Luiz Henrique - Botafogo

Luiz Henrique em ação pelo Botafogo (Foto: Vítor Silva/Botafogo)

Sergio Santana
21/09/2021
05:00
Rio de Janeiro (RJ)

Por trás de Luiz Henrique, meio-campista do Botafogo, há uma história de superação e uma cabeça cheia de sonhos. Nascido e criado no Complexo do Alemão, comunidade na Zona Norte do Rio de Janeiro, o meio-campista voltou à cidade natal recentemente, justamente ao fechar com o Alvinegro por empréstimo junto ao Fortaleza.

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O meia de 22 anos valorizou o retorno à Cidade Maravilhosa. Luiz, após ter passado dez anos na base do Flamengo, se transferiu ao Fortaleza no começo do ano passado. Com pouco junto a Juan Pablo Vojvoda, recebeu uma ligação de Enderson Moreira, atual treinador do Botafogo e com quem já tinha trabalhado no Leão, para jogar pelo Alvinegro.

– Eu fui para Fortaleza com a minha namorada. Meus pais até hoje moram no Complexo do Alemão. Voltei agora, meus pais continuam lá (Alemão) e estou morando na Barra com ela. Fortaleza é muito bom, mas o Rio de Janeiro, onde fui nascido e criado, não tem igual. Fortaleza até lembra o Rio, tem praia e faz muito calor, fui muito feliz lá, mas aqui é muito bom - afirmou, em entrevista exclusiva ao LANCE!.

Em um Luiz Henrique que valoriza a presença de Enderson e a de Eduardo Freeland, diretor de futebol do Botafogo que já havia trabalhado com ele no Flamengo, existe o ser humano, que carrega gratidão por Dona Gerusa, mãe, e Mauro, pai, duas das pessoas mais importantes da vida do jogador.

– Não tenho palavras para eles. Pai e mãe... Antigamente com tiroteio rolando, eu treinava salão (futsal) no Grajaú e começavam os treinos. Eles falavam para eu não ir por causa dos tiros, mas nunca gostei de faltar treino. A gente ia, voltava onze horas da noite e só tinha dinheiro para um lanche, ou era pra mim, meu pai ou minha mãe. Meus pais me davam e ficavam sem comer, sendo que eu via que eles estavam com vontade, mas a gente não tinha dinheiro. Eles fizeram de tudo para me ver feliz, até ficar com fome. Meus pais são sem palavras - contou.

A principal meta de Luiz Henrique na carreira? Retribuir o que Dona Gerusa e Mauro fizeram por ele lá no passado e dar uma casa própria para eles. No campo, o jogador almeja uma convocação.

– Penso em tirar meus pais da comunidade do Complexo do Alemão. A primeira meta é dar uma casa e uma vida melhor para eles, só eles sabem o que fizeram por mim lá atrás. Depois, conquistar o mundo. Todo jogador pensa em ir para a Europa e Seleção Brasileira, não pude vestir a amarelinha na base mas se Deus quiser vou conseguir vestir no profissional e disputar uma Copa do Mundo - declarou.

PAI CEDO
Aos 22 anos, Luiz Henrique mostra maturidade e calma. Além dos pais, outra pessoa que o ajudou a ficar assim foi Luiz Gustavo, seu filho, que nasceu ainda quando o jogador tinha 19 anos. O meio-campista afirmou que o nascimento do menino o ajudou a crescer como pessoa.

– Jogo por eles (pais) e pelo meu filho, o Luiz Gustavo, de dois anos. Por eles três eu nem tenho palavras. São tudo na minha vida. Só tenho a agradecer a Deus pelos pais que me deu e a bênção que colocou na minha vida - afirmou.

– (O filho) Me ajudou muita coisa mesmo, até sem eu querer. Eu mudei de uma forma inexplicável do nada. Quando fui ver eu simplesmente senti que mudei depois que fui pai. Meu filho me ajudou muito. Só tenho a agradecer por ter o Luiz Gustavo e é daí para melhor - completou.

Luiz Henrique e filho (Botafogo)
Luiz Henrique com o filho (Foto: Arquivo pessoal)

MAIS DECLARAÇÕES DE LUIZ HENRIQUE

Luiz Gustavo gosta de futebol?
- Gosta sim, ele é até canhoto que nem eu (risos). Se Deus quiser vai puxar o pai e vai virar jogador de futebol, se profissionalizar e conquistar o mundo. Ele me vê jogando e fica dizendo "papai, papai, faz o gol". Eu acho que ele vai gostar de futebol sim.

Adaptação
- Já conhecia a comissão técnica e alguns jogadores, fui muito bem recebi fora de campo. O grupo é fechado, alegre e unido. Estamos fazendo por merecer e se Deus quiser vamos subir

Rio de Janeiro
- Qual jogador não quer estar em um clube grande como o Botafogo e do lado da família? É muito bom estar no ambiente onde foi criado e estar perto da família. Não tem coisa melhor e eu vim com o objetivo de ajudar o Botafogo a voltar à elite do futebol brasileiro.

Enderson Moreira e Eduardo Freeland
- Eles foram muito importantes. Já trabalhei com o Freeland, é gente finíssima, e nem tenho o que falar sobre o Enderson, ele que me colocou para jogar lá no Fortaleza, pude ajudar o time na reta final do Campeonato Brasileiro para continuar na elite. Só tenho a agradecer a eles pela oportunidade.

Melhor momento da carreira foi sob o comando do Enderson?
- Sim, foi o meu melhor momento. Nem nos meus sonhos eu esperava acontecer tão rápido. Estava há um bom tempo sem jogar, acho que sete meses, e o professor Enderson, em um jogo lá no Mineirão contra o Atlético-MG, me colocou de titular. Não saímos com a vitória, mas individualmente fui bem. Continuei jogando, dei assistências e foi meu melhor momento, só tenho que agradecer a ele pela oportunidade.

Conversa com o Enderson no Botafogo
- Ele falou "Luiz, eu já te conheço, você joga de meia entrelinhas e faz o que você no Fortaleza comigo. É só trabalhar forte e firme, assim como todos aqui, e você vai ter a sua chance, e aí você abraça da melhor maneira possível". Acho que esse é o objetivo de todos aqui, estamos juntos nesse objetivo de colocar o Botafogo na elite do futebol brasileiro.

Trataram mal por ter feito base no Flamengo?
- Ninguém fez isso. Foi de boa, isso foi no passado. Fui feliz lá, assim como sei que serei muito feliz aqui. Ninguém no clube me olhou estranho. Todo jogador passa por vários clubes, é a nossa vida. Ficou no passado e agora estou focado aqui.

Foco na Série B
- Nosso objetivo primeiro é ser líder do segundo turno, que aí já garantimos a vaga entre os quatro primeiros. É claro que pensamos no título, o Botafogo merece não só estar de volta como esse título.