Alexandre Guariglia
17/09/2020
08:00
São Paulo (SP)

A vitória na última quarta-feira era essencial para o Corinthians, mesmo que o desempenho não estivesse a altura do resultado. O protesto dos torcedores, a saída do treinador e a proximidade da zona de rebaixamento eram fatores que pediam tranquilidade. E ela veio com o 3 a 2 sobre o Bahia, que também trouxe um bônus para o corintiano: a esperança de dias melhores com a boa atuação.

Muito desse bom desempenho se deve à ousadia no time escalado pelo técnico interino Dyego Coelho, que fez sete alterações em relação à equipe titular que perdeu para o Fluminense no último domingo, no Maracanã. Entraram Fagner, Danilo Avelar, Roni, Xavier, Mateus Vital, Araos e Everaldo. Saíram Michel Macedo, Bruno Méndez, Cantillo, Gabriel, Éderson, Gustavo Silva e Jô.

Vale destacar que algumas mudanças foram obrigatórias por conta de suspensão (Jô e Gabriel), outras foram naturais, de atletas que retornaram ao time titular (Fagner e Danilo Avelar), mas duas entradas merecem destaque: as de Roni e Xavier, dupla de jovens da base que acabou sendo muito importante para o resultado na Neo Química Arena, na 11ª rodada do Brasileirão-2020.

Xavier, quando o Corinthians tinha a bola a partir da defesa, se posicionava no meio dos dois zagueiros para iniciar a jogada de trás a partir de uma linha de três. Ao mesmo tempo, Lucas Piton, pela esquerda, e Fagner, pela direita, já se colocavam como pontas enfiados para dar opção de passe. Algo trazido do trabalho de Coelho no sub-20, que deu mais profundida ao Timão.

Já Roni, jogando um pouco mais avançado, disse ao que veio ao marcar o segundo gol corintiano, quando o time veio tocando a bola desde o campo defensivo, até que Piton, bem avançado, achou o jovem meio-campista (que havia acompanhado o lance) no meio da marcação. Como um volante moderno, ele dominou a bola e bateu firme para balançar a rede.

Essa chegada no ataque, além do mérito individual, tem a ver com a movimentação do setor ofensivo. Sem Jô e Boselli, que seriam os jogadores de referência na área, Coelho precisou bolar um esquema diferente e apostou a movimentação de quatro peças: Otero, Mateus Vital, Araos e Everaldo.

A solução deu muito trabalho para a defesa baiana, pois sempre um dos quatro conseguia receber a bola e dava espaço para a chegada dos laterais e meio-campistas, como Fagner, Piton e Roni. Essa mobilidade não se via nos outros jogos, a bola nem chegava ao setor e Jô praticamente não tinha participação.

É verdade que a maioria das chances ainda foram originadas de bolas paradas, principalmente nas cobranças de falta de Otero, que está com o pé muito calibrado e em todas as tentativas acerta o alvo, levando perigo ao goleiro adversário. Basear o jogo nisso é muito pouco, mas ajuda a dar o volume suficiente para que o restante se acerte, como ocorre na última quarta-feira.

Ainda não é possível se empolgar, já que ainda há muito o que ajustar, inclusive na defesa, que se mostrou bastante frágil, e contou com milagres de Cássio, mas o que se viu no ataque já serve para o torcedor corintiano pensar em dias melhores para o clube. Aquela que parecia ser uma equipe em queda livre, agora dá sinais de que há como melhorar e isso passa muito pela mobilidade do time e por escalar peças que tenham condições de oferecer essa dinâmica.

Corinthians x Bahia
Corinthians teve boa atuação (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)