Rodolfo Landim é candidato à presidência do Flamengo pela Chapa Roxa

Rodolfo Landim é candidato à presidência do Flamengo pela Chapa Roxa (Foto: Matheus Dantas)

Alexandre Araújo e Matheus Dantas
06/12/2018
06:00
Rio de Janeiro (RJ)

Rodolfo Landim já foi vice-presidente de Planejamento no primeiro mandato de Eduardo Bandeira de Mello. Hoje, porém, é oposição à atual diretoria e busca assumir o Flamengo para fazer o Rubro-Negro voltar a levantar troféus, segundo ele.

Entre as propostas do candidato pela Chapa Roxa, está um aperfeiçoamento da gestão do clube, mudança na estrutura do departamento de futebol e vontade de gerir o Maracanã. Quer implantar ainda iniciativas para aumentar a receita dos esportes olímpicos.

Rodolfo Landim recebeu o LANCE! para apresentar as ideias que quer colocar em ação caso vença a eleição deste sábado, na Gávea. Os demais candidatos à presidência também deram entrevistas exclusivas. Confira nos links abaixo:

LANCE!: Por que se candidatar?

Rodolfo Landim:
É porque nós temos um grupo de pessoas que tem como principal objetivo fazer o Flamengo voltar a ser campeão. É isso que achamos que somos capazes de fazer e é isso que propomos fazer aos sócios do clube, entre outras coisas. Essa é a mais importante. Existem outras que acreditamos que podemos aperfeiçoar no processo de gestão do clube, em diversas áreas do clube, mais notadamente no futebol, no remo, e nos esportes olímpicos. Achamos que o clube precisa voltar a vencer.

'É mais uma questão de governança, de dividir os papéis e evitar que todo o processo fique concentrado na mão de uma única pessoa. Entendemos que, fazendo isso, reduzimos os riscos de contratações como tivemos, com o custo-benefício muito aquém do esperado pelo investimento'

L!: Quais os projetos para o departamento de futebol?

RL:
Tem muita coisa que pretendemos modificar no futebol. Vamos modificar um pouco a estrutura. Vamos mudar o nível de reporte das pessoas, da estrutura organizacional propriamente dita. Terá um diretor mais focado aos aspectos técnicos da base e profissional. Teremos outra área mais voltada para contratação, que daremos um pouco mais de independência. A área de performance, que é a preparação física, nutricionistas... Queremos que essas pessoas sejam mais independentes para verbalizar um parecer contrário a um jogador que não tenha as condições ideais para se tornar um atleta do Flamengo.

Queremos que a área de inteligência de mercado, que hoje está lá, seja divida em duas partes. Uma parte que faça a avaliação dos profissionais internos. E terá uma outra área que faça a análise do mercado propriamente dito, que, eventualmente, buscará um profissional quando entendermos que não há um jogador com as características necessárias na base. Esse pessoal não reportará para o mesmo cara que está solicitando esse reforço.

É mais uma questão de governança, de dividir os papéis e evitar que todo o processo fique concentrado na mão de uma única pessoa, independentemente da qualidade e seriedade. Entendemos que, fazendo isso, reduzimos os riscos de contratações como tivemos, com o custo-benefício muito aquém do que seria esperado pelo valor do investimento.

'O que temos como pleito, e desde 2013, é de não ser apenas o artista. Entendemos que sabemos e gostaríamos de operar o Maracanã. Sozinho ou em consórcio. Estive com o governador eleito tivemos uma longa conversa e gostei muito. Acho que tem um caminho aberto nesse sentido'

L!: E quanto a estádio?

RL:
São três linhas de ação, sendo duas ligadas ao Maracanã. O Flamengo, hoje, tem um contrato vigente com o Maracanã por mais dois anos e o que pretendemos fazer é renegociar para melhorar esse contrato. Existem melhorias que podemos fazer neste contrato que podem beneficiar ambas as partes. Fizemos essa proposta quando esse contrato foi apresentado ao Conselho Deliberativo. Pessoalmente, levantei isso no Deliberativo. As pessoas entenderam o que falei e me apoiaram. A proposta era de quatro anos, mas o Conselho Diretor disse que não tinha condição de renegociar isto naquele momento. O que conseguimos foi fruto do que mostrei para os conselheiros. Então, o contrato foi reduzido. Para mim, é óbvio que pode ser melhorado.

A segunda coisa não é especificamente neste molde de contrato, já que recentemente houve uma decisão judicial contrária ao contrato que foi assinado. É preciso conversar com o poder concedente. O que temos como pleito, e desde 2013, é de não sermos apenas os artistas. Entendemos que sabemos e gostaríamos de operar o Maracanã. Sozinho ou em consórcio. Estive com o governador eleito (Wilson Witzel, PSC), tivemos uma longa conversa e gostei muito. Acho que tem um caminho aberto nesse sentido. Isso permitiria melhorar o contrato, ainda mais como operador.

E há a linha de buscar um estádio novo. O que posso afirmar é que não é do meu feitio fazer factoide. Não vamos ficar toda hora comprando opção de terreno. Não faremos isso. É uma equação complexa, envolve um investimento grande. Calculamos que um estádio para 40 mil lugares, dependendo do local do terreno, pode sair por R$ 600 milhões ou R$ 700 milhões. É muito dinheiro e temos uma preocupação com a capacidade de endividamento e o impacto na operação normal do clube. Na dificuldade em montar boas equipes e ganhar campeonato, que, no fundo, é o que queremos. Quero ser campeão, acima de tudo.

Não está descartado (estádio próprio). É uma alternativa que estudaremos em paralelo, mas não faremos loucura. Um exemplo claro foi a Ilha do Urubu. Foi pedido um empréstimo de R$ 13 milhões para ter uma alternativa e jogar na Ilha do Governador. Gastamos R$ 20 milhões naquele projeto e jogamos 20 jogos. Um custo médio de investimento de R$ 1 milhão por jogo, mais o custo de operação similar ao do Maracanã, se não maior. Isso não faremos. No fundo, o que se fez foi queimar R$ 20 milhões. Jogou-se no lixo. Essas soluções não faremos. Se, eventualmente, vier uma solução, será estruturada com início, meio e fim, não uma solução tapa buraco.

L!: Qual será a política adotada para os preços dos ingressos?

RL:
 (Em 2013) Era uma época em que tínhamos uma receita muito menor, precisávamos pagar contas vencidas, impostos que até nos permitiriam receitas adicionais, como projetos incentivados. Coisas que, pelo fato de não termos a CND (Certidão Negativa de Débito), estávamos incapacitados de ter. A prioridade foi buscar as certidões, para poder incentivar o esporte olímpico, que tinha um custo elevado à época, estabilizar e, digamos, administrar os recursos adicionais para manter um time razoável. Buscando receitas adicionais, como o sócio-torcedor, patrocínio... Era uma época difícil em que o Flamengo estava passando. Não tínhamos patrocinador. Então, procuramos ampliar a receita de marketing e todo dinheiro que entrava era muito importante, pois tínhamos um passivo enorme a pagar.

Era um momento em que a receita da bilheteria tinha de ser utilizada. É fácil de explicar. Em um jogo de 60 mil ingressos vendidos a R$ 10, teremos uma renda de R$ 600 mil. Em um jogo de 40 mil ingressos vendidos a R$ 30, teremos uma receita de R$ 1,2 milhão. Se botar a R$ 40, o público cai muito. A precificação, então, era em cima dos R$ 30, que nos dava a maior receita. Isso se chama "função objetiva", e a nossa passou a ser otimizar a receita de bilheteria, pois tínhamos contas a pagar, apesar de termos a consciência de que o estádio cheio cria um ciclo virtuoso. Mais rubro-negros empurrando time, maior probabilidade da vitória. Mais vitórias animam a torcida a ir ao próximo jogo. Sabíamos disso, mas o problema é que tínhamos um problema imediato, precisávamos honrar as dívidas e buscávamos maximizar a receita de bilheteria, independentemente de levar o maior público ao estádio.

A situação que o Flamengo vive hoje é diferente. Teremos R$ 600 milhões de caixa e tivemos receitas adicionais não previstas com vendas de jogadores, que acresceu no fluxo de caixa cerca de R$ 90 milhões. A receita do Flamengo é muito maior do que isso. O que entendemos, hoje, é que o benefício que teremos ao ter o estádio cheio, empurrando o time, compensa reduzir o preço do ingresso e manter o estádio lotado o tempo todo. A perda de receita será compensada com o benefício técnico que teremos. No fundo, queremos ganhar campeonatos. Mesmo perdendo renda, vamos tornar o ingresso mais barato. Estamos convencidos do impacto positivo que isso traz para o desempenho do time.

L!: Quais as ideias pretende implantar no programa de sócios?

RL:
Existem mudanças que precisam ser feitas mais no sentido de melhorar a disponibilidade do produto a quem o adquirir. Troca do ingresso, pontos de distribuição... Um pouco ligada a parte tecnológica e de logística de distribuição que temos de melhorar. Isso é um ponto.

Tem também a parte da estrutura do sócio-torcedor. Queremos usar essa ferramenta pela qual possamos identificar o torcedor mais fiel ao clube e premiá-lo. Estamos pensando como. Quando passar a Copa América, pretendemos retirar as cadeiras do Maracanã. Com isso, aumenta o número de assentos e podemos criar um setor popular, onde queremos associar a prioridade de compra para esse setor à fidelidade que o sócio-torcedor vier a ter. Queremos reservar uma parcela dos ingressos para esse grupo, pois entendemos que isso é importante.

O Flamengo é uma mistura de tudo. Tem o torcedor 'raiz' e de elite. Flamengo é tudo isso. Tem uma torcida com o mesmo percentual nas classes A, B, C, D e E. Isso é muito importante e é preciso cultivar isso. O povo, bem representado nas diversas classes sociais, é Flamengo. Temos que dar oportunidade a todos de estarem no estádio.

L!: Em sua gestão, como será a relação com organizadas?

RL:
Gostamos das organizadas. Vemos os benefícios e um colorido todo especial que trazem para o espetáculo. Existem série de limitações que a própria legislação impõe aos clubes na forma de se relacionar com as torcidas e, obviamente, seguiremos isso. O que tiver ao nosso alcance para embelezar e fazer do jogo um grande espetáculo, vamos trabalhar e ajudar. É do nosso interesse também. Não podemos ficar felizes quando vemos cenas de torcida brigando, é óbvio que nos entristece. Não podemos concordar com esse tipo de comportamento, mas são algumas pessoas. Gostamos e achamos importante que as torcidas organizadas frequentem os estádios. Quando garoto, eu ia ao Maracanã e ficava junto às torcidas. É ali que puxam os cantos e de onde se incentiva o time.

L!: Quais os projetos para os Esportes Olímpicos?

RL:
Tivemos um movimento em 2013, 2014, nos primeiros anos, em que conseguimos estabilidade em captação e despesas nos esportes olímpicos com objetivo de crescer e ter mais investimento. A nossa percepção é que isso acabou um pouco, porque a prioridade e foco foi dado a um único esporte olímpico (basquete). O vice-presidente de esportes olímpicos trabalhou no Flamengo nesse esporte. O diretor de esportes olímpicos também veio desse esporte. O time desse esporte consome mais da metade dos recursos e tem contratos com atletas bastante caros. Então, esse esporte fica com uma despesa fixa comprometida e, no momento em que você não consegue mais captar, canaliza os recursos. Você imaginava que captaria mais recursos, mas frustra essa captação. Porém, nos outros esportes, já tem um compromisso garantido, que são os salários e o Flamengo precisa honrar com isso. Então, o que você faz é cortar o que é possível, que são as verbas para inscrever atletas em competições, por exemplo. É um pouco disso que enxergamos. Quando olhamos para o balanço do clube, vemos um déficit muito forte nos esportes olímpicos.

A primeira coisa que precisamos fazer é aumentar a receita. O que preocupa é que não vemos iniciativa com gente da área de marketing trabalhando para buscar patrocínio para os esportes olímpicos. E é até compreensível, se deixar rolar solto, que ninguém queira. No futebol, um esporte com uma visibilidade muito grande, esse patrocínio terá um valor maior. Só que qualquer R$ 200 mil pode ser muito dinheiro para os esportes olímpicos. Não é pouco. Temos que colocar gente focada nisso. Essa pessoa se paga e sobra recurso para os esportes olímpicos. O Flamengo sempre atrai interesse, tem uma marca muito forte.

Isso é uma coisa que faremos. Vamos dedicar gente na área de marketing para aumentar a receita e evitar, assim, contingenciamentos, que são cortes de orçamento por conta do compromisso de honrar as despesas de outro esporte.

No nosso plano também definimos um percentual mínimo para os esportes olímpicos. Entendemos que o orçamento do Flamengo já permite isso. Vamos trabalhar melhor quando tivermos os planos de cada esporte olímpico.

L!: Em relação à sede da Gávea...

RL:
Pretendemos mudar uma série de coisas. A Gávea, no fim de semana, fecha às 17h. É um negócio engraçado. O dia em que as pessoas podem relaxar, o clube fecha mais cedo. Por que não tem gente no clube? Nós vemos que a qualidade do serviço oferecido ao sócio não o atrai para ficar no clube. Algumas coisas nos ajudarão. O aforamento obtido com a permissão da exploração de algumas atividades para sócios e não-sócios vai criar uma demanda de, por exemplo, uma boa academia e um restaurante. O sócio vai ter seu benefício ou preço diferenciado, mas isso permitirá que serviços adicionais sejam feitos para reter o sócio no clube. Essa é uma das reclamações dos sócios. Não tem um lugar decente para comer, por exemplo.

Queremos fazer também uma série de atividades direcionadas às famílias. Se não há uma atividade social para manter as pessoas, as pessoas não ficam no clube. Queremos fazer atividades voltadas para as mulheres, um Projeto do Fla-Mulher. Queremos criar projetos sociais para a família, como um todo, para incentivar o sócio. As coisas estão associadas: melhoria da estrutura do clube, aforamento que permite a atração de algumas atividades e também festas. Estamos conversando com algumas pessoas, como o Carol Sampaio, que vai estar nos auxiliando a criar uma série de ações no Flamengo. Já estamos trabalhando bastante para levar e reter o interesse das pessoas na Gávea. Queremos melhorar a qualidade da vida social dentro do clube.

'O Flamengo é o maior clube do país. E, como tal, tem de participar e liderar todo processo de discussão de transformação e de melhoria do futebol brasileiro. É impossível fazer isso sem as relações com as entidades representantes do esporte'

L!: Em sua gestão, como pretende trabalhar a relação com Ferj, CBF e Conmebol?

RL:
O Flamengo é o maior clube do país. E, como tal,  tem de participar e liderar todo processo de discussão de transformação e de melhoria do futebol brasileiro. É impossível fazer isso sem as relações com as entidades representantes do esporte. É uma atitude extremamente errada não falar com as entidades por conta de questões pessoais. No momento em que você é presidente do Flamengo, você deixa de ser uma pessoa física e passa a ser uma pessoa jurídica. O presidente pode ter sua avaliação a uma pessoa que ocupa determinada função na Ferj, CBF ou Conmebol, mas o Flamengo precisa se relacionar profissionalmente, e muito bem, com todas entidades. O Flamengo faz parte do processo, como um todo, e tem papel transformar daquilo que entende como errado. Precisa ser um agente de mudança.

Nos contatos que estamos tendo com algumas pessoas ligadas a essas entidades, o 'feedback' que recebemos não é bom da forma com que o Flamengo se comporta. As críticas são inúmeras. As pessoas reclamam que o Flamengo não procura as federações para discutir eventuais problemas. Na vida profissional, temos de buscar as soluções. Isso tem sido uma das críticas que ouvimos continuamente, independentemente do lugar.

Outra reclamação é de que o Flamengo tem uma visão mesquinha do processo. Ou seja, de que o Flamengo quer ganhar mais fazendo com que os outros percam. Isso envolve os clubes também. Se queremos transformar o futebol brasileiro e elevar o Flamengo a um patamar de um grande clube com condições de disputar mundialmente, a primeira coisa que precisamos entender é de que é impossível fazer isso se o valor do produto do futebol brasileiro não crescer. É preciso criar um campeonato que seja vendável para outras praças. Estamos atrasados, perdemos espaço nas grades de programação. Só internacionalizando as nossas marcas e o nosso campeonato é que conseguiremos atingir um mercado maior, ter uma receita maior e manter os nossos craques aqui. Se não, seguiremos sendo exportadores de grandes talentos. Para mim, é um tremendo problema.

Fico imaginando se seria possível manter um time como a nossa geração de ouro no mercado de hoje. Acho que seriam comprados e levados todos para o exterior. Eram grandes craques. Quero voltar a ter essa geração de ouro. Me incomoda muito ver o que aconteceu com o Vinícius Júnior, Lucas Paquetá... Queria té-los jogando no Flamengo. Historicamente, o prata da casa cria uma relação muito grande com a torcida. Para isso, precisamos transformar o futebol brasileiro e só conseguiremos isso em harmonia com os representantes das federações e dos clubes. É fundamental que isso possa ocorrer e o Flamengo, pelo tamanho, liderar esse processo de transformação. Se não for o Flamengo a liderar, quem vai liderar?

L!: O que pensa sobre o calendário do futebol brasileiro e sobre a Primeira Liga?

RL:
Temos de conversar sobre a Liga e a CBF. Conversando que se entende. Acho que podemos ter uma solução boa passando pela CBF. Tive uma conversa com o futuro presidente (Rogério Caboclo). A impressão que tive foi a melhor possível. Uma pessoa com bom nível de formação e intelectual, que entende de negócio. Está querendo fazer um processo de transformação. Sabe da importância e da necessidade de isso ser feito. Então, estou muito otimista com o que podemos ter no futebol brasileiro nos próximos anos. A visão de negócio, a disposição de ouvir e discutir com os clubes... Fiquei muito bem impressionado. Acho e espero que vamos ter um bom interlocutor do outro lado da mesa. Pelo menos uma pessoa aberta a ideias novas e com intenção de transformar o futebol brasileiro em algo maior, melhor e com mais valor. É assim que poderemos aumentar a qualidade do espetáculo que temos.

'Uma (mudança) que vou propor é a não reeleição. Valerá para mim. Temos visto que o sujeito ser candidato à reeleição, de uma forma geral, não é legal em cargos executivos. Chega um momento que começa a trabalhar para manter-se no cargo ao invés do benefício do que ele está representando'

L!: Pretende colocar algum ponto do Estatuto em discussão?

RL:
Tem várias coisas que, como posso dizer, é bola quicando na cara do gol. Algumas são bem polêmicas e precisam ser discutidas de forma transparente e democrática dentro do clube. Sinto que tem posições muito a favor e muito contrárias. O Flamengo tem um colégio eleitoral de 8 mil e poucas pessoas. Muita gente pergunta porque sócio-torcedor não vota. Tem condições que permitiriam que o sócio-torcedor votasse, mas isso tem de ser discutido com quem, hoje, é sócio e vota no Flamengo. Há uma série de mudanças a serem discutidas e que envolvem um amadurecimento da discussão. O mais importante é de que essas mudanças só podem ser feitas, de fato, se forem do interesse de maior parte dos associados do clube.

Uma delas que vou propor é a não reeleição. Uma vez aprovada agora, não poderia valer na próxima eleição pois impediria um direito já adquirido por quem foi eleito. Só valeria para o próximo. Mas valerá para mim. Temos visto que o sujeito ser candidato à reeleição, de uma forma geral, não é legal em cargos executivos. Chega um momento, perto do final, que começa a trabalhar para manter-se no cargo ao invés do benefício do que ele está representando. No caso, os interesses do Flamengo. Vimos isso acontecer recentemente e acho isso muito ruim. Vou tentar encaminhar essa mudança no estatuto: que o cargo seja de três anos sem a reeleição. Assim, ficará 100% do tempo focado em tentar fazer o melhor para o Flamengo, não para aquilo que possa o reelegê-lo. Não são, necessariamente, a mesma coisa. Depois de três anos buscando o melhor para o Flamengo, que venha alguém do grupo dele, se tiver feito um bom trabalho, assuma a vez. Eu vejo assim.

L!: Uma mensagem à torcida

RL:
O que mais nos move a participar do todo processo é por que nós queremos resgatar o Flamengo de volta. O Flamengo que tem vontade ganhar e não aceita perder. E não o Flamengo acomodado que tenho visto, com o mesmo discurso ganhando ou perdendo, aceitando a derrota com naturalidade, o Flamengo que não fica indignado com nada. Esse não é o clube pelo qual eu me apaixonei. A torcida pode estar certa do seguinte: a atitude vai mudar porque vai começar de cima, vai começar mudando de mim. Não terá espaço para acomodação. As cobranças virão e as pessoas sentirão isso. Quem é acomodado não é para ficar no Flamengo. Esse é o recado que tenho para elas. Podem acreditar: vamos mudar esse estado de espírito que o Flamengo tem hoje, que é o que mais me incomoda. E vamos voltar a ser campeão!

QUEM É:

Nome: Luiz Rodolfo Landim Machado

Chapa: Roxa

Ocupação: Engenheiro e empresário

Cargos anteriores: Vice-presidente de Planejamento (primeiro mandato Bandeira)