Rodolfo Landim - Flamengo

O presidente Rodolfo Landim assumiu o clube em janeiro de 2019 (Foto: Marcelo Cortes / Flamengo)

Matheus Dantas
17/12/2020
11:25
Rio de Janeiro (RJ)

O orçamento de 2021 do Flamengo, aprovado pelo Conselho de Administração na terça-feira, prevê receita bruta de R$ 953 milhões, dos quais R$ 100 milhões são provenientes de bilheteria e R$ 168 milhões de vendas de jogadores. Os números geraram debate e posicionamento de grupos políticos do clube, os quais questionam se há um "otimismo exagerado" na previsão feita para o próximo ano, que ainda conta com cenário incerto pela pandemia da Covid-19.

Em relação às receitas com bilheteria e repasse de direitos federativos, o clube só alcançou os valores estipulados quatro vezes desde 2010, de acordo com os demonstrativos financeiros disponíveis no site oficial. Aconteceu em 2017, 2019 e 2020, com a arrecadação de vendas superior a R$ 168 milhões, e novamente no ano passado, com o montante com bilheteria superando os R$ 100 milhões.

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No orçamento, a diretoria acredita que, a partir de abril, a Nação poderá voltar a ocupar as arquibancadas do Maracanã e, desta forma, "repetir o feito" de 2019, quando o Flamengo atuou na maior parte de seus jogos como mandante com o estádio lotado. Foi o ano de maior arrecadação anual com bilheteria do clube, impulsionado pelos investimentos e expectativa gerada, além dos resultados esportivos, especialmente a partir de julho, já com Jorge Jesus.

A soma dessas circunstâncias não é vista com tamanho otimismo por todos no Flamengo. Ainda não há uma data estipulada para o início da vacinação na população brasileira, tampouco para o retorno do públicos aos estádio no Rio.

Quanto à venda de jogadores, o Flamengo superou os R$ 168 milhões orçados em temporadas que Lucas Paquetá, Vinícius Júnior e Reinier foram negociados pelas maiores cifras da história do clube, além de outros atletas que também renderam altas cifras ao cofres rubro-negros, como Jorge, Vizeu e Léo Duarte.

"Apostar alto" em tal receita não recorrente, ainda mais em um mercado global impactado pela pandemia do coronavírus, no qual não se conhece ao certo os impactos disso na próxima janela de transferências internacional, também foi visto como certo otimismo exagerado por parte dos grupos políticos do clube.

Confira os valores arrecadados pelo Flamengo com bilheteria e repasse de direitos federativos desde 2010, conforme demonstrativos financeiros do clube:

2010
Bilheteria - R$ 17,316 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 778 mil

2011
Bilheteria - R$ 14,482 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 5,323 milhões

2012
Bilheteria - R$ 9,452 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 11,479 milhões

2013
Bilheteria - R$ 48,298 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 507 mil

2014
Bilheteria - R$ 40,083 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 19,737 milhões

2015
Bilheteria - R$ 43,676 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 11,634 milhões

2016
Bilheteria - R$ 39.337.000,00
Repasse de Direitos Federativos - R$ 11.995.000,00

2017
Bilheteria - R$ 62,276 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 183,069 milhões

2018
Bilheteria - R$ 44,700 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 63,762 milhões

2019
Bilheteria - R$ 109,049 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 294,597 milhões

2020*
Bilheteria - R$ 21,838 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 195,233 milhões

Orçado para 2021
Bilheteria - R$ 100 milhões
Repasse de Direitos Federativos - R$ 168 milhões

* Valores retirados do boletim financeiro do terceiro trimestre de 2020, uma vez que o ano ainda não finalizado. Nesta temporada, contudo, vale ressaltar que a pandemia do coronavírus impactou diretamente na receita de bilheteria, uma vez que jogos estão sendo realizados sem a presença de torcida desde março.