Bandeira de Mello - Presidente do Flamengo

Bandeira de Mello foi presidente do Flamengo entre 2013 e 2018 (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Lazlo Dalfovo e Matheus Dantas
12/12/2019
16:30
Rio de Janeiro (RJ)

O sucesso em campo, com títulos, e a grande capacidade de investimento do Flamengo fazem com que o clube da Gávea seja visto como exemplo de reestruturação e reorganização por diversos clubes no Brasil. O ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello, que comandou a "revolução" feita no Rubro-Negro - nas palavras do próprio dirigente em entrevista ao LANCE! - a partir de 2013, diz ter sido procurado por vários dirigentes de clubes brasileiros, mas descartou a possibilidade de assumir cargos nos rivais cariocas, por exemplo.

De acordo com Bandeira de Mello, há torcedores e dirigentes botafoguenses, tricolores e vascaínos capazes de conduzirem os respectivos clubes a boas gestões. Se colocando na "contramão" da governança do futebol brasileiro, o ex-presidente do Flamengo, contudo, afirma que jamais se negará a conversar e ajudar qualquer dirigente que o chame, assim como foi ajudado quando assumiu o cargo no Rubro-Negro.

- Muita gente me procura informalmente. Eu converso. Muita gente me ajudou enquanto eu estava na presidência do Flamengo, conversei com muitos dirigentes que me ajudaram. Não vejo problema nenhum. Mas, agora, falam, por exemplo, que eu poderia trabalhar no Botafogo. Eu não vou trabalhar no Botafogo porque sou Flamengo. Não apenas nos rivais do Rio. Tenho vários amigos botafoguenses, tricolores, vascaínos que têm amplas condições de chegarem lá e fazerem bons trabalhos. Não precisam de mim, mas conversar, ajudar, eu jamais vou me negar. A governança do futebol brasileiro é algo que eu posso ajudar muito, mas estou na contramão. Considero uma vergonha nossas entidades de administração do esporte, e acho que, assim como o Flamengo tinha 40 milhões de torcedores para dar exemplo, o Brasil tem 200 milhões de pessoas para dar exemplo e, infelizmente, o futebol brasileiro é extremamente mal gerido do ponto de vista ético e moral. Esse tipo de coisa eu poderia ajudar, mas ninguém quer que eu ajude - afirmou Bandeira de Mello.

'Clubes, em caráter oficial, apenas o Joinville. Estive lá. Agora vários dirigentes me chamaram, mas não citarei nomes porque isso pode os tornar malditos em seus clubes. Do Rio ou de outros estados, mesmo enquanto eu era presidente do Flamengo', afirmou Bandeira de Mello.

Durante sua gestão, Eduardo Bandeira de Mello foi uma das vozes entre os presidentes da Série A que "bateu de frente" com a CBF, liderando, por exemplo a criação da Primeira Liga. Já na última eleição da entidade, em abril de 2018, o Flamengo foi um dos três clubes que não votou em Rogério Caboclo, candidato único e atual presidente da CBF.

Na entrevista ao L!, o ex-mandatário rubro-negro falou sobre a "luta" com a CBF durante os seus mandatos.

- A CBF tem pessoas extremamente qualificadas lá dentro, inclusive amigos meus. A questão não é um problema com as pessoas, mas acho que o modelo está errado. A governança está totalmente errada. Acho que isso não é um bom exemplo. Além de ter burlado a vontade do legislador e mudado a assembleia geral da entidade foi uma vergonha e desnecessário. O atual presidente (Rogério Caboclo), que é um bom executivo, teria sido eleito da mesma maneira se fossem 40 votos dos clubes e 27 das federações. Vários clubes seguem as orientações das federações. Não teria nenhum tipo de problema para ele ser eleito e seria eleito com muito mais legitimidade. Acho ele um bom executivo, já o falei isso. Ele pediu para eu votar nele, eu disse que não, apesar de não ter nada contra pessoalmente ou profissionalmente, e sim por uma questão de coerência. Foram só dois clubes que não votaram (o Fluminense se absteve, o Corinthians votou em branco e o Athletico não compareceu) - disse.