Clima hostil, pressão e catimba: Luiz Antônio relembra duelo do Flamengo contra o Lanús
Meia esteve presente nos dois jogos contra o time argentino em 2012
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BUENOS AIRES (ARG) - O Flamengo visita o Lanús na noite desta quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), pelo jogo de ida da Recopa Sul-Americana. O confronto será no Estadio Ciudad de Lanús, casa da equipe argentina. Esta será a segunda vez que o time brasileiro encara o adversário sul-americano no local. O primeiro, e até então único, confronto entre as equipes na La Fortaleza aconteceu em 2012, pela Libertadores. Para relembrar esse jogo, o Lance! entrevistou com exclusividade o ex-jogador do clube carioca Luiz Antônio, que atualmente atua no Vietnã.
O meio-campista relembrou as dificuldades que o Rubro-Negro encontrou em campo no empate por 1 a 1, além do ambiente hostil tanto do lado de fora quanto dentro do estádio do Lanús.
- Lembro que foi jogo um jogo truncado e difícil. Um empate em 1 a 1, num campo pequeno, a torcida bem em cima, no alambrado. Típico de futebol argentino mesmo, catimba e briga. Controle de jogo da nossa parte, e ao mesmo tempo aquele controle deles, aquela pressão, árbitro influenciando em certo momento. Quando a gente chega no estádio, aquela pressão da torcida no corredor, batendo no ônibus, jogando lata de cerveja, copo e pedra, aquela catimba que tem. Quando entramos dentro do estádio fomos vaiados - iniciou Luiz Antônio, ex-jogador do Flamengo.

- Foi um jogo difícil, complicado. Esse foi um dos maiores desafios, aquela pressão, aquela atmosfera que os argentinos colocam de final de campeonato quando jogam contra a gente, aquela rivalidade entre Brasil e Argentina, que é muito grande, que eles não querem perder por nada. Um jogo difícil de Libertadores, eles levaram como uma final. É bem complicado, se não tiver bem preparado, mental forte, fica difícil. Graças a Deus a gente conseguiu ir lá e conseguimos obter um bom resultado - completou o meia.
Segundo Luiz Antônio, é necessário ter mental forte para encarar uma equipe como o Lanús e atuar em um estádio com as características da La Fortaleza.
- Impacta, a torcida pressiona. É um campo apertado, torcida bem perto. Quando bate o escanteio, aquela pressão. Uma atmosfera diferente, eles o tempo todo gritando, acompanhando, influenciando o juiz, influenciando os jogadores. Dá um algo a mais, um estímulo a mais para eles. Se nós não tivermos a cabeça no lugar, a cabeça forte, mental forte, a gente é influenciado por isso - opinou.
Para ele, o Flamengo conta com um elenco muito experiente, repleto de jogadores renomados do futebol europeu, capaz de lidar perfeitamente com esse tipo de situação.
- O time do Flamengo de hoje vai saber lidar muito bem com tudo que a gente passou naquela época lá de 2012. São situações diferentes, estilo de jogo diferente de hoje em dia, futebol jogado de uma forma diferente, elencos diferentes. O Flamengo tá cheio de jogadores recheados que jogaram na Europa e estão acostumados com pressão, então acredito que o Flamengo tem tudo para ir lá e se dá bem - analisou Luiz Antônio.

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Jogo no Rio contou eliminação dramática do Flamengo na Libertadores
Após a primeira partida entre os times na Argentina, Flamengo e Lanús voltaram a se enfrentar, dessa vez no Rio de Janeiro, no Estádio Nilton Santos, à época chamado de Engenhão. O Flamengo precisava vencer e ainda dependia de outros resultados para avançar de fase.
Em campo, o Rubro-Negro fez o seu papel: venceu por 3 a 0, com gol, inclusive, de Luiz Antônio (Welinton e Deivid também marcaram). Entretanto, por conta do resultado envolvendo Emelec e Olimpia, o Flamengo acabou eliminado da competição. Para o meia, aquela noite foi marcada por um misto de sensações, já que ele conseguiu balançar a rede, mas viu o Flamengo se despedir do torneio.
- Um mix de emoção. Fiz o gol naquele jogo, fizemos 3x0, achávamos que estávamos classificando. Fizemos nossa parte, dependia do jogo do Emelec. Depois, aquela situação toda de assistir o jogo ali, estar ali comemorando a classificação de certa forma, e no finalzinho tomar aquele balde de água fria. Foi complicado, é um mix sim de emoções. Alegria que depois no final virou tristeza, não conseguimos nos classificar, mas serve de aprendizado, serviu para gente naquele momento e de certa forma serve para o Flamengo entrar ligado, sabendo que libertadores você não pode dar mole em um jogo. Todos são finais, se você não entrar com essa mentalidade, com esse pensamento, você pode acabar tropeçando. Momento lá, saí muito feliz pelo gol, mas depois triste por não ter conseguido a classificação mesmo com a vitória - disse Luiz Antônio ao Lance!.

Momento da carreira
Com passagens por outros clubes do futebol brasileiro, além do Flamengo, Luiz Antônio está fora do país há algum tempo. Na Ásia, já atuou na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e na Tailândia. Atualmente, como citado, joga no Vietnã. Ao lado da família, o jogador se diz feliz com o momento que vive no país asiático, mas não fecha as portas para um possível retorno ao futebol brasileiro.
- Estou na Ásia já faz um tempo. Da Arábia Saudita para os Emirados, dos Emirados para a Thailândia. E, agora, estou aqui no Vietnã, vou completar três anos em agosto de 2026. Então, no Vietnã está sendo uma passagem mais consolidada, de mais tempo dentro do país, títulos. Mesmo os dois primeiros anos do meu time sendo um time pequeno, conseguimos dois títulos quase inéditos. Isso foi importante, que cravo meu nome no país, troquei de time, vim com a responsabilidade maior. Mais feliz por não estar sozinho no país, porque os últimos dois anos tive que ficar sem minha família, sem meus filhos, então, é um pouco complicado. Está sendo positivo essa parte da minha carreira aqui na Ásia, bem legal, pretendo ficar aqui mais um tempo - iniciou.

- Quem sabe, nunca fecho portas para voltar pro Brasil, mas devido às situações que tesá acontecendo no país, entre clubes e a situação dos últimos anos que tenho jogado aqui no Vietnã, que não é tão bem visto assim no Brasil em relação a níveis, mas isso vale muito mais para qualidade de jogador. Nunca fecho a porta pra voltar pro Brasil, mas por enquanto penso em continuar aqui mais um tempo, fortalecendo esse laço com a Ásia, sendo melhor para viver com meus filhos, para eles estudarem e conhecerem, aprenderem uma língua diferente, melhorar o inglês deles e o modo de viver (...) O futebol brasileiro sempre está no meu coração, eu gosto, eu sou um cara competitivo, acredito que ainda, mesmo com 34 anos agora, tenho um espaço de tempo grande para pensar em aposentadoria - complementou.
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