Venda de joia do Corinthians envolveu quitação de dívida; ex-presidentes trocam acusações

Augusto Melo e Duílio Monteiro Alves publicaram notas oficiais com críticas às gestões e explicaram venda do atacante Pedro ao Zenit

Pedro (Pedrinho) Corinthians x Red Bull Bragantino - Brasileirão Sub-20
Pedro em ação pelo Sub-20 do Timão (Foto: Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians)

Em nota oficial, o ex-presidente do Corinthians Augusto Melo, que sofreu um impeachment e foi deposto do cargo, se posicionou sobre o caso da negociação do atacante Pedro, joia da base alvinegra, que foi vendido em 2023 ao Zenit, da Rússia, e depois teve o restante do seu percentual também negociado pelo alvinegro.

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A situação ganhou contornos polêmicos quando foi constatado que o Corinthians vendeu 30% do passe de Pedro no ano passado e agora não poderá lucrar R$ 66 milhões com a venda do jogador da Rússia para o Al-Ittihad, da Arábia Saudita. A negociação dessa fatia mantida foi feita sob a gestão Augusto Melo, enquanto a venda inicial do atacante doi em 2023, com o comando de Duílio Monteiro Alves. O ex-dirigente explicou e se defendeu de que teria feito a negociação "na surdina".

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Melo inicia destacando que a venda dos 30% foi feita com o objetivo de tentar reequilibrar as contas do alvinegro e abater de uma dívida história que o Corinthians tem com empresários de futebol, entre eles Fernando Garcia, dono da agência Elenko Sports, que administra a carreira do atacante de outras ex-joias da base alvinegra.

Quando Augusto Melo procurou o Fernando Garcia e o Zenit para a venda dos 30%, o objetivo era quitar a dívida acumulada do Corinthians com a agência de atletas e que o clube russo pagasse um valor a mais pela negociação complementar à anterior, feita ainda no comando Duílio Monteiro Alves como presidente. Ao portal "ge" a Elenko confirmou que havia uma dívida e que o dinheiro da venda dos 30% de Pedro foi abatido do montante. As cifras, porém, foram mantidas em sigilo.

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- Como sempre foi de conhecimento público, as dívidas que o Sport Club Corinthians Paulista tinha com empresários de jogadores de futebol eram astronômicas. A gestão do presidente Augusto Melo fez o possível e o impossível para que pudesse arcar com esses valores, deixados por gestões anteriores. O valor da porcentagem do atleta Pedro foi negociado com o empresário Fernando Garcia e o clube em que o atacante atuava. Valores estes que foram abatidos da enorme dívida do Corinthians com a Elenko Sports - diz Augusto Melo em nota.

O ex-presidente ainda destaca que toda a negociação sobre a venda do restante do passe do atacante passou pelos departamentos jurídicos e financeiro e garantiu que nenhuma decisão do presidente passava sem anuência dos setores.

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Melo citou uma outra publicação feita por Duílio Monteiro Alves, onde o também ex-presidente cita que Augusto não teria sido transparente. A nota oficial de Augusto Melo afirma que a responsabilidade de explicar a venda de Pedro e outros atletas do clube é da gestão anterior. Classificou-as como "obscuras" e uma "herança maldita".

- Diferente do que foi dito pelo ex-presidente, nada foi escondido ou feito na surdina. O ex-presidente que precisa explicar como fez todas essas vendas obscuras de atletas das categorias de base. Por essas e outras que as contas dessa gestão precisam ser abertas para que tudo seja muito bem esclarecido. Augusto Melo sempre prezou pelo Clube e por pagar as dívidas que foram adquiridas por pessoas que estiveram no poder antes dele. Os departamentos responsáveis faziam de tudo para arcar com essa herança maldita que foi deixada - diz a nota oficial de Augusto Melo.

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Em suas redes sociais, Duílio afirma que fará um requerimento ao Conselho Deliberativo do clube para divulgar as informações da negociação do atacante em 2023, sob sua gestão. A posição dos ex-presidentes corroboram com o cenário de que o Corinthians não tinha uma dívida com Zenit em si, mas sim com a Elenko Sports, um montante que foi quitado.

- Farei um requerimento ao Conselho Deliberativo a fim de que essa informação seja esclarecida e que não se usem desculpas esfarrapadas para encobrir e justificar decisões totalmente lesivas - diz Duílio, que cutuca a segunda negociação, comandada por Melo em 2024.

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➡️ Venda de joia na gestão Augusto Melo impede Corinthians de receber R$ 66 milhões

Pedro (Pedrinho) - Treino Corinthians
Pedro foi vendido pelo Corinthians em 2023. (Fotos: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Outros atletas envolvidos na negociação

Em 2022, quando o Corinthians contratou Yuri Alberto do próprio Zenit, a negociação envolveu outros nomes de jovens formados na base corintiana. Para assinar com o atacante, o Corinthians envolveu Mantuan, Du Queiroz, Ivan, Robert Renan e o próprio Pedro nesse acordo. Os percentuais do que foi cedido ao Zenit desses jogadores nessa negociação variou de atleta para atleta.

Desses, Pedro, Robert Renan, Ivan e Pedro eram atletas da Elenko Sports. Os termos completos dessa negociação nunca foram reveleados. O alvinegro ainda desembolsou 25 milhões de euros por 50% do atacante e pagou aos russos. O clube paulista estimou que o pacote de jogadores cedidos valia à época 12,5 milhões de euros.

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Corinthians fica sem valor milionário

Havia uma expectativa do Corinthians faturar com a transferência de Pedro saindo do Zenit, da Rússia, para o Al-Ittihad, da Arábia Saudita, porque mantinha 30% do passe do atleta, percentual acertado em 2023, quando o jovem atacante saiu para o futebol russo. Na ocasião, a venda foi de 9 milhões de euros, R$ 46,7 milhões na época. Agora, o time russo negocia a saída do brasileiro por 35 milhões de euros, cerca de R$ 222 milhões na cotação atual.

O Corinthians não possui mais nenhuma porcentagem de Pedro e a equipe brasileira deve receber apenas 2,5% da negociação, percentual estabelecido pelo mecanismo de solidariedade da Fifa, que distribui parte dos valores de transferências aos clubes responsáveis pela formação do atleta entre os 12 e 18 anos. Isso representa 875 mil euros, ou R$ 5,5 milhões. A venda inicial foi feita em 2023 por Duílio Monteiro Alves. Mas a porcentagem foi negociada pelo Corinthians ainda sob gestão de Augusto Melo, no ano passado.

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