Foi o primeiro balanço da administração de Wágner Pires de  Sá, à esquerda, que iniciou o seu mandato em janeiro do ano passado

Wagner Pires de Sá e Itair Machado são os principais investigados de crimes praticados no Cruzeiro-(Vinnicius Silva/Cruzeiro)

Valinor Conteúdo
20/08/2020
20:51
Belo Horizonte

A Justiça mineira acatou um pedido conjunto do Ministério Público de Minas Gerais e da Polícia Civil, determinando o sequestro e bloqueio de bens do ex-presidente do Cruzeiro, Wagner Pires de Sá, do ex-vice-presidente de futebol do clube, Itair Machado, e do empresário Cristiano Richard dos Santos Machado. Na ação, o judiciário vai bloqueado R$ 16.233.183,08 do trio. O dinheiro bloqueado pela Justiça se refere a bens de Itair, Wagner e Cristiano nos seguintes valores:

-Sequestro de um bem imóvel de Itair Machado: valor de até R$ 4.442.166,76;
-Bloqueio de bens de Itair Machado: R$ 1.299.644,25;
-Bloqueio de bens de Wagner Pires de Sá: R$ 6.154.828,07;
-Bloqueio de bens de Cristiano Richard dos Santos Machado: R$ 4.336.544,00

O MPMG divulgou a ação em suas redes sociais e tem o objetivo de garantir futuro ressarcimento de danos ao clube. Ainda na nota publicada pelo órgão, o MPMG diz que "a decisão ressalta que há indícios suficientes de autoria delitiva e de crimes praticados e está realizando diligências complementares antes do oferecimento de denúncia à Justiça".

A Polícia Civil concluiu um inquérito no dia 10 de agosto, sobre diversos crimes cometidos no clube por ex-dirigentes e empresários. Foram sete pessoas indiciadas no caso: Wagner Pires de Sá, ex-presidente do Cruzeiro, Itair Machado, ex-vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Sérgio Nonato, ex-diretor-geral do Cruzeiro, Cristiano Richard dos Santos Machado, empresário do segmento de EPI, João Sérgio Ramalho, empresário de futebol,Wagner Cruz, empresário de futebol e Carlinhos Cruz, empresário de futebol.

Desvios para despesas pessoais

A Polícia Civil de Minas Gerais(PCMG) afirmou em seu relatório que o ex-vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, usou dinheiro desviado do clube, recebido de comissões em negociações de jogadores da Raposa para pagar dívidas pessoais. Em uma das negociações, do lateral-direito Mayke, que foi vendido para o Palmeiras em 2018, Itair recebeu uma quantia para quitar uma dívida com o técnico Marcelo Oliveira quando ele trabalhava no Ipatinga.

A informação contida no inquérito foi veiculada inicialmente pela TV Globo e confirmada pelo L! nesta quinta-feira, 20 de agosto.

À TV Globo, Marcelo Oliveira confirmou que recebeu o dinheiro de Itair por meio do empresário Carlinhos Sabiá, que fez parte do esquema do ex-dirigente para desvios de dinheiro da Raposa.

Em outra parte do inquérito que aponta as irregularidades no Cruzeiro, a Polícia Civil indica que além de pagar uma dívida com Marcelo Oliveira, Itair usou o dinheiro do clube para comprar uma cobertura que está avaliada em R$ 6 milhões, sendo que R$ 3,7 milhões vieram de desvios do clube celeste.

Outro empresário, Cristiano Richard dos Santos Machado, sócio de firmas que atuam na locação de veículos e de equipamentos de proteção, teria dado o dinheiro ao ex-vice presidente em troca de percentuais de atletas da Raposa, como Estevão William, o Messinho, que é menor de idade, gerando uma transação proibida pela FIFA.

Investigações

A Polícia Civil de Minas Gerais(PCMG) informou que concluiu na segunda-feira, 10 de agosto, a investigação que fazia de ex-dirigentes do Cruzeiro, que teriam práticas criminosas.

Wagner Pires de Sá, Itair Machado, Sérgio Nonato e, segundo o Globoesporte.com, mais quatro empresários que eram ligados ao clube - Carlinhos Sabiá, João Ramalho (João da Umbro), Wagner Cruz e Cristiano Richard - foram indiciados por irregularidades na administração de 2018 a 2019 na Operação “Primeiro Tempo”. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais, que ficará responsável por denunciar os investigados pela polícia.

A Polícia Civil emitiu nota comunicando que os três ex-dirigentes do e os quatro empresários responderão pelos crimes de apropriação indébita, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

-A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirma a conclusão do Inquérito que investigou irregularidades cometidas por administradores do Cruzeiro Esporte Clube. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).Três ex-dirigentes do clube e quatro empresários - três atuavam no futebol e um no ramo de Equipamento de Proteção Individual (EPI) - foram indiciados por apropriação indébita, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro-, dizia a nota da Polícia Civil.


A polícia mineira, o Ministério Público de Minas Gerais(MPMG) e a Polícia Federal investigaram irregularidades financeiras no clube como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, uso de empresas de fachada em operações financeiras e quebra de regras e da lei sobre a negociação de direitos econômicos de jogadores incluindo um jovem de 12 anos, o que é proibido pela lei brasileira.

Desde o dia 26 de maio de 2019, quando surgiram as denúncias, que o Cruzeiro vem sofrendo com uma crise institucional com a divulgação das supostas práticas criminosas de seus dirigentes.