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro nesta quarta-feira (11), no Maracanã, pela quinta rodada do Brasileirão. Em entrevista coletiva após a partida, o treinador destacou o desempenho de Pedro, autor do gol que abriu o placar, sobretudo pela postura sem bola.
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Questionado se houve alguma conversa com Pedro sobre a pressão na saída de bola adversária, Jardim afirmou que o camisa 9 é um dos principais atacantes do Brasil e já mostrou ser competente na fase defensiva.
— A conversa com o Pedro foi muito simples e direta. Ele é um dos melhores atacantes do futebol brasileiro e tem mostrado isso ao longo dos anos. No futebol existem as duas fases do jogo: a fase com bola e a fase sem bola. Com certeza, ele tem mostrado que também pode ser competente nesse aspecto. Além de fazer gols, pode contribuir em termos estratégicos para a equipe, se posicionar, pressionar e ter uma atitude mais colaborativa. É isso que ele tem feito — declarou o técnico.
— Ele tem capacidade física e entende o jogo coletivo. Por isso, a atitude dele não me surpreende, porque desde o início eu acreditava que conseguiríamos ter um Pedro forte ofensivamente, mas também cumprindo a função defensiva que todos os jogadores precisam ter. Hoje, no futebol moderno, não existe jogador em nenhuma equipe do mundo que apenas ataque. Todos precisam atacar e defender — completou o português.
Sobre a atuação do Flamengo diante do Cruzeiro, Leonardo Jardim valorizou mais um jogo sem sofrer gol e apontou dominância da equipe nos primeiros minutos. Contudo, afirmou que há no que melhorar, principalmente na tomada de decisão.
— Existem algumas coisas importantes a valorizar. Em primeiro lugar, a equipe conseguiu fazer um jogo sem sofrer gols, e isso foi importante. Também queríamos entrar fortes na partida, e os primeiros 15 ou 20 minutos foram muito bons. Além do gol, tivemos ainda duas bolas na trave. Mas, do outro lado, também havia uma boa equipe, que no ano passado conseguiu excelentes resultados contra o Flamengo. Neste ano é um time diferente, com muito mais posse de bola e com muitos jogadores aglomerados na zona central. Por isso houve momentos em que eles tiveram mais a posse — iniciou o técnico.
— Sabemos sempre que um Flamengo x Cruzeiro é um grande jogo. Eu estava olhando as estatísticas e, desde 2014, só conseguimos um placar com mais de dois gols de diferença. Isso também mostra a força do adversário, que estava em campo com o objetivo de conseguir um bom resultado. Mas acho que fomos mais competentes e a vitória é plenamente justificada pelos dois gols e pelas situações que criamos. Ainda assim, temos um caminho a percorrer e algumas decisões a melhorar. Em alguns momentos com a bola, podemos ter um pouco mais de critério — continuou Jardim.
— Estou feliz. Estou feliz com a atitude que os jogadores têm demonstrado. Hoje, além dos que começaram jogando, também fizemos algumas trocas, e os que entraram foram importantes, participaram de assistência, de gol. O Lino e o Carrascal, por exemplo. Vamos seguindo o nosso caminho, trabalhando diariamente — concluiu.
A partida marcou o reencontro de Leonardo Jardim com o Cruzeiro, clube que deixou no fim do ano passado. A chegada ao Fla repercutiu mal na Toca da Raposa, já que o português prometera que o Cabuloso seria o único time que treinaria no Brasil.
— Com certeza tenha boas amizades e relações lá. Esses atletas, ajudamos a colocá-los em um nível que eles estavam um pouco perdidos. E por isso tenho proximidade com alguns. Antes do jogo, o presidente esteve na minha cabine para batermos um papo para verem a relação que tenho com ele. E foi bom, mas dentro de campo é outra coisa. Dentro de campo eu sou 200% Flamengo e o objetivo é ser o mais competitivo possível, tentar atacar da melhor forma, defender e ganhar o jogo. Claro que as relações não se apagam, como aconteceu em todos os clubes que passei. Continuo manter relações com as pessoas com quem trabalhei — comentou o treinador após o jogo.

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Outras respostas de Leonardo Jardim após Flamengo x Cruzeiro
Momento de Carrascal e Lino
— Com certeza temos alguns jogadores que ainda não estão na melhor forma. Alguns ainda precisam de mais minutos, outros porque estão nesse momento inicial de recuperação. Se todos estivessem na melhor forma, com certeza os resultados teriam sido diferentes, não haveria troca de treinador e estaria tudo bem. Há jogadores que precisamos recuperar, tanto anímica quanto fisicamente, em termos de trabalho e de atitude. Mas eles têm sido muito cooperantes. Quem entra e quem começa jogando tem ajudado bastante. Ainda hoje fizemos três trocas, e os que entraram contribuíram justamente na parte em que queríamos um pouco mais de transição, porque o Cruzeiro estava mais exposto. Em dois movimentos de transição que fizemos no final, acabamos por marcar o 2 a 0. Por isso estou satisfeito. Digo externamente, e também internamente para o grupo, que só um elenco coeso, competitivo e amplo é capaz de disputar várias competições. E o Cruzeiro tem isso. Por isso, todos precisam jogar e ter a confiança do treinador. Em alguns jogos as coisas não vão correr bem, mas a confiança do treinador está sempre presente.
Erick Pulgar
— É um jogador importante no Flamengo por tudo que tem mostrado. Compreende bem o jogo. Pedi a ele para fazer dois ou três movimentos que precisava fazer dentro da minha estratégia. E ele compreendeu facilmente. Isso mostra que ele não tem só qualidade, mas inteligência acima da média, que permite de um momento para outro dar resposta, com uma semana de trabalho. Por isso estou muito satisfeito com ele.
Início de jogo intenso
— Minha prioridade é que o Flamengo jogue bem e ganhe. Em relação ao jogo, esses jogadores tem uma capacidade de circulação da bola muito grande. Estamos aos poucos tentando incluir outras variáveis. A vida do jogador normalmente não é com apenas uma variável, então acredito que possam ter outras na partida, como carregar mais nos espaços quando os tem, fazer alguns movimentos de facão para ter dinâmicas ofensivas. Aos poucos estamos fazendo. O Pulgar hoje transportou o jogo várias vezes para o ataque, não só associando para o passe, mas quebrando linhas para jogarmos mais a frente. Eu pessoalmente gosto de jogadores que quebram linhas e quando conquistam o espaço, conquistem esse movimento com bola quebrando as linhas.
Luiz Araújo por dentro e Carrascal na direita
— O Luiz Araújo é um jogador que normalmente joga por fora, mas inverte um pouco para dentro, como Paquetá. Mas naquele momento do jogo eu precisava ter alguém mais para frente, que com o pé direito conseguisse fazer uma diagonal e foi o que acabou acontecendo. Por isso a opção do Carrascal mais por fora, para as opções nas diagonais. Os laterais do Cruzeiro estavam se expondo e não tinham mais capacidade de cobrir as costas, e foi essa a ideia de mudança. E o Luiz Araújo, com toda inteligência que tem, com certeza não está na sua melhor forma por tudo que ele passou. Nós acreditamos nele e que as coisas, pouco a pouco, vão acontecer.
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Wallace Yan será o reserva de Pedro?
— Sinceramente neste momento, o Plata teve um toque no joelho durante os treinos. Não estava 100%, o Wallace é um jogador jovem, todos o conhecem. Estava para sair, ainda não está no melhor momento. Mas acreditamos nele. Depois vamos fazer uma análise. O futebol é uma análise constante. Não é agora que vamos pensar no que falta ou não. Às vezes há crescimento dos jogadores, evolução. Temos que aproveitar os que estão aqui e rentabilizar ao seu melhor nível. Esse é o meu objetivo para o Pedro, Wallace Yan, Everton. Todos que jogam menos, mas sabemos que tem uma margem de produção ainda grande.
Como vê o momento físico da equipe?
— Acho que o futebol não é só físico, é um conjunto de ações. Por vezes o físico depende do modelo que implementamos. E quero que os jogadores estejam dentro desse modelo que eu quero implementar. às vezes o jogador tem que dar um pouco mais e os pontas, às vezes, têm que defender mais. Os meias saltar das marcações… É o que procuro como treinador para os meus jogadores. Em termos físicos, claro que vamos ter que fazer gestão de alguns atletas porque não temos capacidade de jogar sempre de três em três dias com os mesmos e porque não tiveram aquela pré-temporada que normalmente existe. O Flamengo não teve, mas os outros também não tiveram. Por isso, vamos tentar gerir. Aproveitar para tentar aumentar o índice daqueles que não forem convocados e na próxima janela (período livre) aproveitar para fazer algumas correções neste nível.
Pedro e Arracaeta
— Está mais do que provado que podem jogar juntos. Tivemos dois jogos altamente competitivos. O do Fluminense, que era um adversário difícil porque pressiona bastante, tem atitude. O Cruzeiro também é deste gênero. Eles mostraram competência. Tenho que os preservar em algumas situações para não terem que jogar sempre. Aí que entram os outros elementos do elenco para criarmos o melhor numero de soluções a essas duas posições. O Arrasca tem um talento enorme, não posso também o massacrar por isso. Vão vir alguns jogos que vai ter que entrar menos tempo porque nós, o Flamengo, precisamos da qualidade dele como capitão e também como jogador.
Royal elevou o jogo de Paquetá? Ele jogará mais centralizado?
— Eu respondi isso no outro dia sobre o Paquetá, acho que ele pode fazer três posições na equipe, pode fazer segundo volante, um meia mais ofensivo e um meia pela direita. Tínhamos que preparar um cenário porque ele não é um ponta, ele é um meia. O cenário que preparamos para hoje, se vocês repararem, era sempre de uma construção com o Erick ou do zagueiro pela direita, o ponta esticava para fazer o corredor, que era o Royal, e ele aparecia entrelinhas, que é o jogo dele. O meu trabalho como treinador também é proporcionar aos jogadores um bom posicionamento para que eles consigam impulsionar suas características. O Paquetá não é um ponta Se for para jogar com um ponta, melhor jogar com o Plata ou o Carrascal, se bem que o Carrascal também não é um ponta (risos). Por isso, tínhamos a preocupação de colocar os jogadores na sua melhor posição para impulsionar. Engraçado que uma das primeiras coisas em disseram é que "ai o Paquetá pelo lado direito não funciona". Eu disso "pronto, vamos ver". Eu estou satisfeito, acho que ele pode funcionar, mas tem que ter uma organização estratégica. Se for receber a bola em cima da linha e driblar, não vai funcionar. Mas se for uma estratégia mais coletiva, pode ajudar ali ou por dentro. Foi o melhor jogo, mas eu acredito numa evolução dele porque ele ainda tem muito mais para dar. Eu falei isso para ele. Eu conheço o jogador, ele precisa de mais tempo porque vai ser uma temporada mais cheia para ele, vai ser uma temporada de um ano e meio.
Libertadores sub-20
— Eu estaria mentindo se dissesse que vi todos os jogos, eu não vi. Mas por um acaso eu vi o primeiro jogo, que tivemos um miúdo que fez um gol saindo do extremo indo para dentro. Verifiquei que alguns jogadores tem muito potencial, o lateral-direito e o zagueiro estavam no ano passado no time principal, o ponta do lado esquerdo eu vi que já teve oportunidades. Com certeza eles vão ter o carinho e a proteção do nosso estafe não para criar fenômenos, mas para orientá-los da melhor forma. Aqui no Brasil, ele faz dois gols e já são um fenômeno. Não. É orientá-los da melhor forma para que, no futuro, a médio prazo, consigam fazer parte desse elenco.
Pode ajudar o Pedro a buscar vaga na Copa do Mundo?
— Vou ser mais abrangente nessa questão porque não gosto de falar sobre o trabalho de um colega, com um currículo que tem o Ancelotti. Mas acho que todos os jogadores que jogam mais no Flamengo vão ser sempre opção para as diferentes seleções, do Chile, do Uruguai, da Argentina, do Brasil… Jogar no Flamengo é um estatuto que vai permitir qualquer um dos jogadores a estarem próximos de uma convocação. Por isso, eu acredito que jogar no Flamengo, e ser importante para o Flamengo, há uma oportunidade para todas as seleções.
Primeira semana
— Engraçado que as pessoas me caracterizam e muitas delas não me conhecem. O que eu faço sempre é ter um grupo onde eu seja coerente com todas as decisões, essa é a minha forma de trabalhar. A coerência, para mim, é palavra-chave no esporte. Coerência numa ideia de jogo, num tipo de trabalho, de realizar algumas situações. É isso que eu tento desenvolver com essa equipe e todas as minhas equipes. E, do lado dos jogadores, tenho uma recepção que tem sido impecável, eles têm abraçado a ideia, estão focados. Isso me deixa extremamente satisfeito. Quando você trabalha num clube e os jogadores compram a ideia, quando todo o estafe colabora no máximo que pode, eu só tenho satisfação. Temos que dar continuidade a isso, trabalhar bem é uma obrigatoriedade. Isso nos leva a melhores resultados.
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