menu hamburguer
imagem topo menu
logo Lance!X
Logo Lance!

Bangu já conquistou Taça Rio ao vencer Botafogo em duelo com a marca do Jogo do Bicho

Equipes farão final neste sábado (7) em duelo de pouco apelo no Nilton Santos

Leonardo-bessa-aspect-ratio-1024-1024
Leonardo Bessa
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 06/03/2026
06:50
Atualizado em 06/03/2026
15:11
Bangu ganhou do Botafogo na final da Taça Rio de 1987 (Foto: Acervo Bangu A.C.)
imagem cameraBangu ganhou do Botafogo na final da Taça Rio de 1987 (Foto: Acervo Bangu A.C.)

  • Matéria
  • Mais Notícias

Botafogo e Bangu se enfrentam neste sábado (7) para decidir a Taça Rio do Campeonato Carioca em duelo de pouco apelo. Porém, os clubes têm em suas histórias uma partida importante na década de 1980, também pelo Estadual, que valeu o título da Taça Rio para o alvirrubro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Uma coincidência marcante é que, na época, os clubes tinham forte presença do Jogo do Bicho em suas respectivas gestões.

continua após a publicidade

➡️ Bastos volta a ter sequência no Botafogo após lesão grave

Em primeiro lugar, é importante destacar a diferença da importância da Taça Rio dos anos 80 para a atual. Em 1987, quando o Bangu venceu pelo placar de 3 a 1, a Taça Rio era disputada como o segundo turno do Campeonato Carioca, com 14 equipes participantes. Atualmente, a Taça Rio é uma espécie de torneio de consolação para quem foi eliminado nas quartas de final do Carioca e fica entre o quinto e o oitavo lugar do Estadual.

O duelo foi válido pela 13ª e última rodada, e o time alvirrubro conquistou seu primeiro e, até agora, único troféu da competição. Assim, avançou para o terceiro turno do Carioca, a Taça Euzébio Andrade, com Vasco, Fluminense e Flamengo. O Bangu chegaria ao triangular final, terminando em último lugar, atrás do campeão Vasco e do vice Flamengo. Já o Botafogo, que fazia campanha ruim e entrou em campo eliminado, terminou a Taça Rio na décima colocação com a derrota.

continua após a publicidade

Outro contexto, outra motivação, e um timaço de alto investimento do Bangu contra um Botafogo em crise financeira profunda na década e há 19 anos sem levantar um troféu. No Maracanã com cerca de 10 mil torcedores, no dia 14 de janeiro, 3 a 1 para o time da Zona Oeste e "comércio fechado", como diz seu hino. Gols de Marinho e Arturzinho (duas vezes), com Berg descontando para o Glorioso. Tudo ainda no primeiro tempo.

Bangu ganhou do Botafogo na final da Taça Rio de 1987 (Foto: Acervo Bangu A.C.)
Bangu ganhou do Botafogo na final da Taça Rio de 1987 (Foto: Acervo Bangu A.C.)

Este foi o único título, sem contar a conquista de turnos do Carioca, dos tempos áureos de investimento do Bangu, com Castor de Andrade como um dos principais contraventores da cúpula do Jogo do Bicho e patrono do clube.

continua após a publicidade

Na década em questão, com o patrocínio de Castor, o alvirrubro foi vice-campeão carioca em 1985, perdendo a taça para o Fluminense, e foi vice do Campeonato Brasileiro no mesmo ano, sendo superado pelo Coritiba, nos pênaltis, no Maracanã. A campanha nacional levou o Bangu à Libertadores de 1986, uma mudança de patamar para uma agremiação de bairro. Porém, apesar do forte investimento desde que chegou ao Bangu, em 1963, Castor só conseguiu o título carioca de 1966, vencido em decisão histórica contra o Flamengo.

Do outro lado, o Botafogo não imaginava o novo horizonte para espantar a tristeza e voltar ao anos de protagonismo. Ganharia terreno, então, um dos grandes ícones a história do clube de General Severiano.

Castor de Andrade, ex-patrono do Bangu, foi o principal nome do Jogo do Bicho (Foto: Reprodução/Globoplay)
Castor de Andrade, ex-patrono do Bangu, foi o principal nome do Jogo do Bicho (Foto: Reprodução/Globoplay)

Botafogo e Bangu; Castor e Emil

Emil Pinheiro chegou futebol do Botafogo em 1986 como o "Castor de Andrade Alvinegro". Bicheiro considerado da segunda prateleira, era dono de pontos do Jogo do Bicho na Barra da Tijuca e parte da Zona Sul. Foi ele o principal responsável por trazer o Alvinegro de volta ao caminho dos títulos. Mas essa história aconteceria apenas dois anos depois.

Emil Pinheiro, bicheiro que foi patrono e presidente do Botafogo (Foto: Reprodução)
Emil Pinheiro, bicheiro que foi patrono e presidente do Botafogo (Foto: Reprodução)

Castor e Emil tinham uma relação de amizade. Os negócios, inicialmente na contravenção, passaram para o mundo da bola. Em uma troca considerada "suspeita", no ano seguinte ao da decisão, em 1988, o Bangu mandou para o Botafogo um trio de peso: Mauro Galvão, Paulinho Criciúma e Marinho, pilares do time suburbano. Enquanto isso, Emil teria colaborado com o grande amigo na expansão de seu negócio no ramo da contravenção. Além dos três reforços provenientes do alvirrubro, Cláudio Adão, que jogou em Moça Bonita em 1984 e 1985, foi outro contratado.

➡️ Tudo sobre o Fogão agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Botafogo

O jornalista e pesquisador de futebol Carlos Molinari, torcedor do Bangu, destacou o movimento como um "milagre" que salvou o Botafogo. E, por sua vez, pode ter representado a pá de cal no Bangu.

— Ele (Castor de Andrade) salvou o Botafogo. O Botafogo não ia nem ter time para jogar o Carioca de 1988, ia capengar. Ele desfalcou o Bangu totalmente, acabou optando por utilizar jogadores mais jovens… Aí começa o Bangu a declinar e o Botafogo a melhorar. Então, o Bangu é o responsável direto por salvar o Botafogo, foi fundamental em 1988 — disse Molinari, ao Lance!.

O pesquisador completou:

— E foi uma transação que não apareceram os valores na imprensa. Castor dizia ter sido um presente para o Emil, e o Emil dizendo que era dificuldade do Castor em pagar. O Mauro Galvão mesmo fala que teve valores. E claro que teve… eram jogadores de primeira categoria. Vai dar de graça? Não vai — destacou o jornalista.

Pacote de reforços com craques ex-Bangu para o Botafogo em 1988 (Foto: Reprodução)
Pacote de reforços com craques ex-Bangu para o Botafogo em 1988 (Foto: Reprodução)

Alvinegro sai da fila

O Botafogo desatou o nó na garganta, que incomodava desde 1968, em 1989. Emil Pinheiro montou um bom time e conquistou o título do Campeonato Carioca em 1989, sobre o Flamengo. O projeto financeiro levado à base de muito amor pelo clube, com uma boa pitada de amadorismo e egocentrismo, deu ainda o bi em 1990 em cima do Vasco.

Emil Pinheiro deixou o Botafogo em 1992, após o vice do Brasileiro para o Flamengo, tendo como motivação o fracasso na decisão daquele ano. No ano seguinte, ele foi preso no julgamento da juíza Denise Frossard, que condenou 14 bicheiros — entre eles, também Castor de Andrade — a seis anos de prisão por formação de quadrilha. O patrono do Bangu conseguiu um habeas corpus no mesmo ano, mas foi preso novamente em 1994 encontrado com um disfarce no Salão do Automóvel de São Paulo.

➡️ Aposte nos jogos do Fogão!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.

A dupla de patronos/patrocinadores e contraventores enriqueceu a história do futebol carioca e da cidade do Rio de Janeiro, deixando marcas nos enredos dos dois clubes. Castor de Andrade morreu no dia 11 de abril de 1997 devido a um infarto enquanto cumpria prisão domiciliar, enquanto Emil Pinheiro morreu em 16 de julho de 2001 em decorrência do Mal de Parkinson.

Final da Taça Rio

Depois de 39 anos, Botafogo e Bangu irão se reencontrar, mas agora em uma final de Taça Rio em que os dois podem sair com o título. Mas, se a conquista atual vale pouco para o Alvinegro, é a chance de ouro para o Bangu voltar a levantar uma taça considerada oficial e levar uma vaga para a Copa Sul-Sudeste. Mesmo que perca, a equipe da Zona Oeste já está classificada para Copa do Brasil e Série D do Brasileirão de 2027, logo, já tem motivos para comemorar. Por sua vez, o jogo tem pouca importância para o Botafogo, que conquistou o troféu nos novos moldes em 2023 e em 2024, além de ter nove títulos da Taça Rio no total.

  • Matéria
  • Mais Notícias