LANCE!
06/09/2018
16:43
São Paulo (SP)

O Corinthians anunciou nesta quinta-feira a contratação do técnico Jair Ventura, de 39 anos, para assumir o comando no lugar de Osmar Loss, que volta a ser auxiliar técnico. Mas, o que esperar do carioca que iniciou a carreira no Botafogo e teve uma passagem recente pelo Santos? Nossos repórteres contam.

Jair teve uma passagem elogiada pelo Botafogo e nem tanto pelo Santos. As análises são dos setoristas Felippe Rocha, da cobertura do clube carioca, e de Ana Canhedo, do Peixe. Eles tocam nos pontos principais e virtudes do trabalho do comandante à frente dos alvinegros. O filho de Jairzinho começou em 2016 e agora chega a seu terceiro clube, sempre em preto e branco. Qual será a marca desse trabalho? Confira as análises abaixo:

NO SANTOS - POR ANA CANHEDO

A passagem de Jair Ventura pelo Santos durou setes meses e começou muito melhor do que terminou. O carioca chegou com o apoio da torcida, tido como a melhor aposta a se fazer o início da temporada, e saiu quando o nível de stress dos mesmos torcedores já havia contaminado a sequência do trabalho. Foram 39 jogos à frente do Peixe: 14 vitórias, 10 empates e 15 derrotas, totalizando um aproveitamento pouco superior a 44%.

Dos melhores momentos, destacam-se a digníssima eliminação no Campeonato Paulista diante do Palmeiras, no pênaltis, quando o Santos parecia desacreditado pela maioria, a boa primeira fase de Libertadores, com três vitórias e liderança do grupo, e a iniciação de Rodrygo, um dos melhores do time no primeiro semestre. Além da "descoberta" do bom volante Diego Pituca.

Com problemas para organizar o meio-campo da equipe - vale lembrar que nenhum jogador foi contratado para o setor, mesmo diante da clara lacuna no plantel, Jair teve dificuldades para dar um padrão claro de jogo ao Santos, não achou variações. Embora fizesse inúmeros treinos táticos, não conseguiu se adaptar ao perfil do Alvinegro, ficando preso ao discurso de "DNA ofensivo" e sofreu com o ataque: insistiu na escalação de Gabriel como centroavante e viu o camisa 10 render menor do que o esperado.

NO BOTAFOGO - POR FELIPPE ROCHA

Efetivado como treinador principal após oito anos de clube e duas passagens como interino, Jair Ventura herdou um time que, após um turno inteiro do Campeonato Brasileiro de 2016, penava para fugir da zona de rebaixamento. Ele, então, remodelou a equipe e, ao longo dos um ano e quatro meses, foi adaptando o conjunto a diferentes circunstâncias. Quase, mas nem sempre, com sucesso.

Com o antecessor, Ricardo Gomes, o Glorioso era franco. Tentava partir para cima de todos os adversários, o que resultava em um time organizado, mas que, por vezes, era presa fácil. Com Jair, a organização se acentuou e o famoso futebol reativo, mais direto, foi implementado.

Profundo conhecedor daquele grupo, inclusive dos jogadores revelados na base alvinegra, o treinador alternou sistemas táticos, ainda naquele 2016: adotou 4-3-1-2, 4-2-3-1, colocou uma dupla de laterais no lado esquerdo, um zagueiro na lateral direita. Em casa ou fora. E a equipe foi obtendo grande arrancada que resultou na classificação à Copa Libertadores de 2017.

Outro mérito de Jair foi extrair qualidade de jogadores que viveram o auge, como Camilo. No ano passado, o elenco teve mais problemas do que soluções. Roger (agora no Corinthians), por exemplo, não decidiu como se esperava nos jogos das copas. Montillo sucumbiu às lesões e rescindiu o contrato.

Mesmo assim, o time foi semifinalista da Copa do Brasil e fez o duelo mais duro que o Grêmio, campeão, teve na Libertadores. O problema foi a reta final do Campeonato Brasileiro. Apesar de namorar a vaga no principal torneio do continente pela segunda vez, o elenco enxuto não deu conta na reta final da temporada, e o time terminou fora da zona de classificação.

Por outro lado, a fama de treinador "retranqueiro" é enganosa. A começar pelo quão curta é a carreira de Jair Ventura: são apenas dois trabalhos. No Botafogo, faltavam meias e atacantes. Mesmo assim, com o tempo, foi nítido que o time foi se adaptando a chegar mais ao ataque. Tanto que, por vezes sem um "camisa 10", a equipe chegou a fazer três gols num mesmo jogo.

É claro, porém, que o histórico de já ter construído sucesso a partir da defesa casa com a memória afetiva de torcedores e dirigentes do Corinthians.