Executivo defende pesquisa de público para ampliar frequência nos estádios
A Copa das Confederações, que terminou no fim de semana passado, foi considerada um sucesso em termos de público presente aos estádios brasileiros - uma média aproximada de 50 mil torcedor por partida. O torneio ficou atrás somente da competição disputada no México, em 1999 (60.625).
Em 2005, durante a Copa das Confederações na Alemanha, a média de público foi de 37.694, enquanto a Bundesliga (o campeonato alemão), na temporada 2005/2006, anotou uma média de 40.806 torcedores, um número 7,6% maior do que aquele que esteve acompanhando a Copa das Confederações no país. Quando se trata de Campeonato Brasileiro, os números revelam uma realidade bem diferente e não menos preocupante: disputadas cinco rodadas antes da interrupção do torneio por causa da Copa das Confederações, a média de público presente aos estádios no Brasileirão 2013 era de minguados 10.813 pagantes.
Para entender essa diferença nos números, o especialista em marketing e sócio-diretor da Stochos Sports & Entertainment, César Gualdani, defende uma ampla pesquisa sobre as razões que levam o torcedor brasileiro a preferir assistir aos jogos do seu time de coração de casa, ao invés de se deslocar até os estádios. Ele defende a popularização do preço dos ingressos, e vê no conhecimento profundo do perfil dos torcedores, a receita para que o futebol, como negócio, seja atraente não para uns poucos, mas, sobretudo, para a torcida.
Marcelo Resende: O que explica o Brasil, que tem quase 200 milhões de habitantes, ter uma média de público infinitamente menor que a média da Alemanhã, país que tem aproximadamente 81 milhões de habitantes apenas?
César Gualdani: Primeiro mundo: a Alemanha é o principal país da Europa [carro-chefe da economia europeia], tem uma Liga de Futebol consolidada há décadas. Implementam formatos de gestão empresarial e governança em seus clubes e federações. A Confederação Alemã, trabalha em prol dos seus associados (Clubes). Creio que a diferença entre o Brasil e seu público no estádio, ainda assim não reflete a disparidade e gravidade dos problemas que temos de maneira geral. Se formos falar especificamente, fica ainda pior.
MR: O Brasil tem uma economia crescente enquanto a Europa vive uma crise na zona do euro. Isso se reflete dentro dos estádios de ambos os países?
CG: O Futebol como fator social reflete menos na Alemanha do que no Brasil. Isto é uma questão de atribuir valor ao que realmente merece valor. Hoje mesmo vemos através das manifestações que o Futebol perde a importância que um dia lhe foi atribuída. Isto denota um lampejo de maturidade, mas que ainda precisa ser testado. Não é porque ganhou ou as coisas deram certo dentro de campo que os problemas deixaram de existir. Aliás, é justamente aí que reside o perigo e a falsa ideia de que tudo está bom. Não está! E está longe de acabar. Espero que esta seja a hora de mudarmos este cenário.
MR: A estrutura do futebol dos dois países, qualidades das equipes, estádios de futebol (reformados e construídos para a Copa 2014), fórmula das competições, torcidas organizadas, é um fator preponderante para determinar a vontade do torcedor, interferindo de modo direto na presença dentro dos estádios?
CG: Sem dúvida. O Futebol brasileiro precisa mirar-se em exemplos. Desde a formação de talento, forma de jogo, gestão, marketing e reencontrar sua identidade. Não é muito diferente do que o Volleyball brasileiro fez, porém em escala infinitamente menor.
MR: A acessibilidade aos ingressos, como bilheterias físicas, disponibilidade na internet, ação de cambistas, como isso interfere nos dois países?
CG: Interfere na entrega. O dia de jogo é um dos principais ativos e geradores de receita. Você tem que tratar bem um cliente, pois é o mínimo que se deve esperar.
MR: Com os novos estádios construídos e reformados, acredita que o torcedor brasileiro voltará a comparecer? Precisa ser feito algo a mais? Atuação das federações, CBF e clubes, o que eles podem fazer nesse sentido para atrair o torcedor?
CG: Creio que a novidade dos novos estádios atraia mais "novos-torcedores". A pergunta é: "Eles ficarão?". Cabe a reflexão e principalmente o entendimento dos gestores destes espaços que os torcedores precisam ser conhecidos na sua essência. Pois continuaremos a ter os mesmos que sempre estiveram nos estádios e a vinda de outros que ansiavam uma nova entrega e deixaram de ir e outros que nem conheciam e potencialmente passarão a consumir. A demanda agora para os clubes e federações, detentores de direitos e patrocinadores é conhecer profundamente este cliente.
MR: A Copa das Confederações mostrou-se muito cara para os torcedores, ingressos, consumo de alimentos e bebidas com valores exorbitantes. Isso afasta a maioria dos brasileiros que não tem condições de bancar uma ida ao estádio. Essa será a tendência do futebol brasileiro com as novas arenas surgindo ou acredita que irão mudar de cenário e se adequar ao perfil do povo brasileiro que não tem condições?
CG: Acredito que uma vez identificado, quem realmente frequentará os estádios, podemos responder esta questão. Possivelmente teremos que pensar em setorização dos estádios, que possam atender as mais diversas camadas e necessidades. Certamente haverá um longo trabalho a frente para os clubes e os seus gestores idealizarem planos de ação de sócios-torcedores e compreenderem que o matchday é o ativo mais desejado do torcedor.
Futebol acontece realmente quando a bola rola!
E MAIS:
> Vídeo de Anderson Silva e Pelé já tem mais de 17 milhões de visitas
> Final da Copa das Confederações bate recorde de audiência na TV aberta do Brasil
A Copa das Confederações, que terminou no fim de semana passado, foi considerada um sucesso em termos de público presente aos estádios brasileiros - uma média aproximada de 50 mil torcedor por partida. O torneio ficou atrás somente da competição disputada no México, em 1999 (60.625).
Em 2005, durante a Copa das Confederações na Alemanha, a média de público foi de 37.694, enquanto a Bundesliga (o campeonato alemão), na temporada 2005/2006, anotou uma média de 40.806 torcedores, um número 7,6% maior do que aquele que esteve acompanhando a Copa das Confederações no país. Quando se trata de Campeonato Brasileiro, os números revelam uma realidade bem diferente e não menos preocupante: disputadas cinco rodadas antes da interrupção do torneio por causa da Copa das Confederações, a média de público presente aos estádios no Brasileirão 2013 era de minguados 10.813 pagantes.
Para entender essa diferença nos números, o especialista em marketing e sócio-diretor da Stochos Sports & Entertainment, César Gualdani, defende uma ampla pesquisa sobre as razões que levam o torcedor brasileiro a preferir assistir aos jogos do seu time de coração de casa, ao invés de se deslocar até os estádios. Ele defende a popularização do preço dos ingressos, e vê no conhecimento profundo do perfil dos torcedores, a receita para que o futebol, como negócio, seja atraente não para uns poucos, mas, sobretudo, para a torcida.
Marcelo Resende: O que explica o Brasil, que tem quase 200 milhões de habitantes, ter uma média de público infinitamente menor que a média da Alemanhã, país que tem aproximadamente 81 milhões de habitantes apenas?
César Gualdani: Primeiro mundo: a Alemanha é o principal país da Europa [carro-chefe da economia europeia], tem uma Liga de Futebol consolidada há décadas. Implementam formatos de gestão empresarial e governança em seus clubes e federações. A Confederação Alemã, trabalha em prol dos seus associados (Clubes). Creio que a diferença entre o Brasil e seu público no estádio, ainda assim não reflete a disparidade e gravidade dos problemas que temos de maneira geral. Se formos falar especificamente, fica ainda pior.
MR: O Brasil tem uma economia crescente enquanto a Europa vive uma crise na zona do euro. Isso se reflete dentro dos estádios de ambos os países?
CG: O Futebol como fator social reflete menos na Alemanha do que no Brasil. Isto é uma questão de atribuir valor ao que realmente merece valor. Hoje mesmo vemos através das manifestações que o Futebol perde a importância que um dia lhe foi atribuída. Isto denota um lampejo de maturidade, mas que ainda precisa ser testado. Não é porque ganhou ou as coisas deram certo dentro de campo que os problemas deixaram de existir. Aliás, é justamente aí que reside o perigo e a falsa ideia de que tudo está bom. Não está! E está longe de acabar. Espero que esta seja a hora de mudarmos este cenário.
MR: A estrutura do futebol dos dois países, qualidades das equipes, estádios de futebol (reformados e construídos para a Copa 2014), fórmula das competições, torcidas organizadas, é um fator preponderante para determinar a vontade do torcedor, interferindo de modo direto na presença dentro dos estádios?
CG: Sem dúvida. O Futebol brasileiro precisa mirar-se em exemplos. Desde a formação de talento, forma de jogo, gestão, marketing e reencontrar sua identidade. Não é muito diferente do que o Volleyball brasileiro fez, porém em escala infinitamente menor.
MR: A acessibilidade aos ingressos, como bilheterias físicas, disponibilidade na internet, ação de cambistas, como isso interfere nos dois países?
CG: Interfere na entrega. O dia de jogo é um dos principais ativos e geradores de receita. Você tem que tratar bem um cliente, pois é o mínimo que se deve esperar.
MR: Com os novos estádios construídos e reformados, acredita que o torcedor brasileiro voltará a comparecer? Precisa ser feito algo a mais? Atuação das federações, CBF e clubes, o que eles podem fazer nesse sentido para atrair o torcedor?
CG: Creio que a novidade dos novos estádios atraia mais "novos-torcedores". A pergunta é: "Eles ficarão?". Cabe a reflexão e principalmente o entendimento dos gestores destes espaços que os torcedores precisam ser conhecidos na sua essência. Pois continuaremos a ter os mesmos que sempre estiveram nos estádios e a vinda de outros que ansiavam uma nova entrega e deixaram de ir e outros que nem conheciam e potencialmente passarão a consumir. A demanda agora para os clubes e federações, detentores de direitos e patrocinadores é conhecer profundamente este cliente.
MR: A Copa das Confederações mostrou-se muito cara para os torcedores, ingressos, consumo de alimentos e bebidas com valores exorbitantes. Isso afasta a maioria dos brasileiros que não tem condições de bancar uma ida ao estádio. Essa será a tendência do futebol brasileiro com as novas arenas surgindo ou acredita que irão mudar de cenário e se adequar ao perfil do povo brasileiro que não tem condições?
CG: Acredito que uma vez identificado, quem realmente frequentará os estádios, podemos responder esta questão. Possivelmente teremos que pensar em setorização dos estádios, que possam atender as mais diversas camadas e necessidades. Certamente haverá um longo trabalho a frente para os clubes e os seus gestores idealizarem planos de ação de sócios-torcedores e compreenderem que o matchday é o ativo mais desejado do torcedor.
Futebol acontece realmente quando a bola rola!
E MAIS:
> Vídeo de Anderson Silva e Pelé já tem mais de 17 milhões de visitas
> Final da Copa das Confederações bate recorde de audiência na TV aberta do Brasil

Futebol Feminino
Nike lança chuteira exclusiva para craque do Chelsea
Há 10 meses
Lance! Biz
Globo compra direitos de mais de 80 jogos das Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo 2026
Há 2 anos
Vasco
Vasco fará mais uma reforma em São Januário em parceria com a Brahma
Há 9 anos
Bizz BORRAR
'Onipresente' na Rio-2016, marca chinesa quer conquistar o Ocidente. Conheça a 361°
Há 9 anos
Bizz BORRAR
LANCE! é o site esportivo que carrega mais rápido
Há 9 anos
Rio 2016
Após febre, Skol cria espaços para troca de copos dos Jogos Rio-2016
Há 9 anosMais LANCE!

Budweiser faz ações com jogadores de basquete na NBA House

Com a presença de ex-jogadores, empresa anuncia hidratação personalizada para consumidor

Brasileiros que subirem ao pódio também receberão prêmio em dinheiro na Rio-2016

Parceira da Rio-2016, Nissan não deve manter time de atletas após os Jogos Olímpicos

Umbro apresenta nova bola da Liga Nacional de Futsal

Fila reforça atuação no tênis com ações em torneios no Canadá

SKY e Mastercard passam a fazer parte do Pacto pelo Esporte

Parceiro oficial dos Jogos está insatisfeito por falta de respaldo do Comitê Rio-2016

Fila lança tênis em homenagem aos Jogos Olímpicos

Estádio do Palmeiras ganha um 'irmão': Allianz dá nome a arena na Áustria

Nos braços da torcida, Diego atrai o dobro de sócios-torcedores em relação a Guerrero

Entidade pode acionar Globo e Esporte Interativo na Justiça por direito de arena a atletas

CPI da Máfia do Futebol irá sugerir fim do contrato da CBF com a Nike



