Eduardo Barroca - Botafogo

Eduardo Barroca é o treinador do Botafogo (Foto: Vítor Silva/Botafogo)

Sergio Santana
13/08/2019
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Eduardo Barroca vive um eterno "frio na barriga" pelo primeiro trabalho como treinador de uma equipe profissional na carreira. Com passagens vitoriosas nas categorias de base e trabalhos como auxiliar técnico no passado, o atual técnico do Botafogo coloca-se como um dos nomes com maior potencial para o futuro na função dentro do futebol brasileiro.

Uma das marcas do Botafogo de Eduardo Barroca é a valorização da posse de bola. O Glorioso é uma equipe que gosta de colocar a bola no chão e criar oportunidades de gol a partir de triangulações e movimentações. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, porém, o treinador comenta que este estilo de jogo jamais foi colocado acima da sua vontade de fazer o jogador gostar do seu trabalho e conquistar bons resultados com atuações convincentes - estas, sim, suas principais preocupações como treinador.

- Muito se fala dessa questão por conta dos números. Não é só ter a bola ou não. Meu objetivo é, primeiro, ganhar jogos e jogar bem. Quero meu time criando chances de gol, que meus jogadores saiam de campo com o sentimento que jogaram um bom futebol, se desenvolveram bem, conseguiram transferir aquilo que a gente treinou para o jogo. A posse de bola é uma forma de se jogar bem. A gente se utiliza dela diante das características dos jogadores que temos, daquilo que queremos em cada partida. O foco do meu trabalho não é a posse de bola. O foco é jogar bem, o desenvolvimento do jogador, fazer o atleta se sentir atraído por aquilo que eu posso ofertar a ele dentro de campo. O foco não é a posse, é o jogador. É o desenvolvimento do atleta, como ele se sente trabalhando vestindo a camisa do Botafogo sob o meu comando - analisou.

Eduardo Barroca não tem medo de falar palavrão. Muito pelo contrário. Nos vídeos de bastidores divulgados pelo Botafogo e nas entrevistas coletivas, é comum ver uma linguagem direta e sincera do treinador com seus jogadores e os veículos de imprensa, tanto antes quanto depois das partidas. Independente do resultado, o comandante é marcado por ser um cara atencioso - foi, inclusive, elogiado pelos jogadores em muitas ocasiões desde a sua chegada ao Alvinegro. O treinador explica sua relação com o elenco.

técnico do Sub-20, Eduardo Barroca. É para uma matéria que vai ao ar logo mais.
Eduardo Barroca no sub-20 (Foto: Vitor Silva/Botafogo/SSPress)

- Sou privilegiado por ter sido auxiliar de muita gente com características diferentes. Foi a maior faculdade que tive. Vi treinadores se relacionarem com os jogadores de formas distintas. Vi Joel Santana, Renê Simões, Falcão, Caio Júnior, Jorginho, Cristóvão, Celso Roth, Doriva... Aprendi que, com o jogador de futebol, você tem que falar sempre a verdade, cobrar a coisa correta e a gente precisa ser exemplo. O jogador aprende por exemplo ou tomando porrada. Procuro ser exemplo das coisas corretas e justas que estou cobrando deles e estar do lado no momento que ele está se dedicando e a coisa não está acontecendo. É comum, o jogador se dedica, mas as coisas não fluem. Sou muito direto. Se precisar chamar alguém na minha frente para falar que não estou gostando de algo, eu faço. Sou um cara simples. Minha vaidade não está no meu corpo ou na roupa que uso. Minha vaidade está no respeito do meu trabalho e, principalmente, na minha família. Eu levo isso muito a sério. Sou sempre o primeiro a chegar e o último a ir embora.

Barroca chegou ao Botafogo após uma passagem pela equipe sub-20 do Corinthians. Antes da passagem pelo Parque São Jorge, o treinador foi técnico da equipe de base do próprio Alvinegro, onde conquistou um Carioca e um Campeonato Brasileiro. Apesar da passagem vitoriosa, o técnico explicou que o motivo de deixar o Glorioso para aceitar o desafio em São Paulo foi a sua ambição, algo que ele leva a sério em toda a sua carreira.

- Entendi que estava tudo muito confortável. Tinha prestígio, era vitorioso, ganhei uma série de coisas, tinha uma boa relação com a direção, um bom salário, estava com um domínio total dos jogadores… Veio uma preocupação de que isso pudesse me trazer conforto. A escolha de sair naquele momento foi muito mais para me desafiar. Quando aceitei o convite do Corinthians, já tinha tido outros convites, mas optei por não aceitar. Meu filho tinha dez dias de vida, fui porque precisava me desafiar, mesmo que minha família pagasse um preço. Entendi que, profissionalmente, era importante e foi uma experiência muito boa.

A oportunidade de ser um treinador é um sonho antigo. Desde o começo da adolescência, Eduardo Barroca sabia que seu lugar era a casamata. Com uma idade pouco avançada, tinha a noção de que queria ser treinador de futebol. O atual comandante do Botafogo contou quando a ideia de assumir essa profissão chegou à sua cabeça.

- Antes de fazer o vestibular. Pensei no que queria fazer, tinha a certeza de que era isso que queria. Já fiz tudo com a intenção de fazer a faculdade de educação física para me formar como treinador. Sempre gostei muito de futebol, desde muito novo. Fui atento ao que envolvia o esporte. Meu caminho do gosto pelo futebol é desde criança, mas meu desejo de ser treinador foi com 15, 16 anos - confessou.

'Não é só ter a bola ou não. Meu objetivo é, primeiro, ganhar jogos e jogar bem.'







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O que você fez para tirar a cabeça dos jogadores da parte externa durante a greve de silêncio do elenco?
- Minha postura foi simples. Comunicaram a mim o sentimento deles e não precisei fazer nada, porque eles mesmo pediram que eu fosse o elemento de cobrança desportiva. Me pediram isto e tive a devolutiva deles. Não precisei fazer muita coisa, não. Simplesmente segui com o nível de exigência alto e fiz todas as cobranças que eram necessárias no momento. Sempre tive plenitude dos jogadores do lado desportivo. A entrega, a dedicação… O Botafogo tem um grupo de jogadores que trabalha muito forte. Temos um número baixo de lesões, os atletas vão sempre no limite, se precisar fazer contra turno, se precisar complementar o trabalho os caras estão sempre disponíveis. Tenho uma receptividade muito grande por parte deles.

Qual a principal diferença entre base e profissional?
- É difícil falar de diferenças porque na base tem jogos interessantes. Uma competição nacional de base te dá boas partidas, você encontra ótimos treinadores, jogadores muito bons. Às vezes, nas competições regionais na base, existe uma diferença muito grande. O ambiente do futebol profissional é diferente. Ele tem uma energia externa que envolve uma preparação diferente, como acessar um jogador profissional, como motivá-lo, trazer sua concentração para o jogo… O próprio fator externo, a imprensa e a torcida que acompanha, isso gera uma energia diferente que está sendo bacana viver.

Como começou seu interesse por futebol?
​- Começou quando eu era criança. Sou um cara de Del Castilho, da Praça Manet. Tinha um campo em frente à casa da minha mãe. Desde pequeno fui criado na rua, jogando bola na praça, no campo… Minha paixão veio daí. Depois, com o lado torcedor, acompanhando futebol e aí com a formação. Antes de entrar na universidade eu queria trabalhar com isso, já entrei sabendo que queria esse caminho e depois fui fazendo tudo que envolvesse formação para me tornar treinador de futebol. Me formei em educação física, fiz pós-graduação, estágios, cursos, viajei e comecei, dentro de clube, a seguir esse caminho.

Esperava ter sido convidado ao time principal depois da saída do Jair Ventura?
- Naquele momento eu tinha uma expectativa porque vinha de títulos de Taça Guanabara, Carioca e Brasileiro, a maior conquista que a gente teve dentro do clube. Mas muito como consequência dos jogadores que haviam subido para o profissional, muitos deles tinham trabalhado comigo. Em nenhum momento se gerou uma expectativa equivocada em mim. A direção sempre deixou claro o caminho que ela seguiria e, diante dessa não escolha, acabei optando ter outro tipo de experiência para me engrandecer profissionalmente.

Corinthians x Botafogo - Campeonato Brasileiro do Sub-20
Botafogo foi campeão sub-20, em 2016, sob o comando de Eduardo Barroca (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Como é encarar seu primeiro desafio no futebol profissional?
- Vivo as coisas aqui muito passo a passo. Desde que recebi o convite, formatei minha cabeça para que eu criasse programas para poder ter a mensuração, por etapas, daquilo que eu estava desenvolvendo. No primeiro momento, foram aqueles dez dias antes do jogo contra o São Paulo, para fazer os melhores treinamentos. Depois, o primeiro ciclo, onde o grande objetivo era conseguir resultados a curto prazo, até porque, por ser um treinador jovem, eu tinha essa necessidade a curto prazo. Depois, com a parada da Copa América, a gente se desenvolveu em uma série de coisas e tivemos uma sequência muito pesada depois dessa parada. Passamos por ela e a gente está no segundo ciclo. Temos nossos objetivos de pontuação, mas tenho vivido muito passo a passo. Foi importante quebrar a sequência de partidas sem vencer, ganhamos do Avaí e do Athletico. Em dois momentos sob o meu comando nós conseguimos emendar três vitórias seguidas, que é importante para o nosso trabalho.

Você sempre fala que dividiu o Brasileirão em quatro ciclos. O primeiro já foi, até quando vai o segundo e qual o objetivo da equipe nele?
- O segundo ciclo começou no jogo contra o Cruzeiro e vai até o jogo contra o Ceará, a última rodada do primeiro turno. É um ciclo de dez jogos. A gente tem como referência nesse segundo ciclo a pontuação que conquistamos no primeiro. Conseguimos 15 pontos, essa é uma referência para nós. A partir do fim desse ciclo, vamos reavaliar e repensar toda a questão de pontuação, mas existem umas certezas neste processo. Este segundo ciclo, apesar de ter dez jogos, são seis jogos fora de casa e quatro em casa. É difícil, ainda mais juntando com os jogos da Sul-Americana, o que dificultou ainda mais. No final do campeonato, esse ciclo é invertido. No momento decisivo, o Botafogo vai jogar, dos dez jogos, seis em casa e quatro fora. É um indicativo bom para a gente, desde que conseguimos cumprir as nossas metas para que, na hora da decisão, a equipe consiga estar mais próximo do torcedor. Só vou pensar no terceiro ciclo na hora que o segundo estiver acabando.

Por que o Botafogo não teve bons resultados no retorno da Copa América?
- Temos que falar jogo a jogo. Contra o Cruzeiro, o Botafogo fez bom jogo, jogamos melhor e criamos as principais chances. A partida contra o Santos foi bem difícil, equilibrado, tivemos chances, mas eles, no fim do jogo, com uma situação individual, conseguiram vencer. Contra o Atlético-MG aqui, talvez fizemos um dos melhores primeiros tempos desde que cheguei e, em uma falha individual, tomamos um gol, o que nos desequilibrou no segundo tempo. Contra o Flamengo, fizemos uma ótima apresentação, entendo que a arbitragem influenciou diretamente no resultado, o Botafogo teve chances claríssimas, a bola parada estava entrando. O jogo de volta contra o Galo, fizemos um ótimo primeiro tempo, jogamos muito bem... Chutes de fora, bola na trave. No segundo tempo, tivemos que jogar contra o Atlético e o relógio, e a equipe se desorganizou, buscando o gol de qualquer jeito. Entendo que estamos em um crescimento. Não gosto quando a gente não consegue os resultados, mas preciso ter coerência para cobrar corretamente.

Contra o Avaí, a equipe abriu mão da posse de bola, mas não teve sustos e venceu. Você vem desenvolvendo novas formas de atuar?
- Ninguém quer dar a bola para o outro. Se eu der a bola para o adversário, eu não vou fazer o gol. Não existe essa questão, existe imposição. Em jogos que a gente quer estar a bola, mas o adversário não deixa a gente ter. Às vezes, queremos ter a bola, mas o adversário impõe uma marcação que a gente não consegue se conectar. Tentamos pressionar, mas o adversário tem capacidade de superar. O futebol é um jogo de imposição. Especificamente contra o Avaí, fizemos um gol cedo, algo que estávamos devendo, e em todos os jogos que a gente foi para o primeiro tempo vencendo nós ganhamos. É uma marca da equipe.

Botafogo x Athletico-PR
Botafogo vem de duas vitórias seguidas (Foto: Thiago Ribeiro)

O que falta para o ataque ficar no mesmo nível da defesa e do meio-campo?
- Primeiro, trago responsabilidade para mim. Como treinador, preciso criar um mecanismo coletivo para aumentar as possibilidades deles finalizarem com clareza. O Luiz Fernando é um jogador que finaliza muito, mas, muitas vezes, com uma marcação próxima. Preciso criar manobras coletivas para aumentar a nossa possibilidade de finalizar ao gol. Estamos crescendo nesse sentido, é algo que tenho trabalhado diariamente. Desde o jogo contra o Santos, nós estamos com uma melhora nesses índices. O número de gols de bola parada aumentou, era algo que estávamos trabalhando. Contra o Atlético-MG, finalizamos muito de fora da área, marcamos de longe contra o Avaí e Flamengo.

Qual o próximo passo neste quesito ofensivo?
- Precisamos desenvolver nossas chances contra equipes que jogam mais fechadas. Precisamos de qualidade e infiltração para marcar nestes casos. Contra o Cruzeiro e no primeiro tempo diante do Atlético-MG, tivemos de frente contra equipes fechadas. A gente precisa de qualidade e coordenação para infiltrar nesses times. Existem quatro formas de fazer gols. A gente melhorou a bola parada e o chute de fora, fizemos uma primeira parte de campeonato muito boa na questão de cruzamentos para a área. Agora, temos que trabalhar na questão da infiltração. Com certeza daremos um salto de qualidade.

Trace uma relação entre desempenho e resultado
- Pensando na minha equipe, eu gostaria que sempre que o resultado viesse como consequência do desempenho. Nas demais, é difícil falar. Meu desejo é que, no final de um jogo, a gente conseguisse bons resultados por conta de bons desempenhos. Muitas vezes, no futebol, você consegue jogar bem e não consegue o resultado. Outras vezes você consegue o resultado, mas não joga bem. Tenho uma atenção muito grande nesses momentos que a gente joga bem e não consegue o resultado, para fazer a cobrança justa nos jogadores. Nos momentos que a gente não joga bem mas consegue os resultados eu também estou sempre com olho aberto para fazer a cobrança. Não é porque a gente venceu que não vou cobrar aquilo que preciso ser ajustado. Sou uma pessoa com bastante atenção no desempenho, para que a gente tenha um resultado como consequência.

O desempenho do Botafogo reflete nos resultados?
- A gente tem muitas coisas a melhorar. Quebramos algumas barreiras importantes em um primeiro momento. Temos uma forma de jogar muito clara, os jogadores se sentem bem. Daqui a pouco completo quatro meses de Botafogo, a gente vai precisar se desenvolver no refinamento de uma série de coisas. É algo complexo. É conseguir se desenvolver, cada vez mais, no refinamento, na parte de desenvolvimento do jogador, as pequenas coisas. No bruto, em um primeiro momento, a gente conseguiu ir bem, mas ainda precisamos pavimentar fatores para estar em alto nível.

Marcinho Botafogo
Treinador elogiou Marcinho (Foto: Vítor Silva/Botafogo)

Evolução de Marcinho
- A volta por cima do Marcinho é mérito total dele. No momento que ele estava em dificuldades, em nenhum momento transferiu nada a ninguém. Ele sabia que era responsabilidade dele e que precisava crescer. Chamei para conversar e ele entendeu o momento que estava vivendo e fez dali um trampolim para o crescimento. Marcinho é um cara que eu acredito muito, assim como o Fernando. São dois jogadores que conheço bem, trabalhei com eles quando eram garotos e agora são homens. São jogadores bem formados e com a chance de jogar em altíssimo nível, inclusive em Seleção Brasileira. Caras que trabalham sério, têm uma formação familiar meio fora do comum no futebol, cognição alta, boa formação escolar, cultura esportiva… Acredito demais nos dois e esse momento que o Marcinho está vivendo é mérito do momento que ele viveu e deu a volta por cima. Essa competição entre os dois é muito saudável e em um nível elevado.

Onde você vê Gustavo Bochecha atuando?
- É um jogador diferente. Tem uma capacidade de jogar pressionado muito alta. Tem uma técnica muito boa. Pode jogar tanto de primeiro volante como de uma meia mais organizador. Quando enfrenta equipes que, por exemplo, jogam com uma linha mais baixa, ele é um cara interessante para colocar um pouquinho mais na frente, porque tem capacidade de se desenvolver em pouco espaço. Ele tem capacidade de, em pouco espaço, colocar alguém na cara do gol. É um cara que se adapta em mais de uma função no meio-campo e está tendo suas oportunidades. Está com uma sequência maior de jogos e um atleta que eu acredito muito.

Características de jogadores que procura no mercado
- Desde que cheguei sempre entendi que a gente precisava de alguma coisa conversei com o Anderson (Barros) e o Gustavo (Noronha) e eles trabalharam frontalmente nesse sentido. Esse tipo de assunto é algo que prefiro tratar internamente. Mesmo que seja uma pergunta de característica, prefiro deixar internamente. Eu tenho jogadores em todas as posições, então eu parto sempre do princípio do respeito pleno a quem está aqui sob o meu comando. A gente tem conversado sobre possibilidades, a direção tem trabalhado corretamente. Se tiver a oportunidade de conseguir trazer um reforço vai ser importante. Mas volto a falar que parto do princípio que meu foco está nos jogadores que estou trabalhando aqui. Essa responsabilidade é grande e o valor que dou a eles é muito grande.

São Paulo x Botafogo - Barroca
Barroca em sua estreia pelo Botafogo, contra o São Paulo (Foto: Flavio Hopp/Lancepress!)

Funcionários com salários atrasados
- A direção tem que entender a essência do problema. Eles estão trabalhando e se esforçando. A gente tem frontalidade nessa relação, o que é muito importante. É saber que o clube passa por dificuldade não porque as pessoas estão brincando ou não fazem a coisa correta. Existe todo um processo de muitos anos que tentam equalizar. Tenho muita confiança no Anderson (Barros), a pessoa que me reporto aqui. É uma referência a todos por aqui. A palavra dele tem um valor muito grande. A questão financeira fica na responsabilidade da direção, eles trabalham muito duro para dar as melhores condições para que os funcionários possam trabalhar focados apenas nas suas funções. Tenho certeza que, em um curto espaço de tempo, a gente estará com tudo resolvido e pensando só no lado do futebol.

Possível entrada de novos investidores no ano que vem
- Meu lado é muito desportivo. A responsabilidade de conduzir o Botafogo em um Campeonato Brasileiro tão pesado e tão difícil é grande. Meu foco está 100% no campo, realmente. Tenho um compromisso com os jogadores e o corpo funcional. É uma responsabilidade com minha carreira. Meu foco é pleno na parte do esporte. Essas questões eu deixo a cargo da direção porque não sou a pessoa mais adequada a opinar nesse sentido.

Importância da torcida
- Desde que cheguei a torcida do Botafogo sempre esteve do lado e apoiou. Até nesse momento que oscilamos, a torcida. Sabem que tenho uma ligação forte com o clube. Tenho uma dedicação plena à minha responsabilidade, então o torcedor reconhece isso e sinto, todos os dias, na rua esse sentimento do torcedor comigo e com a equipe. A torcida precisa olhar para o campo e ver que a equipe está se dedicando e trabalhando no limite. Ganhar, perder ou empatar vai acontecer no lado desportivo, mas eu só tenho elogios à participação. No jogo contra o Atlético-MG, em Belo Horizonte, fizeram uma festa maravilhosa. Alguns deles voltaram no mesmo avião que a gente e muitos me abordaram, dando força e carinho. Minha ligação com a torcida é um pouco diferente, ela é mais do que uma ligação normal, algo frio, de torcedor para treinador. Existe todo o lado de sentimento, de um carinho. Os torcedores reconhece minha ligação com o clube, de tudo que a gente fez pela base. Como treinador e condutor desse processo, sempre levo aos jogadores que nós representamos uma torcida que está do nosso lado e é por ela que a gente joga na nossa plenitude. É para dar alegria ao torcedor do Botafogo. É uma responsabilidade a mais para a gente em conduzir esse trabalho e brigar na parte de cima da tabela do Campeonato Brasileiro.