Jogos do Brasileirão às 11 horas atraem novo perfil de público aos estádios e arenas
Os jogos do Campeonato Brasileiro às 11 horas de domingo, novidade implementada nesta temporada pela CBF, estão sendo um sucesso, atingindo recordes de público do campeonato. Na partida entre Atlético-MG e Joinville pela nona rodada, por exemplo, foram 55.987 pagantes, o maior público desde o início do Brasileirão. O secretário da CBF Walter Feldman, inclusive, garantiu maior número de partidas pela manhã, atraindo um novo perfil de torcedores. Em entrevista a O Negócio é Esporte, o mestre em gestão esportiva e analista de mercado da Lagardère Unlimited Brasil, Daniel Maurin, administrador do blog DMSportBiz, ressalta que o novo horário tende a aumentar as receitas de sócio-torcedor, bilheteria e merchandising, atraindo um público diferente do habitual. "A oportunidade é diversificar a comunicação, trazendo casais com crianças, idosos e mulheres para mais perto", afirma. De acordo com Maurin, além de aumentar o número de jogos pela manhã, o caminho para fidelizar o público e convidar novas pessoas para o espetáculo também passa pela consolidação da qualidade das experiências do torcedor que frequenta estádios e arenas.
O Negócio é Esporte: Na sua avaliação, qual é o impacto para o "negócio futebol" das partidas realizadas nesse novo horário?
Daniel Maurin: Os jogos de futebol no período da manhã são uma grande alternativa de entretenimento para famílias, casais com crianças, idosos, mulheres, entre outros grupos sociais hoje pouco assistidos pelo marketing dos clubes. No médio prazo, a oportunidade é diversificar a comunicação e desenvolver pacotes e produtos que atendam a essa demanda, trazendo para mais perto os torcedores desse perfil.
O Negócio é Esporte: Como isso ocorreria?
Maurin: Devido à nova oferta e com boas estratégias de mercado, as receitas de sócio-torcedor, bilheteria e merchandising podem se desenvolver. Em paralelo, associando a imagem do futebol com a de entretenimento para a família, novos patrocinadores regionais serão atraídos, gerando dinheiro essencial para o giro de caixa.
O Negócio é Esporte: O senhor vê um novo cenário no futebol brasileiro com as partidas pela manhã?
Maurin: Não dá para calcular porque tudo depende de como a indústria vai se posicionar. Ainda é preciso que o marketing dos clubes, assim como a própria mídia e os gestores de arenas e patrocinadores se adaptem a esse novo horário. Enfim, é uma oportunidade de fazer diferente.
O Negócio é Esporte: E quanto ao público das partidas, o senhor acredita que os jogos matutinos vão alterar o perfil dos torcedores que frequentam os estádios e arenas?
Maurin: Não é uma revolução, mas novos públicos se beneficiarão da novidade. Acredito que, no futuro, veremos uma maior participação de idosos, crianças e mulheres nas pesquisas de perfil do público que frequenta os estádios.
O Negócio é Esporte: Na sua análise, que outras estratégias seriam interessantes para aumentar o público do Campeonato Brasileiro?
Maurin: São várias possibilidades. Eu partiria para os estádios e arenas. Temos campos muito bons, mas é preciso investir na qualidade do atendimento em dia de jogo – banheiros, bares, áreas VIPs – e oferecer ao torcedor ótimas experiências, com mais conforto e segurança. Em paralelo, é necessário investir na conectividade dos estádios, com rede wi-fi satisfatória e aplicativos que permitam a interação digital, o compartilhamento de experiências e outras facilidades, como compras dentro das arenas. Além disso, seria interessante também criar novas experiências, como eventos satélites em dias de jogos. Então, por ser um campeonato longo, consolidar a qualidade das experiências do torcedor que frequenta os estádios e as novas arenas me parece ser o caminho para fidelizar o público e convidar novas pessoas para o espetáculo.
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