Fabio, ao lado do presidente Sérgio Santos Rodrigues, já recebeu uma camisa em alusão aos 1000 jogos que está perto de completar com a camisa azul

Fábio estava na expectativa de completar 1000 jogos com a camisa celeste em 2022-(Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Valinor Conteúdo
06/01/2022
12:57
Belo Horizonte

O Cruzeiro se pronunciou de forma oficial sobre a saída do goleiro Fábio do clube após 16 anos na Raposa. No comunicado, o time mineiro dá sua versão para não renovar com o goleiro, que queria encerrar a carreira ficando mais um ano na equipe celeste.

Com 976 jogos pela Raposa, sendo o atleta com mais jogos na história do clube , não estará no elenco de 2022, encerrando assim, sua rica trajetória no time azul.
O arqueiro, de 41 anos, postou em suas redes sociais, um comunicado relatando que a atual diretoria, comandada por Ronaldo Fenômeno, não quis seguir com o seu trabalho nesta temporada.

Fábio relatou que fez de tudo para ficar, inclusive aceitando reduzir seu salário, mas que não houve um tratamento respeitoso com ele e nenhum interesse em sua permanência.

O jogador teve uma reunião com a nova diretoria da Raposa, na terça-feira, 4 de janeiro, porém, não houve um acordo entre as partes para para a permanência do arqueiro, maior ídolo do clube na história recente.

Houve uma renovação do seu contrato no fim de 2021 para mais uma temporada, mas com a nova gestão, todos os acordos estão sendo revisados para atender um teto salarial que o Cruzeiro pretende trabalhar daqui para frente.E, segundo o goleiro, mesmo aceitando reduzir o teto, não houve intenção na renovação do seu vínculo, que se encerrou em dezembro do ano passado.

Cruzeiro faz postagem de homenagem e gera revolta da torcida

A confirmação da saída de Fábio da Raposa não foi por nota oficial do clube mineiro. E sim, em postagens nas redes sociais do time celeste, que celebrou os anos do goleiro, que, em duas passagens, 2000, e de 2005 em diante, fez história com a camisa cruzeirense.


Nas redes sociais, muitos torcedores indicaram sua revolta prometendo cancelar o sócio-torcedor como forma de protestar pela saída do ídolo.


Confira o comunicado na íntegra

O Cruzeiro esclarece à sua torcida pontos importantes sobre a não renovação do goleiro Fábio. É fundamental lembrarmos que o Cruzeiro tem um desafio imenso de reorganização que precisa ser planejada e executada considerando a sobrevivência da entidade. Nesse sentido, a reestruturação precisa ocorrer em diversos campos: financeiro, organizacional, administrativo e, claro, esportivo. Muitas decisões não são populares mas precisam ser adotadas.

O projeto esportivo que vem sendo implantado considera critérios técnicos e a constituição de um plano de longo prazo para a instituição. As decisões no Departamento de Futebol visam a construção de uma equipe competitiva, sustentável e que esteja a altura da grandeza do clube. Foi exatamente um projeto nessas condições que foi apresentado ao goleiro de 41 anos, que o negou.

A proposta respeitava também a imprescindível responsabilidade econômica da entidade. Necessário ressaltar que, ainda assim, sendo Fábio o ídolo que é, um importante sacrifício econômico foi feito. Foi oferecido ao jogador um contrato que certamente extrapolava o razoável para um clube publicamente deficitário. Os termos desta proposta não foram aceitos pelo atleta e seu agente.

O Cruzeiro, desde o início e com enorme respeito, deixou claro que a proposta respeitava sua relevância e admirável história de 18 anos no clube. Fundamental esclarecer que o desejo do Cruzeiro era de ampliação de vínculo, embora não pelo mesmo prazo desejado pelo atleta. A proposta era de que Fábio pudesse, em campo, ao longo do Campeonato Mineiro, se despedir da torcida como ele e a própria torcida merecem. Inclusive, o Cruzeiro segue aberto para que inúmeras homenagens extracampo aconteçam.

Não é mais possível aceitar um perfil de administração que fez tantos clubes chegarem a um cenário de inviabilidade. O Cruzeiro tem clareza de que não há outra forma de manter a história de um dos maiores clubes de futebol do mundo que não seja com uma gestão responsável, com colaboradores e atletas que estejam plenamente alinhados a esse pensamento.