Paraná x Botafogo

Jogadores do Botafogo (Foto: Vítor Silva/Botafogo)

Sergio Santana
27/08/2020
06:00
Rio de Janeiro (RJ)

Futebol é como xadrez. É praticamente impossível dar xeque-mate com apenas uma estratégia na cabeça. Nas quatro linhas, a máxima é de que o jogo passa pela forma como um time reage às circunstâncias de uma partida. Esta, talvez, seja a maior qualidade do Botafogo de Paulo Autuori, que conquistou a classificação para a quarta fase da Copa do Brasil ao bater o Paraná.

O Alvinegro não repetiu a formação titular nas últimas quatro partidas. Marcelo Benevenuto, zagueiro, já externou que Paulo Autuori monta o onze inicial de acordo com o adversário. O Botafogo apresenta diferentes formações táticas na mesma partida.

Diante do Paraná, por exemplo, Benevenuto se comportou como lateral-direito quando o Botafogo tinha a bola no meio-campo para frente. Se defendendo, o camisa 14 voltava à posição original, formando uma linha de três ao lado de Kanu e Rafael Forster, que já atuou como volante e lateral-esquerdo desde que foi contratado pelo Glorioso.

São exemplos de uma equipe que se comporta reagindo ao adversário durante os 90 minutos. Não necessariamente assumindo uma estratégia de contra-ataques, mas também na marcação e no comportamento com a bola. Renê Weber, auxiliar de Autuori, explicou esta medida ao falar da entrada de Rafael Forster no time titular contra o Paraná.

- O importante é ter uma equipe em que todos estejam preparados para jogar. Acho que nesse período de treinamento que antecedeu o Campeonato Brasileiro, de quatro semanas, conseguimos fazer uma preparação adequada. Agora, no decorrer do campeonato, vamos precisar também fazer algumas mudanças naturais. Por isso que pensamos na equipe como um todo - analisou Weber.

A partida contra o Paraná, por outro lado, colocou à tona uma das dificuldades do Botafogo: como os jogadores se comportam para chegar ao gol. O Alvinegro tem prioridade por acionar Luís Henrique, do lado esquerdo, para chegar em uma zona perigosa do campo adversário. No terço final, contudo, os jogadores ainda batem cabeça e se confundem com as próprias movimentações.

O Botafogo teve superioridade numérica no campo ofensivo em, pelo menos, três ocasiões diante do Tricolor, mas nem ao menos conseguiu finalizar porque os jogadores não se entenderam no momento de dar o passe - geralmente, por erro de movimentação. Entre qualidades e defeitos, o essencial é que o Alvinegro, além da classificação, conseguiu R$ 2 milhões por ter se garantido na quarta fase da Copa do Brasil.